Apesar de divertida, a amizade colorida pode se transformar numa fonte de ciúmes e insegurança ao alimentarmos ilusões
Todo mundo já sentiu atração por aquele amigo (ou amiga) especial, mas não teve coragem de tomar uma atitude para não estragar a relação. Contudo, alguns são mais ousados, e decidem embarcar nesta aventura que é a amizade colorida — o famoso “amigos com benefícios”. Para quem não sabe, este é o termo criado para definir duas pessoas que, além de possuírem confiança, afinidade e respeito mútuo, também vivem uma intimidade física que pode envolver beijos e até mesmo sexo.
Contudo, há uma regra primordial: não há compromissos ou obrigatoriedade de fidelidade envolvidos, porque ambos são apenas amigos. Parece difícil, né? Mas segundo Claudia Petry, pedagoga com especialização em sexologia clínica, este formato de relação é possível e saudável.
Todavia, para que as coisas deem certo (e ninguém saia machucado), é necessário prestar atenção em alguns pontos importantíssimos.
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Entenda o objetivo da relação

Antes de mais nada, Claudia aponta que é essencial refletir sobre o que se busca ao “colorir” a amizade. “Entenda quais são os motivadores dessa relação. É importante ter essa identificação para que, lá no fundo, você não nutra uma esperança do sexo acabar se transformando num relacionamento amoroso. Amizade colorida não tem cobranças, e aceitar que sexo é diferente de amor faz parte deste processo”, explica.
Encare a amizade colorida com leveza

De acordo com a especialista, a amizade colorida é o terreno ideal para que possamos nos divertir, redescobrir nossos prazeres e nos permitir sentir um prazer sem as amarras de uma relação monogâmica. “A palavra ‘amizade’ traz muito esse sentido de diversão, de ambiente seguro, sem julgamentos, que nos permite crescer individualmente para melhorar os aspectos de nossa própria intimidade”, afirma Petry.
Portanto, caso deseje realmente colorir a relação com aquele(a) amigo(a) especial, aproveite a oportunidade para conhecer a sua sexualidade através da liberdade que esse tipo de relação proporciona.
Esteja atento aos seus sentimentos

A pedagoga alerta que, na amizade colorida, um dos pontos mais imprescindíveis é estar atento aos próprios sentimentos e pensamentos. “Essa experiência jamais deve vir acompanhada de sentimentos como ciúmes, falta de correspondência ou frustração. Mesmo que tenhamos feito certos acordos no início da relação, no fim das contas, somos todos humanos. Portanto, é possível vivenciar mudanças acerca do que sentimos e pensamos sobre a pessoa no meio do percurso”, pontua.
Então, para evitar dores de cabeça, Claudia indica que sejamos fiéis aos nossos sentimentos, trazendo sempre um diálogo honesto para a amizade. “Se estiver pensando muito na pessoa, tendo dificuldades em se desconectar, querendo ficar com ela o tempo inteiro, é melhor compartilhar. Jogar limpo é obrigatório”, aconselha.
Entenda que amizade colorida não é relacionamento aberto

Fotos: Reprodução
Claudia clarifica que, num relacionamento aberto, existe um conjunto de regras a serem seguidas: “Normalmente, neste formato de vínculo, uma norma constante é não criar vínculos com outras pessoas e sempre voltar um para o outro. Já numa amizade colorida, a regra é justamente o inverso. Há a liberdade de criar vínculos com quem quisermos, e não necessariamente precisaremos retomar a intimidade com o amigo colorido.”
Afaste-se se for necessário
Mesmo estando atento aos próprios sentimentos e mantendo um diálogo honesto com o amigo, as coisas podem sair do controle. É natural. Portanto, caso esteja experimentando sentimentos de angústia, e a relação esteja proporcionando mais angústia do que prazer, dê uma pausa na amizade. “Normalmente, esse afastamento é apenas por um tempo. Depois, as pessoas podem até retomar amizade, mas talvez não mais de forma colorida”, conclui Claudia Petry.
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