Mulheres que fizeram a diferença na Política do Amazonas
Por Maria Santana Souza e Lívia Négri - A partir do sábado o Portal Mulher Amazônica deu início a uma série de artigos sobre a vida e trajetória de mulheres notáveis que desempenharam papéis essenciais no desenvolvimento político do Amazonas.
A participação das mulheres na vida politica do Amazonas começou em 1935, quando a assistente social Maria de Miranda Leão, conhecida como “Mãezinha”, tornou-se a primeira mulher eleita deputada estadual. Outros nomes femininos de destaque foram a vereadora Lea Antony, a senadora Eunice Michiles e a deputada Beth Azize. Elas assumiram o protagonismo da atuação feminina, mesmo numa época difícil e cercada de preconceitos, abrindo caminhos para outras mulheres na política.
Elas foram mulheres pioneiras, fizeram história e suas trajetórias inspiram centenas de mulheres de novas gerações. Cada uma teve uma importância relevante para mudar a história política do Estado do Amazonas e de nossa Capital.
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Maria de Miranda Leão, conhecida como “Mãezinha”

Maria de Miranda Leão, conhecida como “Mãezinha”, tornou-se
a primeira mulher eleita deputada estadual no Amazonas
Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), pioneira na participação feminina na política da região Norte do Brasil, eleita pela Liga Católica, em 1934, deputada estadual na Assembleia Constituinte (1935-1937). A feminista Maria de Miranda Leão foi professora, enfermeira e assistente social, tendo vinculado sua vida com talento e cultura ao ensino e à solidariedade. Em dezembro de 1922, foi uma das fundadoras de Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, seção Amazonas, meses após a fundação da FBPF, iniciativa de Bertha Lutz (1894 – 1976), em 9 de agosto do mesmo ano.
Foi descrita em uma matéria do Jornal do Brasil de 1936 como “Uma dessas inteligências femininas que se sente ao contato do seu verbo fluente, emotivo, todo saturado por esse amor imenso esse encanto arrebatado pela natureza mágica e caraterística da Amazônia.” Segundo Maria Elizabeth Brêa Monteiro, na fotografia destacada nesse artigo, produzida pela Photographia Alemã, “é possível perceber um perfil de austeridade que parece caracterizar a vida pública de Maria de Miranda e suas vinculações fortes com a igreja católica e com uma ação assistencial”.
Conclamando as mulheres à paz e à guerra, Maria de Miranda Leão proferiu seu discurso na sessão inaugural do 3º Congresso Nacional Feminista, realizado na sede do Automóvel Club, no Rio de Janeiro, entre os dias 1°e 8 de outubro de 1936. Delegada da Liga Católica do Amazonas junto ao Congresso Eucarístico Nacional e designada representante da Federação Amazonense pelo Progresso Feminino e de outras agremiações de Manaus pelo governador Álvaro Maia para o Congresso Nacional Feminino.
Em 1935, a assistente social Maria de Miranda Leão, conhecida como “Mãezinha”, tornou-se a primeira mulher eleita deputada estadual no Amazonas.
Lea Antony: A Vereadora que Desafiou Tabus

Lea Antony, pioneira na atividade política em uma época em que era considerada um tabu para as mulheres, foi eleita vereadora em 1964/1968 pela bancada do PSB. Destacou-se por considerar a justiça a sua trajetória brilhante na vida terrena onde nunca deixou de por a prova o seu grande amor pelo amazonas e sua gente.
Léa Alencar exerceu vários cargos públicos, foi diretora administrativa da Cosama diretora da Fundação Dr. Thomas e também diretora do Educandário Gustavo Capanema, que ela fundou com tanto carinho e vontade de servir a juventude da sua cidade, na busca de lhes oferecer o saber que facilitasse a projeção, alem de lutar pelo engrandecimento do Amazonas na educação das novas gerações.

