05 de Maio de 2026

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Educação - 05/05/2026

Ao fim da pré-escola, crianças mais pobres apresentam menor rendimento que as mais ricas

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Foto: Reprodução/Google

Estudo internacional identificou que desigualdade socioeconômica afeta estudantes antes mesmo do início da alfabetização

Ao terminar a pré-escola, crianças mais pobres já apresentam rendimento significativamente inferior ao das mais ricas, aponta uma pesquisa feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em três estados brasileiros. Assim, antes mesmo do início do processo de alfabetização, a desigualdade socioeconômica brasileira já prejudica parcela significativa das crianças mais pobres. Essas dificuldades ainda nos primeiros anos de vida tendem a ser ampliadas ao longo da trajetória escolar.

 

A conclusão é do IELS (Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância, na tradução do inglês), feito com a participação de 25 mil crianças de cinco anos de idade de nove países. No Brasil, foram coletadas informações de 2.598 crianças em 210 escolas (a maioria ligada à rede pública) em São Paulo, Ceará e Pará no ano de 2025.Essa foi a primeira vez que alunos brasileiros da educação infantil foram avaliados. As habilidades são testadas por meio de atividades interativas individuais, em formato lúdico (com jogos e histórias), aplicadas em tablets. No Brasil, o estudo foi aplicado por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, voltada para a primeira infância.

 

Segundo o estudo, as crianças brasileiras alcançaram uma pontuação média de 502 pontos na avaliação de literacia (que, segundo o estudo, engloba compreensão oral, vocabulário e consciência fonológica, habilidades que antecedem a alfabetização). O resultado é similar ao da média internacional, de 500 pontos.

 

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Os dados, no entanto, mostram diferenças significativas em relação ao nível socioeconômico de suas famílias. As crianças mais pobres tiveram uma pontuação média de 487 pontos, enquanto as mais ricas alcançaram 521 pontos.A mesma desigualdade é verificada na avaliação de numeracia, que envolve as primeiras noções de matemática desenvolvidas pelas crianças, como a habilidade de contar, comparar quantidades e até mesmo resolver pequenos problemas cotidianos. Na média, as crianças brasileiras registraram 456 pontos —número significativamente abaixo da média internacional, de 500 pontos.

 

Nessa avaliação, a desigualdade brasileira é ainda mais intensa. As crianças mais pobres tiveram uma média de 429 pontos, e as mais ricas, de 484 pontos.  Os responsáveis pelo estudo indicam que outras pesquisas e evidências já apontaram como as desigualdades socioeconômicas impactam no aprendizado, sobretudo no desenvolvimento de habilidades matemáticas.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

"Para gestores públicos, esse achado é central: políticas voltadas à equidade precisam atuar, de forma robusta e prioritária, antes do ensino fundamental, a partir de ações intersetoriais e interseccionais. A redução das desigualdades na primeira infância é estratégica para alterar as trajetórias, ou seja, diminuir a associação entre o perfil socioeconômico das famílias e os resultados educacionais das crianças", diz o relatório.

 
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Outros dados do teste mostram como essas desigualdades se manifestam. Por exemplo, 80% das crianças mais ricas chegam aos cinco anos de idade sabendo identificar os numerais ou uma sequência numérica. Enquanto entre as mais pobres, apenas 68% desenvolveram essa habilidade. Mostram também que 42% das crianças mais ricas conseguem entender o conceito de subtração ou adição com até dez objetos. Enquanto entre as mais pobres, só 26% alcançaram essa habilidade.

 

Fonte: com informações Folha de São Paulo

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