Hospital das Bonecas foca em conserto de peças já gastas e velhas, mas também recebe muitos eletrônicos como o Game Boy da Nintendo
Pode não parecer à primeira vista, mas muitos brinquedos são resultado de conhecimentos técnicos e tecnologia. Em um mundo cada vez mais eletrônico, é natural que eles também bebam nessa fonte. Mas a obsolescência de alguns brinquedos antigos fez surgir os especialistas que os recuperam de forma independente das fabricantes.
Em São Paulo, um desses heróis da criançada é o Hospital das Bonecas, assistência técnica que simula a estrutura de um hospital de verdade e “salva” brinquedos antigos. Mas se você acha que hoje em dia é tudo muito moderno, talvez se surpreenda com as raridades que a empresa recebe, ainda hoje, para restaurar.
No hospital salva-se de tudo: desde eletrônicos de gerações anteriores até brinquedos muito antigos. O urso Teddy — datado de 1902 e fruto de uma homenagem ao ex-presidente americano Theodore Roosevelt, por ter se negado a matar um urso indefeso — é um dos itens recebidos ainda hoje para recuperação no local.
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Outros brinquedos antigos recebidos na empresa são o Pense Bem, dos anos 1990, que simulava um computador para crianças com livros de jogos de perguntas e respostas; o Game Boy, videogame de bolso da Nintendo lançado em 1989; a Boneca Amiguinha, da Estrela, que circulou dos anos 1960 até 1990.
De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital das Bonecas, “normalmente esses brinquedos possuem um grande valor emocional, portanto é comum recebermos clientes das mais diversas idades que têm muito carinho por estes itens (pacientes)”.
Resgatando sonhos e vida
A empresa, surgida há cerca de 80 anos, em 1937, começou quando o imigrante italiano Primo Capelo começou a ser procurado por parentes e vizinhos para “salvar” carrinhos e bonecas diversos.
O serviço foi crescendo e se tornou referência, até que teve a ideia de criar um local para recuperar brinquedos, semelhante ao que um hospital faz com pessoas doentes. Nascia assim o Hospital das Bonecas, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.
O local cresceu e se aproximou cada vez mais com instalações hospitalares de verdade, com corredores, quartos, macas, entre outros símbolos da saúde. E essa identidade já rendeu boas histórias.

"Uma coisa que me marcou muito foi uma certa vez que fomos numa residência nos Jardins, e fomos de branco, como se fôssemos médicos, com a ambulância e as malinhas de primeiros-socorros. Chegando lá, eu estava dando o orçamento, e aí toca o interfone. Era uma senhora do sétimo andar, e ela falou: 'olha, o porteiro falou que temos médico, venham aqui em casa, meu marido está passando mal!'. Não teve jeito de falar que a gente não era médico de verdade", contou Leandro Primo Capelo, neto de Primo Capelo, a Byte.
O resultado foi que o senhor, que estava tendo um infarto, acabou sendo ajudado pela equipe. "Eu estava com o enfermeiro que trabalhava no Hospital das Bonecas, que já tinha servido no Exército. Ele fez um boca a boca e me explicou como apertar o coração, e aos poucos, o senhor, que se chama Seu João, foi voltando à vida", completou o relato. Depois de tudo isso, o paciente (dessa vez, real) foi encaminhado ao Hospital Nove de Julho, e no outro dia foi operado. Está vivo até hoje.
Capelo diz que essa é uma das histórias que mais o emocionam, porque além de resgatar sonhos por meio do conserto dos brinquedos, nesse dia, ele também foi responsável por salvar uma vida.
Como são feitos os consertos

Fotos: Reprodução
Para as “cirurgias”, ou seja, consertos feitos nos brinquedos, o Hospital das Bonecas muitas vezes consegue peças novas, já que tem parceria com vários fabricantes. E as especializações dos “médicos” são diversas: cursos de eletrônica, mecânica, modelagem ou corte e costura, a depender da necessidade do item. São cerca de 20 técnicos, sendo a maioria em eletrônica.
São quatro categorias para consertos: bonecas, brinquedos, videogames e motorizados. Cerca de 2.000 itens chegam por mês para conserto. “Todo o processo desde a entrada (internação) do brinquedo em nossas unidades ocorre como em um hospital de verdade: diagnóstico, cirurgia e alta”, explicou a empresa.
A empresa diz que em razão da nossa “era gamer”, o conserto de itens eletrônicos tem crescido bastante. Para o reparo de elétricos e eletrônicos, vários aparelhos são usados no processo, como multímetro, máquina reballing (para soldar chips), microretífica e câmera termográfica, entre outros.
Fonte: Com informações do Portal Terra
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