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Geral - 06/08/2025

ANISTIA: o que é, como funciona e um exemplo marcante na história brasileira

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Foto: Ennco Beanns/Arquivo Público do Estado de São Paulo

Medida legal pode perdoar crimes ou infrações, mas também gera debates jurídicos e políticos.

Por Nicolas Fragata - A anistia é um instituto jurídico que consiste no perdão concedido pelo Estado a pessoas que cometeram determinados atos ilícitos, sejam eles crimes, infrações administrativas, políticas ou militares. Ao ser concedida, a anistia extingue a punibilidade, ou seja, a possibilidade de o Estado aplicar uma pena ao infrator, como se o ato jamais tivesse ocorrido do ponto de vista penal.

 

Diferente do indulto (que perdoa a pena, mas não o crime), a anistia apaga a própria infração, sendo um perdão mais amplo. No Brasil, esse instituto está previsto no artigo 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, que admite a concessão de anistia, exceto para crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo.

 

Um exemplo emblemático de anistia ocorreu com a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/1979), sancionada durante o regime militar. Essa norma perdoou os crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, abrangendo tanto opositores do regime que foram perseguidos quanto agentes do Estado envolvidos em repressão e tortura. A lei gerou — e ainda gera — polêmica por seu caráter bilateral, já que garantiu impunidade a autores de graves violações dos direitos humanos.


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João Figueiredo assina, em 28 de agosto de 1979, a Lei da Anistia (Foto: Orlando Brito)

 

A anistia, em tese, deve promover reconciliação e pacificação nacional, mas pode ser alvo de críticas quando é usada para encobrir abusos de poder. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Lei da Anistia de 1979 é constitucional, mas a decisão é contestada por organizações internacionais e ativistas que pedem a responsabilização de agentes do Estado.

 

No plano internacional, tratados como a Convenção Americana de Direitos Humanos e decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos têm afirmado que crimes contra a humanidade não podem ser anistiados, defendendo que a justiça não deve ser substituída por perdão quando há graves violações de direitos humanos.


Manifestantes pressionam Congresso (Foto: Arquivo Público do Estado de São Paulo)

 

 

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A discussão sobre anistia volta e meia retorna ao debate público, como em casos recentes envolvendo anistias tributárias (perdão de dívidas fiscais) ou tentativas de anistiar atos políticos controversos, o que exige vigilância da sociedade e atenção dos juristas quanto aos limites democráticos dessa ferramenta legal.

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