Cientista brasileira Zaika dos Santos.
Imaginar o futuro é uma habilidade essencialmente humana. A forma como cada cultura se relaciona com o tempo, no entanto, é diferente – podendo até mesmo existir perspectivas opostas dentro de diferentes culturas. Há cerca de 8 anos, a colunista Morena conheceu o termo Afrofuturismo e sua percepção sobre o que o futuro pode ser mudou completamente.
O Afrofuturismo é um movimento cultural, global e pan-africano, que integra um grande corpo de conhecimentos que Reynaldo Anderson, intelectual estadunidense e a cientista brasileira Zaika dos Santos chamam de Movimentos de Especulação Negra de Futuros.
Dentro destes movimentos especulativos existem múltiplas expressões, através da ciência, das artes, da filosofia, da espiritualidade e da tecnologia, sobre o que o futuro representa para pessoas africanas, do continente e da diáspora. É importante dizer que o futuro não é universal nem entre pessoas negras. Existem múltiplas abordagens dentro do mesmo grupo etnicorracial.
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Foto: Reprodução Google
A abordagem que escolhi adotar para o meu trabalho é o Afrofuturismo. E com ele aprendi muito sobre a necessidade de resgatar histórias sobre o passado, e se conscientizar sobre o contexto do presente, para formular narrativas sobre o futuro. Foi na prática da educação comunitária e informal que aprendi a importância de desenvolver coletivamente competências e habilidades que tornem nossas capacidades imaginativas abundantes, sobretudo em realidades de escassez de recursos, onde a principal temática em pauta é a sobrevivência.
Depois de ouvir um menino de oito anos de idade morador do Complexo do Alemão me dizer que queria “ter um emprego de carteira assinada pra ajudar a mãe”, quando perguntado sobre seus sonhos pro futuro, que entendi como o Afrofuturismo poderia colaborar como uma metodologia educacional, capaz de juntar aspectos fundamentais da cultura de matriz africana no Brasil, com o objetivo de desenvolver perspectivas de futuros que tenham como centro valores e experiências negras.
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O Afrofuturismo me ensinou a importância de estimular a imaginação de crianças negras para produzir imagens de futuros que potencializem suas trajetórias. Me ensinou também que todas as pessoas, independente do seu pertencimento etnicorracial, têm direito e necessitam aprender mais sobre os conhecimentos produzidos pela África e pelos seus filhos espalhados pelo mundo. Porque todas as coisas que não sabemos sobre o futuro estão guardadas em algum lugar do passado, protegidas pelos ancestrais.
Fonte: com informações da Revista IstoÉ
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