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Geral - 21/09/2022

'Não me tornei super-herói só porque perdi a perna', diz professor

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Foto: Reprodução

Elvis Moura teve que amputar a perna após um acidente de carro e tomou suas atividades três meses depois

O professor Elvis de Moura, de 35 anos, passou por uma experiência da qual quase nenhum de nós já refletiu sobre: a possibilidade de tornar-se uma pessoa com deficiência (PcD) de um dia para o outro. Após ser atropelado, ele precisou amputar a perna direita. O acidente aconteceu em maio, mas o professor já retomou suas atividades. Prestes a iniciar o processo de protetização, ele compartilha nas redes sociais cada etapa de seu tratamento. Otimista, mas não herói, faz questão de pontuar. No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o professor fala sobre sua readequação cotidiana e políticas de inclusão.

 

Após o acidente, Elvis esteve consciente o tempo todo de que havia acontecido algo grave. “Eu tive fratura e esmagamento da minha perna. Então como não havia mais circulação de sangue, soube que aquela perna poderia colocar minha vida em risco. Então decidimos amputar de uma vez”, contou. Apesar da clareza sobre seu estado de saúde, a decisão não foi fácil. “Foi um choque muito grande, porque não foi uma doença que me preparou para isso. Um dia eu tinha perna, dois dias depois, já não tinha mais. Foi uma mistura de sentimentos porque eu estava no pico da montanha, com a esperança e alegria de estar vivo, mas depois dessa montanha tinha o abismo”.

 

Foi necessário dar tempo ao tempo para que a nova rotina ganhasse contornos na vida do professor. “Trabalhei esse sentimento de aceitação de que agora eu era uma pessoa com deficiência. Mas foi difícil porque a gente vê as pessoas com deficiência, mas não sabe como é fazer parte disso, enfrentar as dificuldades do dia a dia, por exemplo”.

 

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Superado o choque, Elvis começou a retomar suas atividades. “Tem o lado bom. É perceber que é possível continuar, independente da sua deficiência a vida é possível. Estou aqui, respirando e esse mundo me abre novas possibilidades das quais eu não sabia que poderiam existir”, destacou. Um mês após o acidente, ele já estava jogando capoeira, atividade que já fazia antes do acidente. “Infelizmente perdi a perna, felizmente não perdi a vida, não perdi a dança, não me perdi. E a capoeira nisso tudo só me mostra que tudo é possível nesta vida sendo o que você é, sendo o que você tem e pode oferecer, desde que seja sincero, com amor e carinho, viva a vida, viva a capoeira!”, postou nas redes sociais.

 

“Nem toda PcD precisa virar paratleta”

 

Elvis Moura, durante sua festa de aniversário, após o acidente

 

Retomar a vida de antes foi a prioridade para o professor. “Me apeguei à possibilidade de continuar a fazer aquilo que eu fazia antes. Porque tem uma ideia de que toda pessoa com deficiência precisa ser paratleta, viver postando fotos em lugares trilhas, lugares maravilhosos. Tudo isso é sensacional, mas as pessoas com deficiência também estão no dia a dia, trabalhando, estudando, vivendo uma vida cotidiana normal”.

 

O professor voltou ao trabalho três meses após o acidente. Para ele, circular e estar presente nos espaços, é uma forma de mostrar que as pessoas com deficiência podem e devem participar do convívio social. “Foi muito interessante porque comecei a trabalhar nessa escola quando os alunos estavam no ensino fundamental, no sexto ano. Hoje já estão no ensino médio. Eles me viram trabalhando com as duas pernas, criamos relações. Sofri o acidente e agora volto pra escola com uma perna só. E eles continuam me vendo trabalhando normalmente. É uma mensagem de que é possível continuar, fazer a mesma coisa que se fazia antes, só que em outro tempo”.

 

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Hoje o professor se considera muito mais capaz e forte para continuar suas atividades. “Não é fácil. É triste, solitário, doloroso. Tenho lesões, as mãos doem por causa das muletas, trabalho oito horas por dia, faço comida, limpo a casa. Faço todas as coisas, só que num processo mais difícil em termos de esforço físico. Apesar disso, não me tornei um super-herói só porque perdi a perna. Só estou descobrindo o meu novo tempo”, defendeu.

 

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Fotos: Reprodução

 

Uma das formas de garantir que as pessoas com deficiência estudem, trabalhem e continuem produzindo é oferecer políticas públicas de acesso. “Uma prótese de qualidade é caríssima, por exemplo, pode chegar a R$ 200 mil dependendo dos componentes que você precisa. Existem próteses mais rudimentares, que acabam dificultando o processo de reabilitação. Então pensar em formas de acesso, atendimento é essencial para que as pessoas se recuperem”, destaca. Para além do tratamento médico, os ambientes também precisam estar preparados. "Quando eu precisava sair para ir ao médico, logo após o acidente, era muito difícil. Porque sinceramente, a sociedade não está preparada. Evoluímos muito, mas ainda é difícil uma pessoa com deficiência circular com tranquilidade".

 

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O professor já iniciou seu processo de protetização e está fazendo um financiamento coletivo para custear a prótese.

 

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Fonte: Portal Terra

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