17 de Maio de 2026

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Ciência e Tecnologia - 16/01/2024

Antropoceno lunar: satélite entra em nova era geológica devido a mudanças causadas pelo homem, dizem cientistas

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Foto: Reprodução/Google

A NASA afirma que a Luna 2 criou uma cratera ao pousar no satélite entre as regiões lunares de Mare Imbrium e Mare Serenitatis, momento que teria marcado o início dos esforços de exploração do satélite.

A Lua entrou em uma nova era geológica. É o que defendem alguns cientistas em um artigo publicado na revista Nature Geoscience, em dezembro. A pesquisa sugere que o astro tem sofrido mudanças provocadas pelo homem há quase 65 anos, quando a espaçonave não tripulada da antiga URSS, a Luna 2, aterrissou pela primeira vez em sua superfície. Iniciava-se ali o chamado “Antropoceno Lunar”.

 

A NASA afirma que a Luna 2 criou uma cratera ao pousar no satélite entre as regiões lunares de Mare Imbrium e Mare Serenitatis, momento que teria marcado o início dos esforços de exploração do satélite.

 

Para o principal autor do artigo, Justin Holcomb, em comunicado citado pela CNN, a ideia do processo “é praticamente a mesma da discussão do Antropoceno na Terra  a exploração de quanto os humanos impactaram nosso planeta”.“O consenso é que na Terra o Antropoceno começou em algum momento no passado, seja há centenas de milhares de anos ou na década de 1950”, explica o pesquisador de pós-doutorado do Kansas Geological Survey da Universidade do Kansas.

 

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“Da mesma forma, na Lua, argumentamos que o Antropoceno Lunar já começou, mas queremos evitar danos massivos ou um atraso no seu reconhecimento até que seja possível medir um halo lunar significativo causado por atividades humanas, o que seria tarde demais.”A ideia dessa nova fase da história lunar chega no momento em que se intensificam as explorações, além do interesse renovado pelo satélite após décadas. E a expectativa é de que mais mudanças ocorram com o aumento da exploração (independente da modalidade).

 

Enquanto na Terra — palco de exploração em massa e de significativos impactos na fauna e flora  são inúmeras as tentativas, legislações e iniciativas para preservar os locais mais sensíveis, na Lua, o rastro do homem está por toda a parte.O satélite, por exemplo, não tem atmosfera própria como a Terra. Por isso, é natural que sofra com micrometeoritos, no que os pesquisadores chamam de “regolito”, isto é, “processos que envolvem a movimentação de sedimentos”, como o impacto de meteoroides.

 

“No entanto, quando consideramos o impacto dos veículos, dos sondas e do movimento humano, eles perturbam significativamente o regolito”, explica Holcomb, destacando que pelo menos 58 lugares na superfície do satélite sofreram “perturbações” causadas por atividades humanas.

 

 

 

Os exitosos e fracassados pousos em sua superfície (que são bastantes complicados, diga-se de passagem) já causaram diversas crateras, ao mesmo tempo que diversos objetos foram deixados no local durante as missões, como bandeiras, fotografias e até centenas de sacos de fezes e urinas deixados durante os pousos da missão Apollo.

 

Segundo a CNN, 12 astronautas da agência americana caminharam pela Lua entre os anos de 1969 — quando o homem pisou pela primeira vez no satélite — e 1972. A expectativa é de que o retorno de astronautas ao satélite ocorra em setembro de 2026, no âmbito da missão Artemis III.Por isso, os pesquisadores sublinham que marcar uma nova fase na Lua é salientar que as mudanças causadas nos satélite não são naturais e não ocorreriam sem a mão humana.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

“As missões futuras devem considerar a mitigação dos efeitos deletérios nos ambientes lunares”, afirma o pesquisador, citado pela emissora americana.Ao mesmo tempo, é necessário preservar algumas mudanças — pequenos pedaços de História para um futuro próximo. Os pesquisadores destacam a importância de resguardar locais de pouso, como da missão Apollo e as pegadas deixadas, além de catalogar os itens deixados, considerando-os parte de uma “herança espacial”. O trabalho, contudo, é complexo, já que a Lua não pertence a nenhum Estado ou não está sob nenhuma jurisdição.

 

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“Um tema recorrente no nosso trabalho é a importância do material lunar e das pegadas na Lua como recursos valiosos, semelhante a um registo arqueológico que estamos empenhados em preservar”, destaca Holcom, acrescentando que a ideia de marcar o Antropoceno Lunar é também trazer mais consciência e a importância do satélite.“Essas marcas estão entrelaçadas com a narrativa abrangente da evolução. É dentro desta estrutura que procuramos captar o interesse não apenas de cientistas planetários, mas também de arqueólogos e antropólogos que normalmente não se envolvem em discussões sobre ciência planetária”, conclui.

 

Fonte: com informações do Portal O Globo 

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