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Geral - 21/04/2022

Brasília 62 anos: visões da capital do Brasil para além do noticiário político

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Foto: Reprodução

Brasília 62 anos: visões da capital do Brasil para além do noticiário político

Sexagenária, monumental, viva. A capital federal do Brasil completa 62 anos, nesta quarta-feira, 21, com a imagem ainda predominantemente associada – para grande parte dos brasileiros – ao palco das grandes decisões políticas, dos prédios administrativos, do planejamento urbanístico de Lúcio Costa e da arquitetura de Oscar Niemeyer. A CENARIUM resolveu homenagear Brasília mostrando seu lado de cidade viva, cultural, acolhedora, por meio de três personagens, moradores recentes, que representam famílias e pessoas que chegam de todos os cantos do País e do mundo.

 

Há três anos, a amazonense Vanuce Aguiar Gonçalves, 41, trocou o bairro onde viveu por toda a vida em Manaus, o Vieiralves, para morar no entorno da capital do Brasil, na região administrativa de Águas Claras, parte da área metropolitana de Brasília, a Oeste do Plano Piloto, onde mora com os filhos André, 7, e Júlia, 4.

 

“Acho excelente morar aqui, em Brasília, me adaptei instantaneamente. Existe muita praticidade, a escola dos meus filhos é a cinco minutos da minha casa. Eu resolvo 99% das coisas que eu preciso aqui dentro”, conta a coordenadora de projetos da área estratégica da Caixa.

 

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Passada a fase mais restritiva da pandemia da Covid-19, é para o Plano Piloto que a família costuma se deslocar para aproveitar momentos de lazer ao ar livre, aproveitando a imensa estrutura de espaços, atividades e muitas surpresas culturais pelo caminho.

 

“As crianças adoram fazer piquenique, dar pão para os patos, elas correm à vontade. Vamos muito ao Parque da Cidade para andar de bicicleta e patinete. Em Brasília, tem muito disso: a gente vai fazer um passeio e encontra um palco com um balé na Praça dos Três Poderes, uma decoração especial na Torre de TV, uma roda de capoeira mais adiante, tudo gratuito, de qualidade e como tudo aqui tem muito espaço, você não precisa estar aglomerado”, explica.

 

Vanuce também conta que se aproveita da centralidade geográfica da capital para viajar de carro. Já foi para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e três vezes para Pirenópolis-GO e Minas Gerais.

 

 

“Me dá prazer pegar a estrada e hoje estou especialmente feliz porque comprei ingresso pra ir pro show do Guns n’ Roses, em Goiânia, minha banda preferida. Então vou pegar o carro, vou rodar 200Km e vou pro show. Sempre gostei muito disso”.

 

Sobre a maior saudade que acomete os amazonenses moradores de fora do Estado, Vanuce revela que a visita de amigos e familiares de Manaus resolve, embora existam locais em Brasília com culinária paraense e amazonense. “Sempre que eles vêm eu peço para trazer farinha, tucumã. Gosto muito dessas coisas. É o que mais sinto falta”.

 

Morador por acidente

 

 

A presença de embaixadas e pessoas de todos os Estados brasileiros fazem de Brasília um caldeirão cultural. É um lugar de passagem com seu fluxo de chegadas e partidas, com permanências programadas ou não.

 

Retido por uma coincidência inicialmente nada agradável, o senegalês Ousmane Mbaye, 39, estava no Brasil há seis anos morando no Rio de Janeiro. Ele sempre viajava a Brasília para participar das várias feiras e exposições de produtos internacionais realizadas na cidade ao longo do ano. Ele é artesão, vende suas criações de bolsas e mochilas, além de comercializar produtos africanos variados.

 

“Cheguei em Brasília em fevereiro de 2020, sete dias depois começou o lockdown (da Covid-19) e não consegui participar de nenhum evento. Estava com bastante mercadorias, tinha bastante clientes aqui e tomei a decisão de ficar vivendo aqui. Foi assim que até hoje estou morando e tocando o meu trabalho”, revela.

