Principalmente para as mulheres
No mundo dos vinhos, a fama do rosé está ligada ao sul da França e aos dias ensolarados nas praias mediterrâneas desde o século 19. Os primórdios da bebida, entretanto, guardam outros contornos. O tom rosáceo da bebida surgiu na Grécia antiga a partir do blend de uvas brancas e tintas, que eram colhidas juntas e então esmagadas com os pés. A fermentação acontecia em ânforas de barro, o que oxidava a bebida com maior facilidade.
Ainda que essa origem não tenha sido fator preponderante, é com certeza mais um ingrediente que só reforça o que muita gente já sabe: Mariana Camargo Fonseca é uma brasileira com alma grega. Isso porque à lista dos já consagrados Myk, Kouzina e Fotiá, especializados em aspectos da culinária do país repleto de ilhas derramadas pelos Mares Egeu e Jônico, a chef acrescenta, este mês, o Rosé.
Um detalhe essencial: o novo projeto da chef tem alma feminina. "É um lugar para mulheres, para que elas se sintam à vontade para se encontrar com as amigas, para fazer uma reunião. Isso, claro, não exclui os homens", explica Mariana. O novo endereço tem tudo para virar point do verão paulistano. Com paredes brancas que se conectam aos seus outros empreendimentos e às das residências de Mykonos - para onde Mariana viaja várias vezes por ano -, o bar esbanja descontração e charme.
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Começando pela imensa buganvília e a varanda que adiantam a atmosfera de frescor acentuada pela vasta carta de vinhos. São 120 rótulos por enquanto, mas que devem chegar a 200 opções vindas de diversas partes do mundo até o fim do ano. Deles saem drinks leves idealizados por ela com o apoio do chefe de bar do Myk, Mauricio Oliveira.

Para acompanhar, cardápio reduzido que mereceu atenção especial da chef, focando crudos e comfort food. "Teremos algumas sugestões inusitadas durante o período de abertura. Por exemplo, uma das harmonizações mais incríveis para o vinho rosé é o curry. Então teremos um marisco ao curry aos sábados", conta Mariana, que anda entusiasmada com essa e outras combinações bem diferentes que entraram no cardápio. "As pessoas falam: 'chef, não é possível', mas quem provou adorou o carpaccio de wagyu com creme de queijo feta, grapefruit e flores. Uma das melhores harmonizações que eu já pensei em provar com vinho rosé", descreve Mariana, acrescentando, ainda, outro destaque: vieira com azeite de romã e leve toque de raiz-forte.

Mariana observa que a bebida conquistou espaço aos poucos até se tornar a grande aposta do verão. "Quando abri o Myk, há dez anos, críticos de gastronomia diziam que era um restaurante para ficar girando tacinha de vinho rosé com gelo na calçada. Brinco que (o Rosé) é uma crítica aos críticos", analisa. Ela explica que a bebida é extremamente democrática ao acompanhar os mais variados tipos de carne e peixe. "Tenho visto grandes sommeliers trabalhando com esse vinho inclusive no inverno, em estações de esqui", diz.
Apesar desse cenário, o grande impulso para a nova casa veio da sua última temporada em Mykonos, em julho deste ano. "Quando cheguei em 2004 à Grécia, a moçada tomava cerveja ou retsina (obtido por meio da adição de resina de pinheiro ao vinho branco durante a fermentação), que é o vinho de lá. Hoje em dia, os jovens tomam rosé na praia. Isso me impressionou", conta Mariana, que é apaixonada pelo povo grego, pelo amor das pessoas pela história do país e pela relação delas com a comida em família. "O cultivo, o preparo, tudo junto me encanta."
Fonte: Portal Terra
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