Visualizações e hashtags podem impulsionar as vendas de produtos, mas o sucesso pode ser efêmero e até problemático
Em 2018, o Pink Stuff era um mero produto de limpeza doméstico com um nome legal. "A pasta de limpeza milagrosa", como dizia cada embalagem, só era vendida em duas cadeias de varejo do Reino Unido. Em uma fábrica perto de Birmingham, na Inglaterra, sua linha de produção funcionava cerca de duas horas por mês, o que era suficiente. "Era um produto com muitas utilidades, mas ninguém o usava", disse Henrik Pade, diretor-geral da Star Brands, empresa por trás da mercadoria.
Na realidade, o Pink Stuff, de cor rosa vibrante como a de um chiclete, tinha alguns entusiastas, como Sophie Hinchliffe, que na época era uma cabeleireira de 28 anos em Essex, pouco menos de 50 quilômetros a leste de Londres. Ela descobriu o produto no Instagram e começou a postar vídeos diários em sua conta recém-criada, @mrshinchhome. Todos os vídeos eram trechos de sua campanha incessante para embelezar a casa para a qual recentemente se mudara com o marido.
Lá estava a Sra. Hinch, como ela se intitulava, usando uma escova de dente para limpar os azulejos do banheiro. Depois, polindo os castiçais. Quando tinha uma mancha, o Pink Stuff era a salvação, dizia ela a seu público pequeno, mas crescente. "Não compre azulejos novos. Gaste 99 centavos e restaure os antigos", aconselhava. Também recomendava outras marcas, mas o Pink Stuff era realmente seu favorito.
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Os "hinchers", como logo se autodenominaram seus seguidores, encontravam algo meditativo e satisfatório em ver uma mulher falante, glamorosa e, ao mesmo tempo, familiar eliminando a sujeira. E não se tratava só de espectadores: eles realmente procuravam dicas de produtos de limpeza.
No momento em que "hinching" se tornou um verbo – definido como "limpar intensamente" – no Reino Unido, os dias de anonimato do Pink Stuff tinham terminado. Nas lojas em que era vendido, os clientes esperavam os carrinhos de mercadorias passarem para pegar todos os potes de que precisavam – ou mais. "Fiquei tipo: 'Pessoal, o que vocês fizeram? Não consigo encontrar mais nenhum.' Nesse momento, a marca entrou em contato comigo e disse: 'Quer que a gente envie alguns para você?' Foi então que conheci o mundo dos influenciadores", contou Hinchliffe em uma videoentrevista.
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Fotos: Reprodução/Google
Hinchliffe, que tem 4,8 milhões de seguidores no Instagram, nunca migrou para o TikTok – "Já tenho dificuldade de gerenciar uma única plataforma", explicou –, mas o Pink Stuff, sim. Segundo a Star Brands, os vídeos relacionados ao produto foram visualizados mais de dois bilhões de vezes no TikTok.
O impulso viral
O Pink Stuff se junta a uma variedade de produtos que antes eram desconhecidos e foram transformados pela internet – principalmente pelo TikTok. A lista inclui a guilhotina Hoan Bagel, o copo Stanley e os gorros Carhartt, para citar só três. Mas o aumento das vendas em decorrência do estrelato on-line às vezes é efêmero. O fato de um novo produto entrar no "bonde dos virais" – "Olha, é a minimáquina de waffles da Dash!" – não significa que ele vai permanecer lá.
Fonte: com informações do Portal R7
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