Eleitores da Inglaterra, França, Itália e Portugal têm tempo de espera de mais de uma hora; nos EUA, votam sob chuva
Eleitores brasileiros residentes na Europa enfrentaram longas filas para votar neste domingo (2). Lisboa, Londres, Paris, Milão e Berlim registraram tempo de espera de mais de uma hora. Nos Estados Unidos, votaram sob chuva e frio.
Cidade com maior número de eleitores brasileiros no exterior, a capital portuguesa ainda registrou tumulto entre grupos que apoiam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Nas capitais francesa, inglesa e alemã, o tempo de espera chegou a ser de três horas.
Em Portugal, devido ao grande fluxo de eleitores, o horário de votação foi prorrogado. As urnas, que se encerrariam às 17h, agora estarão abertas até às 20h (16h de Brasília).
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De acordo com o cônsul do Brasil na cidade, a estimativa era de que pelo menos 3.000 pessoas ainda estivessem na fila a menos de meia hora do horário inicialmente planejado para o encerramento da votação.
"O tribunal [TSE] autorizou excepcionalmente, assim como fez em outros países, a prorrogação do prazo. Com isso, vamos trabalhar até às 20h", explicou o cônsul Wladimir Valler Filho.
Embora as aglomerações de eleitores estivessem proibidas, dezenas de pessoas se concentraram em frente ao local único de votação na capital portuguesa, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, durante a votação.
Majoritariamente vestidos de vermelho, grupos pró-Lula cantam o jingle da campanha e as palavras "tchuchuca do Centrão". De verde e amarelo, eleitores de Bolsonaro gritam "mito" e "Lula ladrão, seu lugar é na prisão".
Eleitores na capital portuguesa enfrentaram filas que superavam 1h30. Houve problemas com 3 das 58 urnas eletrônicas.

Segundo o presidente do TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), servidores da embaixada brasileira em Portugal que trabalhariam como mesários em Lisboa entraram em greve, o que fez as eleições começarem mais tarde em alguns locais.
Além disso, um eleitor que se identificou como eleitor do presidente Jair Bolsonaro (PL) driblou a fiscalização e votou duas vezes, o que levou à impugnação de uma urna eletrônica e à invalidação de 59 votos que haviam sido computados.
Por conta de um problema técnico, a votação de uma das seções estava acontecendo com cédulas de papel. Após entrar na fila e votar com uma cédula física, o homem correu para a urna eletrônica da seção vizinha e votou uma segunda vez.
A fraude foi imediatamente identificada e a eleição na sala acabou paralisada. A urna eletrônica foi impugnada e todos os votos nela contidos acabaram invalidados. Após cerca de uma hora, a votação recomeçou, mas com cédulas de papel. Eleitores que tiveram os votos invalidados puderam votar de novo.
Há 45.273 brasileiros aptos a votar em Lisboa, um aumento de mais de 113% em relação a 2018.

"O tribunal [TSE] autorizou excepcionalmente, assim como fez em outros países, a prorrogação do prazo. Com isso, vamos trabalhar até às 20h", explicou o cônsul do Brasil em Lisboa, Wladimir Valler Filho.
Ao que tudo indica, a abstenção na capital portuguesa ficará bem abaixo dos mais de 60% registrados nas últimas eleições presidenciais.
"A impressão é de que a abstenção será baixa", afirmou o cônsul, destacando que o fluxo de eleitores foi constante durante todo o dia.
Segundo o diplomata, a equipe de organização trabalhou para garantir o direito de prioridade para os casos previstos em lei, como idosos, gestantes e pessoas com preferência.
Em Londres, eleitores brasileiros enfrentaram até três horas de fila na porta do colégio West London. Tradicionalmente, a votação era realizada no prédio do consulado brasileiro, mas o local de votação foi transferido. As seções foram abertas às 8h (4h no horário de Brasília) e funcionarão até as 17h (13h em Brasília).

