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Política no Amazonas - 16/07/2022

'PEC Eleitoral': deputados do Amazonas votam a favor de proposta que concede benefícios às vésperas da eleição

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Foto: Reprodução

Deputados do AM votam a favor de proposta que concede benefícios às vésperas da eleição

A maioria dos deputados federais do Amazonas votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 15/2022, conhecida como “PEC do Desespero”, “PEC Eleitoral” ou “PEC Kamikaze”. A proposta, aprovada em 2º turno na Casa Legislativa na quarta-feira, 13, decreta estado de emergência, concede uma série de benefícios sociais às vésperas da eleição e deve deixar um “rombo” de R$ 41,25 bilhões no teto de gastos do governo. Agora, a matéria será promulgada.

 

Os deputados Átila Lins (PSD), Bosco Saraiva (Solidariedade), Capitão Alberto Neto (PL), Delegado Pablo (União), José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (PSD) e Silas Câmara (Republicanos) votaram “sim” pela aprovação, segundo consulta ao site da Câmara dos Deputados. Já o voto do deputado Sidney Leite (PSD) não foi registrado.

 

O texto foi aprovado por 469 votos a 17, em segundo turno, e por 393 votos a 14, em primeiro turno, unindo oposição e governistas a favor da proposta. Todos os destaques (propostas de mudança do texto) foram rejeitados, incluindo o que tornava o Auxílio Brasil permanente, já que o estado de emergência vigora até dezembro deste ano.

 

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A PEC permite a expansão do Auxílio Brasil e do vale-gás de cozinha; a criação de auxílios aos caminhoneiros e taxistas; financiamento da gratuidade de transporte público para idosos e compensação aos estados que concederem créditos de imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtores e distribuidores de etanol.

 

Veja os valores de cada benefício abaixo:

 

Auxílio Brasil: ampliação de R$ 400 para R$ 600 mensais e previsão e cadastro de 1,6 milhão de novas famílias no programa (custo estimado: R$ 26 bilhões);

 

Governo quer Auxílio Brasil de R$ 600 a menos de quatro meses da eleição -  Folha PE

 

Caminhoneiros autônomos: criação de um “voucher” de R$ 1 mil (custo estimado: R$ 5,4 bilhões);


Auxílio-Gás: ampliação de R$ 53 para o valor de um botijão a cada dois meses;


Transporte gratuito de idosos: compensação aos Estados para atender a gratuidade, já prevista em lei, do transporte público de idosos (custo estimado: R$ 2,5 bilhões);


Taxistas: benefícios para taxistas devidamente registrados até 31 de maio de 2022 (custo estimado: R$ 2 bilhões);


Alimenta Brasil: repasse de R$ 500 milhões ao programa Alimenta Brasil, que prevê a compra de alimentos produzidos por agricultores familiares e distribuição a famílias em insegurança alimentar, entre outras destinações;


Etanol: Repasse de até R$ 3,8 bilhões, por meio de créditos tributários, para a manutenção da competitividade do etanol sobre a gasolina.
PEC eleitoreira


No início do mês, logo após a aprovação da PEC no Senado, apesar dos benefícios concedidos à população, que tem mais de 33 milhões passando fome, o momento em que a proposta foi aprovada caracteriza, para especialistas, uma jogada eleitoral, conforme explicou o advogado e doutorando em Direito Financeiro e Econômico pela Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Pereira Dolabella Bicalho.

 

“Te dou exemplo da questão dos caminhoneiros, que é uma base de apoio do governo federal e foi aprovado um pacote de benefícios a esse grupo. Evidentemente, diferente da emenda constitucional que adotou a mesma previsão devido à pandemia, essa PEC tem caráter nitidamente político-eleitoral. Então, você está entregando a permissão da responsabilidade fiscal para proporcionar a reeleição do presidente da República”, disse ele.

 

“Essa Proposta de Emenda à Constituição segue a mesma trajetória da PEC que foi aprovada para questão da pandemia de Covid-19, que a gente denominou de ‘Orçamento de Guerra‘, com afastamentos das restrições de responsabilidade fiscal. A gente criou a trilha e o governo federal está andando de novo por ela. Eles aprovaram o mesmo expediente, ou seja, você fazer uma alteração constitucional no ato das disposições constitucionais transitórias para autorizar a realização de endividamento, de realização de despesas, em violação à regra do equilíbrio financeiro, da responsabilidade fiscal”, complementou.

 

Tramitação urgente

 

PEC dos Auxílios: Câmara aprova proposta com custo de R$ 41 bilhões

 

A agilidade na tramitação da matéria na Câmara exemplificou a urgência do Congresso em aprovar a proposta antes do recesso parlamentar, que inicia na segunda-feira, 18. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), fez uma “manobra” para garantir a sessão que iria apreciar a PEC Eleitoral.

 

A medida já havia sido aprovada em primeiro turno na terça-feira, 12, na Câmara, mas a sessão foi suspensa por causa de problemas técnicos no sistema de votação eletrônica da Casa, que inviabilizaram a votação remota. Lira acionou a Polícia Federal (PF) para apurar se a falha foi técnica ou se houve algum tipo de ataque ao sistema.

 

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Arthur Lira (PP-AL)

 

Já nessa quarta-feira, 13, Lira tentou reabrir a sessão interrompida para garantir que haveria quórum para a votação. Mas a oposição e o partido Novo cobraram que a sessão de terça-feira, 12, fosse interrompida, já que o regimento prevê suspensão de sessões por, no máximo, uma hora. Lira recorreu a um subterfúgio.

 

O presidente da Casa encerrou a sessão, convocou uma nova, mas baixou um ato da Mesa para assegurar que deputados que já saíram de Brasília poderiam garantir o quórum, permitindo o registro remoto de presença. Atualmente, essa modalidade só pode ocorrer às segundas e sextas-feiras. Com isso, deputados que estiverem fora de Brasília puderam votar e marcar presença.

 

Manifestação dos deputados


A reportagem questionou os parlamentares se eles consideram a aprovação da PEC um risco ao processo eleitoral; se não havia outra forma de aprovar benefícios à população; e qual a análise sobre o custo total de R$ 41,25 bilhões que vai deixar um rombo nas contas do governo. Sydney Leite foi questionado sobre a ausência do voto.

 

Deputado José Ricardo apresenta projeto que prorroga Auxílio Emergencial  até dezembro de 2020

José Ricardo

 

José Ricardo afirma que defendeu muitos benefícios como o auxílio emergencial, e que o vale-gás é um projeto do qual o parlamentar foi coautor, mas lembra que criticou a PEC ser proposta “na porta da eleição” e vigorar por apenas quatro meses. “Espero que o governo tire os recursos do serviço da dívida e não corte mais recursos da educação, das universidades, escolas técnicas e da ciência e tecnologia”, disse.

 

Saraiva reafirma desistência da reeleição e tentará vaga na ALE-AM

Bosco Saraiva (Fotos: Reprodução)

 

Já Bosco Saraiva pontuou que a proposta “continha ajuda imediata ao povo da camada mais pobre do Brasil e eu não poderia ficar contra quem está passando fome”. Ele espera que os órgãos de controle possam coibir possíveis abusos eleitorais por parte do poder Executivo.

 

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Os demais deputados não responderam os questionamentos até a publicação desta matéria. A reportagem será atualizada com as suas respostas, se enviadas.

 

Fonte: Portal Cenarium

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