16 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Direitos da Mulher - 19/03/2026

Europa acelera igualdade de gênero nas empresas e pressiona companhias brasileiras a rever governança

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Para empresas brasileiras que buscam capital estrangeiro ou presença em mercados globais, a pressão por transparência e compromisso com diversidade tende a crescer.

Dados recentes do Eurostat mostram que países europeus com cotas obrigatórias têm muito mais mulheres nos conselhos de empresas. O avanço regulatório começa a influenciar critérios de investimento e pode impactar o reporte ESG de companhias brasileiras.

 

Europa usa lei para acelerar presença feminina nas empresas


Uma diferença de 22,6 pontos percentuais separa países europeus que adotaram cotas obrigatórias de gênero em conselhos corporativos daqueles que ainda dependem apenas de iniciativas voluntárias das empresas. O dado foi divulgado pelo Eurostat em março de 2026 e revela como a regulação tem sido determinante para acelerar a presença feminina na liderança empresarial.

 

Veja também 

 

Onze anos da lei do feminicídio: o que podemos realmente comemorar?

Ataques a Maria da Penha tentam enfraquecer conquistas, diz instituto

Diretiva europeia estabelece metas obrigatórias

 

 

 

Nos países com cotas vinculantes, as mulheres ocupam 39,6% dos assentos nos conselhos. Onde existem apenas medidas voluntárias, o índice cai para 33,8%. Já nos países sem qualquer iniciativa específica, a participação feminina despenca para 17%. A diferença mostra que, quando a igualdade de gênero se transforma em política pública e obrigação legal, os resultados aparecem com mais rapidez.


O avanço regulatório ganhou força com a entrada em vigor, em dezembro de 2024, da Diretiva de Igualdade de Gênero nos Conselhos Corporativos da União Europeia. A legislação determina que grandes empresas listadas em bolsa devem atingir até junho de 2026:

 

• 40% de membros não executivos do gênero sub-representado, ou
• 33% de todos os cargos de direção ocupados por esse grupo.
A medida é considerada um marco na governança corporativa europeia e busca acelerar um processo que, historicamente, avançou de forma lenta quando dependia apenas de iniciativas voluntárias.

 

Mesmo com avanços, igualdade ainda está distante

 

 


Apesar do progresso regulatório, os desafios continuam. O Índice de Igualdade de Gênero do European Institute for Gender Equality (EIGE) registrou 63,4 pontos de 100 em 2025. Segundo a instituição, mantido o ritmo atual, a igualdade plena entre homens e mulheres na Europa pode levar mais de 50 anos para ser alcançada. Ou seja, mesmo com leis, metas e políticas públicas estruturadas, a transformação ainda é gradual.

 

 

Brasil apresenta números próximos, mas contexto diferente

 

 

 


No Brasil, os dados também mostram avanços importantes na presença feminina em posições de liderança. Segundo a IBGE, por meio da PNAD Contínua, as mulheres representavam 39,4% dos cargos gerenciais em 2024, percentual estatisticamente próximo ao registrado em países europeus com políticas mais estruturadas. Mas especialistas alertam que essa semelhança numérica pode esconder diferenças importantes. Enquanto a Europa avança apoiada em arcabouço regulatório e metas obrigatórias, o Brasil ainda depende majoritariamente de iniciativas voluntárias do setor privado. Nesse cenário, a principal diferença está na velocidade e na direção da mudança.

 

O impacto para o ESG das empresas brasileiras

 

 

 

No Brasil, o debate sobre igualdade de gênero também tem ganhado espaço em agendas institucionais. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja) tem participado de iniciativas voltadas à promoção da equidade de gênero em instituições públicas e privadas, defendendo maior protagonismo feminino em espaços de decisão. Em agendas internacionais, como as discussões do G20, ela destacou a importância de fortalecer políticas de empoderamento das mulheres e ampliar sua participação em estruturas econômicas e institucionais. A discussão sobre igualdade de gênero também começa a ganhar peso no universo do ESG (ambiental, social e governança).

 

Fundos de investimento internacionais, especialmente europeus, já utilizam indicadores de diversidade e governança como critérios de avaliação de empresas. Nesse contexto, a ausência de metas quantitativas e rastreáveis para equidade de gênero nos relatórios de sustentabilidade tem sido cada vez mais interpretada como uma lacuna de governança corporativa. Para empresas brasileiras que buscam capital estrangeiro ou presença em mercados globais, a pressão por transparência e compromisso com diversidade tende a crescer.

 

Mais do que números, uma questão de governança

 

 

 
A experiência europeia indica que a igualdade de gênero no ambiente corporativo não depende apenas de boa vontade institucional. Políticas públicas, metas claras e mecanismos de monitoramento têm papel decisivo para acelerar mudanças estruturais. No cenário atual, a agenda de diversidade deixou de ser apenas um debate social e passou a integrar o centro das decisões econômicas e de governança. E, cada vez mais, investidores querem saber não apenas o que as empresas dizem sobre diversidade, mas como elas medem e comprovam esse compromisso.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

 
Para o Portal Mulher Amazônica, os dados europeus reforçam uma constatação que movimentos de mulheres e especialistas em governança vêm apontando há anos: igualdade de gênero nas estruturas de poder não avança apenas com discursos ou boas intenções. A experiência da Europa demonstra que metas claras, monitoramento público e compromissos institucionais são capazes de acelerar mudanças que, de outra forma, poderiam levar décadas. Quando a presença feminina em espaços de decisão passa a ser tratada como parte da governança corporativa e não apenas como agenda simbólica, o impacto se torna mensurável.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 
 

Fotos: Reprodução/Google

 

No Brasil, embora os números de participação feminina em cargos gerenciais tenham avançado, ainda há um desafio estrutural relacionado à consolidação de políticas consistentes de equidade de gênero dentro das empresas. Sem metas transparentes e indicadores acompanháveis, o risco é que avanços ocorram de forma lenta, desigual e dependentes de iniciativas isoladas. O Portal Mulher Amazônica entende que diversidade e igualdade de oportunidades não são apenas pautas sociais, mas também elementos fundamentais de desenvolvimento econômico, inovação e sustentabilidade institucional. Em um cenário global em que investidores e mercados passam a observar cada vez mais critérios ESG, ampliar a participação feminina em posições de liderança deixa de ser apenas uma demanda histórica das mulheres e passa a ser também um indicador estratégico de governança. Mais do que cumprir metas, o desafio é transformar estruturas de poder — garantindo que mulheres participem efetivamente das decisões que moldam empresas, economias e sociedades.


Fontes:
Eurostat – Gender balance in corporate boards, 2026
Diretiva de Igualdade de Gênero nos Conselhos Corporativos da União Europeia (2024)
European Institute for Gender Equality – Gender Equality Index 2025
IBGE / PNAD Contínua – Estatísticas de cargos gerenciais, 2024
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.