Morando há 12 anos em Londres, a jornalista Veridiana Ribeiro, 41, disse ter se surpreendido com a quantidade de brasileiros que deixaram suas casas para votar no primeiro turno. Apesar do grande volume de eleitores brasileiros para votar, ela conta que o processo neste ano foi mais rápido do que nas eleições anteriores.
Na França, os eleitores enfrentam filas de até três horas e o clima instável para votar em Paris. Não há, porém, registros de violência política ou tumulto no andamento da espera, mas muitos saem da espera devido à chuva e à longa espera.
Márcia Consolim, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e residente da França desde janeiro, afirma haver vários apoiadores de Lula aguardando para votar e que coros são entoados em favor do petista.
Ela também vê eleitores de Bolsonaro vestindo camisetas da seleção brasileira, com bandeiras nacionais e declarando apoio ao atual presidente, sem confusões ou confrontos entre lulistas e bolsonaristas.
Neste ano, há somente uma zona eleitoral para os brasileiros residentes em todas as regiões do país. Com as filas, carros não conseguem se locomover pelas ruas do bairro onde a votação ocorre, e a polícia francesa colabora para organizar o bairro no dia do pleito. Também não há servidores da Justiça Eleitoral orientando a fila.

Quando o horário de votação se encerrou em Paris, às 17h (12h em Brasília), cerca de 2.000 senhas foram distribuídas pelo consulado brasileiro para dar conta das pessoas que ainda seguiam na fila. Espera-se que a votação ali siga até as 19h (14h em Brasília) e só então os votos deverão ser contabilizados.
"Percebemos um aumento muito grande de pessoas, talvez porque agora os eleitores possam fazer os trâmites pela internet e vir do interior apenas para votar. Acredito que será a menor abstenção na história da França", disse a cineasta Liliane Mutti, que votou em Lula.
Nos últimos quatro anos, o número de eleitores registrados dobrou no país. Hoje são quase 23 mil. "Paris vermelhou completamente hoje", comentou. "Minha expectativa é que o Lula receba aqui seis vezes mais votos do que o Bolsonaro."
No primeiro turno de 2018, Paris votou mais em Ciro Gomes (31%) e em Fernando Haddad (25,8%) do que em Jair Bolsonaro (25,2%). No segundo turno, deu 70% dos votos válidos a Haddad.
Os eleitores brasileiros em Milão, único local de votação no norte da Itália, enfrentaram até três horas de fila para acessar o interior da zona eleitoral, onde ficam as urnas.
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O consulado-geral de Milão alugou o espaço de uma universidade para receber os 20 mil eleitores inscritos. O número é cerca de 6.000 a mais que em 2018. Há quatro anos, uma outra seção atendia os brasileiros no norte italiano, em Veneza, mas para esta eleição o local foi fechado pelo TSE.
Do lado de fora, o clima até a hora do almoço (horário local) era tranquilo, apesar da fila. Alguns grupos de verde e amarelo cantavam em voz alta, às vezes com provocações aos eleitores vestidos de vermelho, que respondiam, ambos em tom de bom humor.
O colégio fechou os portões as 17h. Pouco antes das 18h (13h no horário de Brasília), ainda havia eleitores votando, no entanto. A demora se deveu ao fato de seis urnas eletrônicas terem sido substituídas pela votação em papel.
Em Roma, onde estão registrados 12 mil eleitores, do centro-sul do país, não houve registros de grandes filas nem a necessidade de substituição de urnas. Segundo o cônsul-geral Luiz Cesar Gasser, foi um dia tranquilo. "Tudo dentro da paz, sem nenhum episódio de violência", disse à Folha.
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A barista Rita Damaceno, 40, viajou de Bolonha, na região da Emilia-Romagna, para votar. Foram duas horas de trem. "Sempre votei no Brasil e acho que cada voto pode fazer a diferença", disse, após uma hora e 20 minutos de fila, por volta das 10h (5h no horário de Brasília).
A estudante Maísa Nascimento, moradora de Veneza, no Vêneto, viajou de trem para Milão, ao custo de 35 euros (ida e volta), para votar. "O momento pede esse esforço." No trem, disse ter presenciado provocações entre eleitores. Mas sem brigas, segundo ela.
