Ex-presidente dos EUA disse que as acusações movidas pela Justiça Federal por levar documentos secretos para casa são uma perseguição política e acusou o governo atual de abuso de poder. Especialistas no meio jurídico discordam fortemente dessas afirmaçõe
O ex-presidente americano Donald Trump é principal pré-candidato do Partido Republicano para disputar a eleição com Joe Biden. Esta semana, Trump foi acusado formalmente de sete crimes federais, e tem procurado reduzir as acusações a uma questão puramente política.
mesmo dia em que virou réu pela segunda vez, ao comparecer a uma Corte Federal de Miami, Donald Trump seguiu para o clube de golfe dele em Nova Jersey. Lá, ele falou para centenas de convidados. Trump disse que as acusações movidas pela Justiça Federal por levar documentos secretos para casa são uma perseguição política; acusou o governo atual de abuso de poder; e afirmou que, como presidente, tinha direito levar o que quisesse para casa.
Eno meio jurídico discordam fortemente dessas afirmações. Nas últimas semanas, eles têm analisado duas acusações formais contra o ex-presidente americano: uma sobre os papéis secretos e a outra, em Nova York, por fraudar registros financeiros durante a eleição presidencial de 2016. Tudo para encobrir o pagamento pelo silêncio da atriz pornô Stormy Daniels - com quem teria mantido um caso extraconjugal.
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Atriz pornô Stormy Daniels
O advogado criminal Dmitriy Shakhnevich considera as acusações de Nova York frágeis.
“É um caso baseado em fraude de registros. Está mais para uma contravenção. Inclusive, para tornar isso um crime, os promotores tiveram que combinar com financiamento ilegal de campanha”, diz Shakhnevich.
O mesmo não é dito sobre o caso da Justiça Federal, em Miami. Os promotores afirmam que o ex-presidente removeu documentos secretos do governo e os levou para casa; que Trump também deixou claro para outras pessoas que sabia que não deveria ter os documentos; e que tentou enganar os investigadores - o que rendeu acusação por obstrução de justiça.
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Fotos: Reprodução/vídeo Jornal Nacional
Gustavo Ribeiro, que é jurista e professor de Direito em Washington, diz que há precedentes fortes para uma condenação.
“Existe um caso bastante recente de um membro do Exército americano, com patente bastante superior, que foi condenado, salvo engano, a três anos de prisão por uma conduta possivelmente menos grave que a de Trump e ainda sem o agravante de obstrução de justiça. O grande problema de Trump aqui não é apenas a suposta posse ilegal de documentos de segurança nacional, mas, sim, a posterior tentativa de obstrução de justiça, ao tentar, manter, enganar e mentir para o governo americano", diz.
O jurista afirma que a acusação dos promotores é sólida.
“É uma acusação que não apenas anuncia os crimes que ele está sendo acusado, mas detalha de forma bastante particular a suposta conduta de Trump e seu ajudante”, diz Gustavo Ribeiro.
Outros dois casos similares reforçam a gravidade da ação de Trump. Em abril, um ex-integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos foi condenado a mais de sete anos de prisão por ter levado para casa relatórios secretos ao se aposentar. Em 2018, um funcionário da Agência de Segurança Nacional pegou cinco anos e meio pelo mesmo motivo.
Donald Trump ainda é investigado em outros dois casos: a tentativa direta de fraudar o resultado das eleições no estado da Geórgia e outro relacionado com o envolvimento dele na invasão do Congresso americano no dia 6 de janeiro de 2021.
Fonte: com informações do Jornal Naciomal
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