17 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Internacional - 26/03/2024

'Enfrentei bombas para proteger meus filhos': como mulheres vivem a guerra

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

As poucas casas existentes em Gaza abrigam dezenas de pessoas.

Sob os bombardeios na Faixa de Gaza, a brasileira-palestina Hadil Youssef Farahat, 42, abraçou os quatro filhos, disse algumas palavras para acalmá-los e prometeu que, em breve, estariam brincando na casa da avó. Para mulheres, a guerra entre Israel e Hamas significa proteger os filhos, sobreviver a crimes sexuais e enfrentar diariamente a violência psicológica.

 

As poucas casas existentes em Gaza abrigam dezenas de pessoas. A brasileira-palestina e integrante da Fepal (Federação Árabe Palestina do Brasil) Mulheres, Ruayda Rabah, diz receber relatos de pessoas amontoadas nos imóveis tentando se proteger. Moradora da Cisjordânia, ela conta acordar com o barulho de aviões israelenses. "Logo cedo, imaginamos essas pessoas sendo mortas."

 

Mulheres temem perder famílias inteiras com ataques. Uma mulher palestina que prefere não se identificar disse ao UOL que o maior medo ao enfrentar os bombardeios é assistir a morte dos filhos. Em uma mensagem de áudio, enquanto ela relata o dia a dia em Gaza, é possível ouvir um zunido ao fundo. "São drones israelenses", ela diz.

 

Veja também 

 

ONU vota nova resolução de cessar-fogo em Gaza na segunda, 25/3

Conselho de Segurança da ONU aprova cessar-fogo imediato em Gaza

 

Mães vivem o medo de não ter o que comer. "Os alimentos que chegam por avião são mínimos. O pouco que entra é muito caro" diz a palestina. Ela conta que pagava 3 shekels (moeda local) por um quilo de açúcar antes do início da guerra. Cinco meses depois, a mesma porção sai por 70 shekels. "Ficamos sem açúcar, mas precisamos de farinha para fazer o pão das crianças."

 

Jovens mulheres são privadas de dignidade menstrual. Segundo Amani Mustafá, diretora da ONG Women for Women na Palestina, as mulheres em Gaza enfrentam ainda lutas menos aparentes. "O acesso a produtos de higiene menstrual é limitado", diz ela. "Há casos de famílias muito pobres com ao menos três meninas em idade menstrual. Muitas voltaram a usar o pano no lugar de absorventes."Não há nenhum lugar seguro para mulheres em Gaza. É uma rotina baseada em medo constante, ansiedade sobre um destino e um futuro desconhecidos.

 

Elas perderam tudo

 

 

Fotos: Reprodução/Google


Antes da guerra, Hadil costumava ir para o trabalho, levar os filhos à escola e participar de reuniões escolares. "Tudo isso parou com a guerra", diz ela, que conseguiu vir para Brasil. "A vida parou até mesmo dentro de casa. Tudo que eu fazia foi impactado."Hadil afirma enfrentar o terror psicológico imposto pelo conflito. "Via pessoas morrendo em torno de mim. Não conseguia dormir, não conseguia pensar em como organizar minha vida. Só conseguia pensar em proteger meus filhos"a.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram. 
 

A principal preocupação é proteger as crianças e os adolescentes durante bombardeios. Antes de deixarem a casa deles em Gaza, Hadil e a família ouviam explosões de bombas em prédios vizinhos. "Peguei meus filhos à noite e conversei com eles para não se assustarem", afirma. "Disse que estavam protegidos e que logo estariam longe dali." Mesmo em meio aos escombros, Hadil inventava brincadeiras para distrair os filhos Adam, 12, Somaya, 13, Tala, 16 e Tareq, 18.
 

Fonte: com informações do Portal Uol

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.