Conversa entre escritor Eduardo Ribeiro Dias com a mãe, ao se assumir gay, é o ponto de partida do romance "Sobre Pedras e Flores"
Grande parte do diálogo entre Elias e o pai, no primeiro capítulo do livro Sobre Pedras e Flores, é inspirado na conversa que o escritor Eduardo Ribeiro Dias teve com a mãe ao se assumir gay na juventude. O romance é a obra de estreia na literatura do autor mineiro radicado em Londrina, Paraná.
“Sabe, pai”, comecei contando os sons de cada palavra que deixava sair: “eu sei que você e a mãe tem algumas ideias do que vocês querem pra mim, pro meu futuro, mas eu acho que não vou conseguir fazer tudo do jeito que vocês esperam.
” Encarei a tela azul. “Principalmente com relação a formar uma família.” Meu polegar corria pelas bordas da unha do dedo médio.
Veja também

'Pego umas minas também', diz Luísa Sonza na estreia da Parada LGBT+
'Meu repúdio por qualquer discriminação', diz Xuxa sobre homofobia de religiosos

Foto: Reprodução
“É que, sabe, se eu tiver uma — uma família, eu quero dizer —, provavelmente não será com uma mulher”, eu concluí, pensando que talvez tivesse sido mais fácil dizer com todas as letras aquilo que eu precisava, mas entendendo que, naquele momento, era o melhor que eu conseguiria fazer.
(Sobre Pedras e Flores, p. 15)
Eduardo utilizou das próprias experiências na narrativa para transmitir sentimentos aos personagens e torná-los reais e identificáveis. Um destes personagens, Isaac, enfrenta as consequências dos próprios atos que levaram ao fim do casamento com Lílian. Em uma noite sem rumo ele conhece Elias, que aos 32 anos encara dúvidas quando à carreira e às ausências que finge não sentir.
O encontro que aparentemente não mudaria a vida de nenhum dos dois tem desdobramentos inesperados quando os protagonistas são colocados frente a frente para lutar contra os traumas e fantasmas do passado. Ao leitor, ficam mensagens acolhedoras sobre luto familiar, bullying na adolescência e homofobia, além da luta diária contra quem são e a descoberta de quem querem, de fato, ser.
Complexos e reais, os personagens de Sobre Pedras e Flores agradam especialmente o leitor que busca narrativas LGBTQIA+ mais densas, que vão além do despertar da sexualidade. “Sobre Pedras e Flores é apenas uma de muitas histórias que me mantém acordado à noite e que serão, muito em breve, transportadas às páginas de livros”, torce Eduardo.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.