16 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Segurança Pública - 28/03/2026

Base Arpão em Jutaí é aposta para sufocar crime organizado nas rotas fluviais do Amazonasb

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Estrutura deve reforçar fiscalização em área estratégica do tráfico, onde drogas, garimpo ilegal e biopirataria se interligam

Nos rios que cortam os municípios do interior do Amazonas e ligam essas cidades à capital, Manaus, o silêncio da floresta esconde uma rotina tensa. Embarcações vão e vêm, levando moradores, alimentos e mercadorias. Mas, há anos, o que tira o sossego de muitos ribeirinhos é o medo de dividir o mesmo caminho com uma rede de crimes que se cruza no meio do rio e desafia até a presença do Estado. Drogas, ouro ilegal, biopirataria e madeira retirada de forma irregular passam por ali, misturadas à vida ribeirinha.

 

A chegada da Base Fluvial Arpão 1 a Jutaí (município a 751 quilômetros de Manaus), prevista para próximo mês, é uma esperança de mudança na rotina de quem vive às margens desses rios. A estrutura foi apresentada à imprensa na última quinta-feira, 26, durante o lançamento do projeto.

 

Em entrevista exclusiva ao jornal A CRÍTICA, o secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel Marcus Vinícius Almeida, e o chefe do Estado-Maior Geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Bruno Azevedo, falaram sobre como esses crimes se conectam e como as forças de segurança estão tentando conter esse avanço.

 

Veja também 

 

SSP-AM e UEA promovem II Simpósio de Segurança Pública na Amazônia com foco na produção científica aplicada

Governo do Amazonas posiciona Base Arpão 1 em Jutaí para fortalecer combate ao narcotráfico

Crimes interligados

 

 


Segundo Azevedo, nada acontece de forma isolada na região. Um crime puxa o outro, e todos crescem, principalmente, onde o acesso é mais difícil. Ele destacou que as rotas do tráfico que passam pelo Amazonas, por exemplo, começam fora do país e só funcionam porque encontram apoio local. “Os dados de inteligência apontam que nós temos traficantes que vêm tanto do Peru quanto da Colômbia para trazer a droga para Manaus e, de lá, fazer a distribuição. E, infelizmente, muitas vezes, essas pessoas recrutadas são da própria comunidade ribeirinha, seduzidas pelo tráfico para atuar como ‘mulas’”, explicou Azevedo.

 

Denunciar ajudaria a enfraquecer esse ciclo, mas nem sempre é simples. Em comunidades pequenas, onde todo mundo se conhece, o medo fala mais alto. Há receio de represálias e de ficar marcado dentro da própria comunidade. Mas, segundo Azevedo, essa situação tende a melhorar com a presença das forças de segurança e com a instalação de bases policiais em pontos estratégicos. “Segurança pública também é sentimento. A pessoa precisa se sentir segura para confiar. Com a polícia presente, equipada e treinada, a tendência é aumentar apreensões e prisões, além de fortalecer a confiança da população”, afirmou Azevedo.

 

 

A Base Arpão 1, que chegará a Jutaí, deve intensificar abordagens e fiscalizações nas embarcações que cruzam a região, situada em uma das principais rotas do tráfico que sai de Tabatinga e segue até Manaus. A estrutura flutuante reúne efetivos da PMAM, Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Corpo de Bombeiros e Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), numa tentativa de frear o vai e vem que, há anos, também carrega ilegalidade escondida no meio da rotina ribeirinha e do transporte de passageiros e mercadorias.

 

Indício de participação de moradores e até agentes públicos

 

Fotos: Reprodução

 


Coronel Vinícius Almeida também confirmou que, no interior, crimes como tráfico de drogas, biopirataria, garimpo ilegal e até pedofilia acabam se misturando. Mas, segundo ele, há ainda outro desafio, que é a resistência de alguns prefeitos à instalação de bases como a de Jutaí. Ele também afirmou que há indícios de participação de moradores e até de agentes públicos nesse sistema, embora as investigações ainda estejam em andamento.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

“Claro que vai ter envolvimento de munícipes, vai ter envolvimento de políticos. Mas o que nós temos são relatórios de inteligência que apontam caminhos. Isso precisa ser comprovado dentro de investigações. Não posso afirmar nomes sem provas, mas existem indícios, sim, envolvendo figuras públicas”, declarou o secretário.  

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.