Policiais da prefeitura de Milão, do lado de fora, afirmaram não ter registrado incidentes até a hora do almoço. O policiamento inicia já na estação de metrô vizinha ao local de votação. São três viaturas e seis policiais. "Parece mais uma festa", disse um deles à Folha.
Em Berlim, houve filas de até três horas em frente à Embaixada do Brasil no início da tarde deste domingo (2). Ali votaram parte dos cerca de 36 mil eleitores brasileiros registrados que vivem na Alemanha. Os outros três locais de votação no país são Munique, Frankfurt e Hamburgo.
Solange Lingnau, gerente cultural que vive em Berlim, conta que teve sorte. Sua fila demorou apenas 15 minutos, mas seu amigo, em seção eleitoral diferente, aguardou 2 horas e 45 minutos para chegar a sua vez. São 25 seções em Berlim, todas no mesmo prédio.
Segundo Lingnau, havia mais gente ("uns 80%") com roupas que indicavam votação em Lula do que em Jair Bolsonaro. Em 2018, Haddad venceu Bolsonaro por 70% a 30% no segundo turno em Berlim.
Nos Estados Unidos, a chegada do outono não desanimou os brasileiros que fizeram filas sob chuva e frio em alguns dos maiores colégios eleitorais no exterior para votar para presidente. Ao todo, 183 mil brasileiros estão registrados nos EUA, mas a abstenção costuma ser alta porque muitos eleitores precisam viajar para votar, já que não há urnas em todas as cidades.
Foi o caso da estudante Stella Polachini, 18, que vive em Amherst (Massachusetts), e seu local de votação é em Framingham, cidade com alta concentração de brasileiros a 2 horas de distância, na região metropolitana de Boston.
"Resolvi viajar porque é importante votar para presidente, estou contribuindo para o país. Queria poder votar para senador e governador também", afirma ela, que ficou cerca de 40 minutos na fila sob 12 °C. O clima foi tranquilo, relata, apesar de eventuais bate-bocas.
Boston é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no país, com 37 mil eleitores registrados, e o terceiro maior do mundo no exterior. Fica atrás de Miami, com 40 mil eleitores registrados.
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Na capital americana, Washington, com 14 mil eleitores registrados, a fila demorava cerca de 30 minutos sob chuva fina e 14 °C no fim da manhã para acessar o hotel onde foram dispostas as urnas eletrônicas.
Já em Nova York, que concentra eleitores dos estados de Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia, os eleitores demoravam quase uma hora para conseguir votar.
A votação no exterior segue o horário local, das 8h às 17h. Por isso, as urnas de São Francisco (11,7 mil eleitores) e Los Angeles (11,2 mil) devem ser as últimas do mundo a serem computadas: quando forem 17h no horário local, serão 21h em Brasília.
Em Buenos Aires, formou-se uma fila de dobrar quarteirão, sob o sol, diante da embaixada brasileira na Argentina.
A fila se organizou de modo ordenado, sem que as pessoas se manifestassem abertamente em quem votariam ---à exceção de um ou outro que pedia voto em seu candidato ou apareceu com as cores de uma ou outra campanha.

Fotos: Reprodução
Buenos Aires é a capital latino-americana com mais eleitores brasileiros registrados na América Latina e tem visto esse número crescer devido também ao aumento na chegada de estudantes de medicina e de direito.
Embora o Paraguai seja o país com o maior número de brasileiros radicados (240 mil), a Argentina (que tem 89.020) é o que mais possui eleitores brasileiros aptos e inscritos a votar, 11.570. Depois, seguem-se Cidade do México, Santiago e Montevidéu. O próprio Paraguai tem um índice baixo de aptos a votar, apenas 2.258.
O aumento de eleitores brasileiros na Argentina foi de mais de 86,7%, passando de 6.198 a 11.570.
Apesar da grande quantidade de gente, a votação corria com normalidade, até o meio-dia local.
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Fonte: Com informações da Folha de S. Paulo
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