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Mulher na Política - 16/10/2022

Deputadas eleitas apostam no aquilombamento para enfrentar conservadorismo

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Foto: Reprodução

Apesar da iminente vitória de Lula, parlamentares preveem a continuidade de projetos bolsonaristas no Congresso Nacional

"Os negros e negras precisam se unir", diz Dandara Castro (PT-MG). A jovem de 29 anos foi vereadora do município de Uberlândia, em Minas Gerais, e hoje compõe a Câmara dos Deputados, em Brasília. Ela, assim como outras deputadas negras entrevistadas pela Alma Preta Jornalismo, acreditam que o Congresso Nacional em 2023 será desafiador, mas acreditam no poder do "aquilombamento"para conseguirem aprovar as pautas de direitos.

 

"Eu acho que os parlamentares negros e negras devem usar uma estratégia ancestral que é o aquilombamento. A gente se unir, andar juntos, nos fortalecer para fazer uma bancada negra potente e de resistência", disse Dandara, eleita com mais de 80 mil votos.

 

No ano que vem, o parlamento contará com cinco deputados e deputadas federais indígenas e 135 serão autodeclarados pretos e pardos. Em se tratando de gênero, 91 mulheres foram eleitas.

 

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Segundo levantamento do programador Paulo Mota, do Data_Labe, a maioria dos deputados eleitos integram partidos de direita, com 286 eleitos. Já os deputados da esquerda eleitos somam 117 e os de centro com 110 eleitos.

 

Veterana no Congresso, Taliria Petrone (Psol-RJ) afirma que, mesmo com um Congresso conservador, a eleição de mais mulheres e indígenas não é aleatória. Para a deputada, existe uma reorganização da esquerda que pode favorecer o Brasil no que diz respeito aos direitos humanos.

 

"Há uma mudança em curso que vai fazer enfrentamento no cotidiano desse Congresso", considera.

 

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Mônica Seixas (Psol), deputada estadual por São Paulo, diz que essa conformação do parlamento é um reflexo da polarização política do país, "mas com uma surpreendente ampliação de setores que são contrários a pautas históricas dos trabalhadores, das mulheres, negras e negros". Apesar do maior número de candidaturas populares ter sido eleita, e de uma possível vitória de Luís Inácio Lula da Silva, Mônica considera que as pautas bolsonaristas ainda prevalecerão no Plenário.

 

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"Acredito que mesmo com a derrota de Bolsonaro e a vitória de Lula no segundo turno, que é o cenário mais provável, a agenda bolsonarista continuará pautando o Congresso, com projetos como a reforma administrativa, a ampliação da liberação de armas, a destruição ambiental e o desmonte de políticas de combate a violência de gênero. Um tema central desse ano é a revisão da Lei de Cotas, de 2012, o que me preocupa com essa nova configuração", salienta a deputada.

 

As parlamentares avaliam que a conformação da bancada negra para a nova legislatura que se inicia em 2023 será combativa e comprometida com as pautas antirracistas. No entanto, elas percebem que as autodeclarações de parlamentares não-negros compondo o quadro de negros pode esvaziar os debates.

 

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Fotos: Reprodução

 

"Vamos precisar incidir sobre isso [autodeclarações de pardos] no próximo ciclo. Ao mesmo tempo, há um conjunto de negros e negras comprometidos com a luta antirracista, com a luta pelo direito dos povos indígenas e eu não tenho dúvidas que nós vamos fazer avançar a luta por direitos", considerou Taliria Petrone.

 

Mônica Seixas disse que as pessoas têm dificuldades de entender o que é o pertencimento étnico-racial. Por isso, "devemos ser educativas nesse processo para explicar que pardos são negros, além de despertar uma consciência racial nas pessoas negras".

 

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Para garantir um Congresso Nacional preocupado com as questões da população negra, as parlamentares destacam que a principal tarefa é eleger Lula. Depois disso, é pensar uma legislatura com pautas que são fundamentais, como por exemplo, derrubar o teto dos gastos e revogar a Reforma Trabalhista.

 

"Assim a gente vai ter investimentos em saúde, educação e assistência, para que possamos dar continuidade ao trabalho de benefícios para a população negra", consideraram as deputadas.

 

Fonte: Com informações do Portal Terra

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