Chegou a Deputada Estadual e continuou destacando-se em todas as funções que ocupou na Administração Pública, atuando com tanto brilho e inteligência que conseguia sempre ser enaltecida até pelo adversários políticos. Como Deputada em varias legislaturas, tornou-se defensora intransigente das causas nobres do povo amazonense sendo, por isso reeleita em várias oportunidades após começar como vereadora a sua brilhante carreira política.
Não podemos falar de Lea Alencar, sem citar o trabalho fantástico como educadora, que a mais sensibilizou e onde deixou sua obra mas marcante, com a fundação do Educandário ”Gustavo Capanema” dedicando-se de corpo e alma a esta escola, responsável pela educação de varias gerações de nosso Estado. Foi casada com Praxiteles Antony, com quem teve seis filhos Liége, Tereza, Praxiteles Filho, Graça, Paula e Adriano. Faleceu em 19 de maio de 1984, deixando registrada na historia uma brilhante carreira de uma mulher realizada em todos os aspectos de uma vida.
Eunice Michiles: A Pioneira no Senado Federal
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Eunice apresentou projetos a favor dos direitos das mulheres
Por muito tempo a política foi considerada um espaço reservado apenas aos homens. No Brasil, as mulheres só conquistaram o direito ao voto 1930 e, apenas em 1979 chegaram ao Senado da República. A primeira mulher a quebrar a hegemonia masculina foi Eunice Michiles, uma paulista que construiu carreira no Amazonas e entrou para a história como a primeira senadora do país.
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Senadora conversa com o então presidete Figueiredo
em sua posse no Senado Federal
Eunice foi apresentada à política por meio do seu marido, o ex-prefeito de Maués Darci Michiles. Segundo dados da Agência Senado, o casal já estava separado quando ela, em 1974, elegeu-se deputada estadual. Seu plano era tentar a reeleição para Assembleia Legislativa do Amazonas em 1978, mas ela foi convencida pelo partido Arena a disputar o Senado.
Pelas regras da época, tanto o Arena quanto o MDB lançavam três candidatos ao Senado. A apuração se dividia em duas etapas. Primeiro, verificava-se qual partido havia somado mais votos. Depois, qual candidato do partido vencedor havia sido o mais votado.

Uma feminista na Arena: 1ª senadora eleita conta percalços no Congresso
O Arena não desejava que Eunice vencesse. O candidato preferido da Arena era João Bosco, vice-governador do Amazonas, mas os 33 mil votos de Eunice foram decisivos para a vitória dele.
Como não nutria a ilusão de que pudesse passar à frente do vice-governador, Eunice só topou embarcar numa candidatura ao Senado depois de obter da Arena a promessa de que, em troca, seria nomeada secretária estadual de Serviços Sociais. Foi o que ocorreu.
No entanto, com a morte inesperada do senador João Bosco, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) , ela precisou assumir como senadora pelo Amazonas, em 1979.
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"Que Vossa Excelência seja muito feliz e possa aqui emprestar, com sua inteligência, sua sensibilidade, seu coração e sua beleza, a colaboração de que o Senado tanto necessita. A sua presença aqui é, para nós, motivo de enternecimento", disse o senador Lomanto Júnior (Arena-BA), durante a cerimônia.
No entanto, assim como a posse, o mandato de Eunice foi marcado por episódios de machismo praticados pelos próprios colegas senadores.

Não tinha nem banheiro feminino" conta Eunice
Michiles, a primeira mulher no Senado
Mas o preconceito dos demais colegas não impediu Eunice de fazer história no Senado. A maior parte dos projetos de lei que ela apresentou buscava dar direitos às mulheres. Uma de suas primeiras propostas eliminava do Código Civil de 1916 o arcaico artigo que permitia ao homem anular o casamento e devolver a mulher aos pais caso descobrisse que ela não era virgem.
Foto menor, a senadora em 79, e foto maior ela sendo
homenageada pela então presidenta Dilma
Eunice Mafalda Berger Michiles, além de professora, tornou-se uma figura icônica na política brasileira. Representando o Amazonas no Congresso Nacional, conquistou o título de primeira mulher a ocupar um assento no Senado Federal pelo voto popular. Sua trajetória política foi marcada por coragem e determinação, desbravando caminhos para futuras gerações de mulheres.
Beth Azize: Contribuições para o Desenvolvimento do Estado

Jornalista, advogada, professora e parlamentar amazonense
Beth Azize, primeira mulher a assumir a presidência da Casa Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas, ela foi deputada federal e deputada constituinte. Beth assumiu o protagonismo da atuação feminina, mesmo numa época difícil e cercada de preconceito, abrindo caminho para outras mulheres na política no Amazonas.
Confira a trajetória de Beth