 

Passados dois anos como morador, Ousmane ressalta que se sentiu acolhido e admirado pela diversidade presente na capital.

 

“A cada dia me apaixono mais por viver em Brasília. É uma capital acolhedora demais. Minha admiração daqui é por ser democrática, por encontrar várias nacionalidades diferentes. Como sou uma pessoa que tenho paixão por conhecer pessoas e culturas diferentes é ótimo”, comenta.

 

Autointitulado “fabricante das artes”, Ousmane considera que encontrou um porto seguro na cidade para entender o jeito brasileiro de viver, para a sua atividade de vendas fluir e para aprimorar seu trabalho sob a marca que leva o nome de sua mãe, Dior Thiam (@diorthiambrasilia).

 

“Antes de morar, eu já via que meus maiores compradores eram os moradores daqui. Agora, além de tecido africano, eu estou usando a palha do buriti para misturar as nossas culturas e criar uma identidade afro-brasileira”.

 

“De que Brasília você está falando?”

 

 

Tanta gente diferente junta só pode resultar em uma cena de festas e de uma noite igualmente efervescente. Mesmo no Plano Piloto, os eventos são muitos, plurais onde toda uma cena underground acontece de forma fluida, na opinião do produtor cênico Thiago Miranda de Oliveira, 34, o DJ Umiranda (@umiranda).

 

“Se você quer um evento no final de semana de música eletrônica, funk, hip-hop você vai ter. Eu vejo que Brasília é uma cidade que valoriza muito a musicalidade e os artistas locais. Eu sinto muito isso. Para além da valorização da música brasileira, tem muita valorização de artistas que estão aqui e fazem a cena acontecer”, define.

 

Fotos: Reprodução

 

Cria do bairro periférico do Jóquei Clube, de Juiz de Fora-MG, que compara no Distrito Federal com a região administrativa de Ceilândia, mas sem as montanhas, Umiranda já sabe que a diversidade e as surpresas se multiplicam além da vida “planopilotista”.

 

‘É bom evidenciar que a minha vivência é mais a do Plano Piloto, porque Brasília é gigante e a cena periférica acontece de uma forma muito incrível, independente, riquíssima, inclusive muito autoral”, explica.

 

Com agenda de apresentações sempre cheia, Umiranda tocou nessa quinta-feira, 20, no início das comemorações do Aniversário de Brasília no palco montado na Torre de TV, na programação que se entende até essa quinta-feira, 21.

 

“A discotecagem para mim, é troca, um diálogo com quem está disposto a me ouvir a partir das coisas que me fazem sentido musicalmente, que conversam com a minha história, origem e ancestralidade. Então eu toco músicas pretas seja hip-hop, afrobeat ou brasilidades, e aí eu procuro dialogar entre esses sons”.

 

Há três anos em Brasília, ele conta que chegou para administrar a escola de dança de uma amiga, que tirou licença maternidade. De cara, a sociabilidade mineira logo esbarrou com uma característica muito comentada sobre Brasília.

 

“Brasília é uma cidade massa. É uma cidade de pessoas frias em relação a Minas Gerais, porque a gente é muito caloroso, já chama para casa. Aqui as pessoas são muito na delas, mas aos poucos você começa a entender, começa a fazer a sua esfera de conhecidos. O início foi um pouco assustador, mas acho que é um pouco o que diz a cidade: ela é toda estruturada, não tem rupturas, acho que as pessoas são a cidade neste sentido”, explica.

 

Planejada, diversa, cautelosa, mas acolhedora, a capital brasileira chega aos seus 62 anos recebendo o trânsito de pessoas do mundo todo, se constituindo como um lugar de passagem com ar de porto seguro.

 
 
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Programação da Virada Cultura da Torre de TV desta quinta-feira, 21:

8h – Palco 360 recebe aulão fitness com a Academia Unique
15h – Palco 360 recebe Cia Teatral Néia & Nando apresentando Moana
17h – Atração a confirmar
19h – Palco 360 recebe DJs
20h – Palco 360 recebe Lenine
21h30 – Palco 360 recebe a Festa Criolina 

 

Fonte: Portal Cenarium

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