18 de Maio de 2026

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Internacional - 03/10/2021

A estátua com roupas sensuais que gerou debate sobre machismo na Itália

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Foto: BBC News Brasil

A estátua retrata uma mulher em um vestido com o braço direito sobre os seios

Estátua de bronze em homenagem a um poema do século 19 é chamada de 'ofensiva' e 'humilhante' para as mulheres

 

A estátua de bronze de uma mulher seminua em homenagem a um poema do século 19 gerou uma onda de debate sobre machismo na Itália - e mulheres políticas pedem sua remoção.

 

A escultura na cidade de Sapri, ao sul, é uma homenagem ao poema La Spigolatrice di Sapri (A Respigadora de Sapri, em tradução livre), escrito por Luigi Mercantini em 1857.

 

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A estátua retrata uma mulher em um vestido transparente com um braço sobre os seios.

 

A deputada Laura Boldrini disse que a estátua é "uma ofensa às mulheres e à história que ela deveria celebrar".

 

"Como as instituições podem aceitar a representação das mulheres como um corpo sexualizado? O chauvinismo masculino é um dos males da Itália", disse Boldrini, que é integrante da Câmara dos Deputados pelo Partido Democrata de centro-esquerda, no Twitter.

 

O poema é escrito do ponto de vista de uma respigadora — alguém que coleta grãos deixados nos campos pelos colhedores.

 

A respigadora deixa seu emprego para se juntar à expedição fracassada do revolucionário italiano Carlo Pisacane contra o Reino de Nápoles, que resultou em 300 mortes.

 

A estátua foi inaugurada no domingo em uma cerimônia com a presença de políticos locais e nacionais, incluindo o ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte.

 

'Corpos sexualizados'

 

Estátua com roupas sensuais na Itália é alvo de críticas por  "hiperssexualizar mulheres" | Donna

(Foto:Reprodução)

 

Um grupo de mulheres políticas do Partido Democrata em Palermo pediu a demolição da estátua, afirmando em nota: "Mais uma vez, temos que sofrer a humilhação de nos ver representadas sob a forma de um corpo sexualizado, sem alma e sem qualquer conexão com as questões sociais e políticas da história."

 

Monica Cirinnà, senadora do partido, chamou a escultura de "um tapa na cara da história e das mulheres que ainda são apenas corpos sexualizados".

 

"Esta estátua da respigadora nada diz sobre a autodeterminação da mulher que optou por não ir trabalhar para se levantar contra o opressor Bourbon", disse ela no Twitter.

 

O prefeito de Sapri, Antonio Gentile, defendeu a estátua no Facebook, dizendo que ela foi "feita com habilidade e interpretação impecável" pelo artista Emanuele Stifano, e que sua cidade "não estava disposta a questionar seus valores, princípios e tradições".

 

Também no Facebook, Stifano disse estar "chocado e desanimado" com as críticas. Ele defendeu a escultura, dizendo que "sempre tende a cobrir o mínimo possível o corpo humano" em suas obras, "independente do gênero".

 

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Neste caso, disse, "aproveitou a brisa do mar" para "realçar o corpo" e afirmou que a estátua pretendia "representar um ideal de mulher, evocar o seu orgulho, o despertar de uma consciência". O projeto, disse ele, foi aprovado pelas autoridades.

 

Fonte: Terra

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