A rejeição a Flávio reflete declarações e posturas do pai antes e durante o mandato de presidente da República
Flávio perde de Lula entre as mulheres. Principal nome da oposição, o senador precisa ganhar espaço entre o eleitorado feminino, segundo as pesquisas de intenção de voto. Último levantamento do Datafolha, divulgado em 9 de março, mostra ampla vantagem do presidente Lula nesse público: o petista marca 50% entre as mulheres contra 37% de Flávio.
Senador carrega pecha de machista do pai. A rejeição a Flávio reflete declarações e posturas do pai antes e durante o mandato de presidente da República. Quando deputado, por exemplo, Jair Bolsonaro chegou a dizer que não estupraria a deputada petista Maria do Rosário (RS) porque porque a considerava feia, e que sua filha, Laura, é resultado de uma "fraquejada". Pré-campanha de Flávio vê relação com eleitorado feminino como ponto de atenção. No Mês da Mulher, equipe produziu material para atacar Lula e atrair perfis femininos das classes C e D até as progressistas independentes.
Em viagem, Flávio apareceu com camiseta com os dizeres "pai de menina". Ele usou a peça em Rondônia. Em discurso na avenida Paulista no início de março, citou as duas filhas e prometeu "abraçar e proteger" as mulheres. Na tentativa de se aproximar do público, fez uma publicação nas redes defendendo a castração química de estupradores, bandeira dos partidos de direita.
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Fernanda, mulher de Flávio, faz parte do esforço. A dentista começou a aparecer com mais frequência nos perfis do pré-candidato. Em um dos posts, publicado durante uma viagem ao Chile, Flávio elogiou a beleza da esposa. Michelle Bolsonaro, no entanto, não declarou apoio ao enteado até agora, mas recebe afagos. Principal rosto feminino da direita, ela não se engajou na campanha. Flávio minimiza o distanciamento. O apoio dela é do como certo, mas há dúvida sobre a intensidade de seu envolvimento na campanha.
O que diz o projeto de lei
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Proposta modifica a Lei do Racismo, de 1989. A alteração se dá na inclusão da misoginia (conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres) na lista de crimes que têm como origem a discriminação ou preconceito, cuja pena varia de dois a cinco anos, além de multa. Hoje, a legislação equipara a misoginia à injúria e à difamação, com punição menor: de dois meses a um ano.
Interpretação caberá ao juiz, assim como nos casos de racismo. De acordo com o substitutivo aprovado no Senado, "o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher".
Apoiadores falam em avanço contra violência
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Fotos: Divulgação
França, Argentina e Reino Unido têm leis de combate à misoginia. Relatora do projeto no Senado, Soraya Thronicke (Podemos-MS) destacou que o Brasil precisa avançar, assim como outros países, em legislações que atuem contra a ameaça representada pelos chamados "red pills", grupos que incentivam o ódio contra as mulheres na internet. "A reação à aprovação do PL da Misoginia diz muito sobre nosso país. Ainda há quem tente dizer às mulheres o que é (ou não) o ódio e a violência que vivemos todos os dias. Misoginia não é opinião. É crime! E não será normalizada." Soraya Thronicke, senadora
"Nomear a violência ajuda a combatê-la", diz especialista. Para a gerente de incidência política do Pacto pela Democracia, Natália Neris, o termo misoginia não faz parte do linguajar comum. "Nomear essa violência é importante para que possamos combatê-la, mas isso apenas não basta. Temos de debater se esse projeto ajuda a solucionar o problema e impedir que ele se torne mais uma guerra de narrativas entre direita e esquerda."
Fonte: com informações Uol
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