18 de Maio de 2026

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Geral - 13/02/2024

Como o álcool ocidental continua a fluir para a Rússia

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Foto: Reprodução/Google

De acordo com a agência de notícias russa RIA Novosti, a Letônia foi responsável por quase três quartos desse valor, ou seja, 177 milhões de euros

"Bebidas Em meio à guerra na Ucrânia, produtores de uísque e vinho da Europa Ocidental usam países do Báltico como rota alternativa para continuar vendendo seus produtos para a elite russa e obter bons lucros.A Letônia se tornou o principal país fornecedor de uísque da Rússia no ano passado. Nos primeiros nove meses de 2023, a Rússia importou carregamentos de uísque que somaram quase 244 milhões de euros.

 

De acordo com a agência de notícias russa RIA Novosti, a Letônia foi responsável por quase três quartos desse valor, ou seja, 177 milhões de euros. Em segundo lugar – mas bem atrás – está outro país báltico: a Lituânia vendeu à Rússia cargas de uísque que somaram pouco menos de 27 milhões de euros.

 

Entretanto, não se trata apenas de aguardente envelhecido em barris, mas também de vinho. Com entregas no valor de 73 milhões de euros, a Lituânia substituiu a Itália como principal fornecedor, exportando vinho no valor de quase 68 milhões de euros para a Rússia entre janeiro e agosto de 2023.

 

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De acordo com o Instituto de Estatística da Letônia, o total de todas as exportações da Letônia para a Rússia em 2023 (até novembro) foi de mais de 1,1 bilhão de euros. Quase metade dessas exportações envolve bebidas, destilados e vinagre. Isso faz da Rússia um dos cinco maiores mercados de exportação da Letônia em termos de volume em 2023.

 

Mesmas cadeias de suprimentos, documentação diferenteÉ claro que os países bálticos não se tornaram repentinamente uma região vinícola lucrativa ou um ponto para a produção de uísque. Em vez disso, a grande maioria das bebidas alcoólicas exportadas da Letônia para a Rússia vem de empresas da Europa Ocidental registradas na Letônia. Isso já foi admitido por representantes da Associação do Setor de Álcool da Letônia.

 

 

"Parece que algumas grandes empresas de países da Europa Ocidental simplesmente usam a Letônia como uma espécie de centro de distribuição", diz Matiss Mirosnikovs, economista do Banco da Letônia, em entrevista à DW. "Portanto, não se trata necessariamente da produção da indústria letã, mas de reexportações."Em entrevista à RIA Novosti, Veniamin Grabar, chefe da empresa russa de importação de bebidas alcoólicas Ladoga, explicou por que os países bálticos aparecem nas estatísticas alfandegárias como nações de origem: "Se os documentos costumavam dizer que as importações para a Rússia simplesmente passavam pela Letônia ou Lituânia, agora os países bálticos aparecem como o destino da exportação. E as entregas para a Rússia são feitas a partir de lá."

 

As cadeias logísticas, portanto, não mudaram. São os mesmos produtores que abastecem a Rússia – a única diferença é que a documentação agora lista a Letônia como país de destino. Os parceiros letões, por sua vez, agora cuidam das exportações da UE para a Rússia, incluindo documentos alfandegários e assim por diante.

 

Tática para evitar danos à imagem

 

 

A rigor, as exportações não violam as sanções da UE. "No entanto, o fato de a Letônia estar sendo usada como um centro de distribuição mostra que muitas empresas da Europa Ocidental temem danos à sua imagem caso exportem diretamente para a Rússia", diz Matiss Mirosnikovs. Para outras empresas, é uma questão de sobrevivência: "Algumas empresas só têm Rússia e Belarus como clientes. É por isso que elas não querem e, acima de tudo, não podem simplesmente parar de fazer negócios."

 

Para algumas organizações independentes, no entanto, esses negócios envolvem questões éticas, tendo em vista a guerra de agressão contra a Ucrânia lançada por Moscou. A ONG Moral Rating Agency, por exemplo, classifica as empresas ocidentais de acordo com seus negócios com a Rússia. De acordo com a agência, a empresa francesa Pernod Ricard – conhecida por marcas como a vodca Absolut e o uísque Jameson – continua sendo um dos maiores fornecedores de bebidas alcoólicas para a Rússia.

 

A mídia russa informou que a Pernod Ricard estava planejando descontinuar seus negócios na Rússia. No entanto, de acordo com um comunicado à imprensa do gigante das bebidas alcoólicas, isso ainda levará "vários meses". Funcionários russos continuam a ser pagos. E o chamado comércio paralelo via terceiros países parece continuar a todo vapor. A Pernod Ricard na Letônia não respondeu a um pedido de entrevista da DW. O mesmo ocorreu com outros exportadores de álcool que usam a Letônia como base de reexportações.

 

Envios de bebidas alcoólicas para a Rússia são repreensíveis?

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Davis Vitols, chefe da Associação da Indústria do Álcool da Letônia (Lana), apresentou um argumento muito pitoresco para justificar a continuidade dos negócios: segundo ele, não há problema em exportar álcool porque a substância é "prejudicial à saúde se consumida em excesso". Ele, no entanto, enfatizou que essa era sua opinião pessoal, e não a da associação.

 
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O economista Matiss Mirosnikovs também tem uma opinião pessoal sobre o tema: "Há dois lados. Por um lado, é bom receber dinheiro da Rússia, porque assim eles podem gastar menos dinheiro em fins militares. Por outro lado, isso permite que as elites façam o que querem, ou seja, levar uma vida o mais normal possível, sem querer promover nenhuma mudança."

 

Fonte: com informações da Revista IstoÉ

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