Samara viralizou nas redes sociais ao mostrar o desdém de um recrutador ao saber que ela era mãe; especialistas debatem o caso
O caso da mulher que viralizou ao postar uma conversa em que foi humilhada por um recrutador que faria uma entrevista de emprego levantou o debate sobre os tipos de medida que podem ser tomados em uma situação como essa.O representante da empresa atrasou três horas para a entrevista e depois fez comentários irônicos à candidata, Samara Braga, quando ela respondeu que não poderia falar no momento em que ele a chamou, pois levaria o filho à escola.
Ao afirmar que Samara tinha muitos compromissos "para um desempregado" e que "é difícil contratar quem tem filhos", o recrutador mostrou despreparo e pode ser acionado judicialmente, segundo especialistas ouvidos pelo R7.Até quinta-feira, 14/09, a publicação da candidata tinha quase 30 mil curtidas e mais de 4.000 comentários no LinkedIn, boa parte deles de mulheres que relatam já terem passado pelo mesmo constrangimento.
Danielle Olivares Corrêa, coordenadora nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação do Trabalho, do MPT (Ministério Público do Trabalho), explicou, em entrevista ao R7, que o recrutador em questão pode sofrer uma ação trabalhista, ainda que ele tenha sido discriminatório durante uma entrevista, e não com alguém que já tenha um contrato assinado com a empresa.
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Foto: Reprodução/R7
"A própria candidata, que se sentiu ofendida, pode denunciá-lo. Ele também pode ser réu numa ação civil pública para que se abstenha desse tipo de prática. Caso seja comprovado que houve, de fato, a discriminação, a empresa fica sujeita ao pagamento de uma multa e pode ser impedida de solicitar empréstimo a bancos públicos", ressalta Danielle.
A coordenadora do MPT ainda expõe que casos em que o entrevistador exige atestado de gravidez pode se configurar até mesmo como crime.Apesar de saber que poderia entrar na Justiça contra o recrutador, Samara afirma que nem mesmo na postagem quis divulgar o nome completo do homem ou da empresa, porque não quer prejudicar nenhum dos dois.
Mãe que relatou discriminação em entrevista de emprego com recrutador recebe várias propostas de trabalho; veja o VÍDEO | Concursos e Emprego | G1 https://t.co/ESw1NEbHzN
— joão Valente (@jvalente60) September 13, 2023
"Fiquei muito indignada quando li aquilo. A primeira coisa que veio à minha cabeça foi 'como que quem está desempregado não tem compromisso?' Eu penso que não só a empresa dele, mas diversas outras fazem isso. É todo um sistema que coopera para que isso aconteça", relatou a candidata em entrevista à Record TV.
Samara conta que esperou por muito tempo o recrutador dar alguma explicação, ou ao menos agendar a entrevista para um outro momento. Porém, no horário em que ele ligou, às 11h, ela estava arrumando o filho para ir à escola e também preparando um pudim para vender e ajudar em sua renda.
Existe lei a favor das mães no mercado de trabalho?
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Fernanda Prado, advogada trabalhista empresarial, especialista em governança ambiental, social e corporativa, conta que não existe uma lei que obrigue as empresas a contratar mulheres que são mães, e sim um regulamento que cria um selo para companhias que empregam mais mulheres e se destacam pela organização e manutenção de creches e pré-escolas para atender às necessidades de seus empregados.
Além disso, a legislação trabalhista veda a prática de discriminação no trabalho, e critérios como gravidez e situação familiar não podem gerar prejuízos nem desvantagens aos candidatos.Também existe, dentro da legislação, uma sanção para empresas que demitem funcionárias durante a gestação, ou até mesmo após o parto. Ela tem uma estabilidade de até quatro meses, e, se for demitida, a empresa tem que indenizar", afirma a defensora.

Fotos: Reprodução/Google
No caso de Samara, Prado explica que ela pode entrar na Justiça contra o recrutador por danos morais. "As empresas precisam se atentar às nuances da diversidade, até porque elas têm uma função social para com a comunidade. Um caso como esse pode manchar a imagem da empresa." Para Gabriela Claudiano, advogada trabalhista do escritório Freitas Avelino, Samara sofreu uma discriminação por ser mãe e, com o print, ela tem a prova deste preconceito.
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"A maior dificuldade que existe nesse tipo de caso é a própria comprovação, quando ocorre pessoalmente é mais difícil. Talvez, só esse print não seria o suficiente para conseguir uma indenização, mas nada que ela não possa tentar", explica. Gabriela também destaca que não dá para estimar o valor da indenização neste caso, uma vez que depende da situação e da empresa em questão.
Fonte: com informações do Portal R7
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