Fotos: Reprodução Google
Mandatos (na Câmara dos Deputados):
Deputado(a) Federal - (Constituinte), 1987-1991, AM, PSB, Dt. Posse: 01/02/1987; Deputado(a) Federal - 1991-1995, AM, PDT, Dt. Posse: 01/02/1991.Atividades Partidárias:
Líder do MDB, 1979-1982; Presidente, Mesa : ALAM PMDB, 1983-1985; Fundadora e Presidente do PSB, AM, 1985; Líder do ALAMPSB, 1986; Vice-Líder do ANCPSB, 1987; Presidente do PDT, AM; Vice-Líder do PDT, 1990-1991; Primeiro-Vice-Líder do PDT, 1994.
Atividades Parlamentares:
CÂMARA DOS DEPUTADOS - Legislaturas anteriores à 54ª: COMISSÕES: Titular, Comissão de Constituição e Justiça e de Redação: CD PDT, 1990-1994; Titular, CPI Aeroportos Clandestinos, Missões Religiosas Estrangeiras, Garimpo de Roraima, Internacionalização da Amazônia: CD PDT, 1991; Suplente, Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias: CD PDT, 1991-1992; Suplente, Comissão de Viação e Transportes, Desenvolvimento Urbano e Interior: CD PDT, 1992; Suplente, CPI Mista Esterilização das Mulheres no Brasil: CD PDT, 1992; Titular, CPI Violência contra a Mulher: CD PDT, 1992; Titular, CPI Mista Companhia Nacional de Abastecimento: CD PDT, 1992; Titular, Comissão Mista Especial Desequilíbrio Econômico Inter-Regional Brasileiro: CD PDT, 1992; Titular, Comissão Especial PL nº 2.057/91, Sociedades Indígenas: CD PDT, 1992; Suplente, Comissão Especial PL nº 2.057/91, Sociedades Indígenas: CD PDT, 1992; Suplente, Comissão Especial PEC nº 56/91, Desregulamentação da Economia: CD PDT, 1992; Suplente, Comissão de Constituição e Justiça e de Redação: CD PDT, 1992-1993; Titular, Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias: CD PDT, 1992-1993; Titular, CPI Exploração e Prostituição Infanto-Juvenil: CD PDT, 1993; Titular, Comissão Externa Massacre Indígenas Área Ianomâmi: CD PDT, 1993; Titular, Comissão Especial: CD PDT, 1993; PL nº 3.981/93- Produtos Que Contenham Asbesto/amianto: CD PDT, 1993; Titular, Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática: CD PDT, 1993-1994; Vice-Líder: CD PDT, 1993-1994; Suplente, Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática: CD PDT, 1993-1994; Titular, Comissão Mista Especial Maloca Haximu: CN PDT, 1994.ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE:Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, da Comissão da Ordem Social: Titular, 1987; Comissão de Sistematização: Suplente, 1987-1988.
Mandatos Externos:
Vereador(a), AM, Partido: MDB, Período: 1977 a 1978; Deputado(a) Estadual, AM, Partido: MDB, Período: 1979 a 1983; Deputado(a) Estadual, AM, Partido: PMDB, Período: 1983 a 1987.
Atividades Profissionais e Cargos Públicos:
Juíza de Direito, AM, 1966-1970; Procuradora Jurídica, Manaus, AM, 1971-1976.
Atividades Sindicais Representativas de Classe Associativas e Conselhos:
Vice-Presidente, Clube dos Advogados do Brasil, Seção do Amazonas. Presidente, Clube dos Repórteres Políticos, AM, 1975-.
Estudos e Cursos Diversos:
Direito, UA, Manaus, AM, 1960-1964; Extensão Universitária, Univ. de Lisboa, Portugal, 1971; Administração (incomp.), UA, Manaus, AM, 1976.
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Fonte de Pesquisa: Site da Câmaea Federal, Senado Federal,Câmara Municipal de Manaus, Assembléia Legislativa do Amazonas, Portal Uol, Folha de São Paulo e G1 Amazonas
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