A informação foi confirmada ao UOL por fontes com conhecimento do teor do relato de Ungaro
Antes de ser deportada para o Brasil, em um voo fretado pelo ICE (sigla em inglês para Agência de Imigração e Controle de Alfândega) no dia 1º de outubro de 2025, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro chegou a buscar autoridades nos EUA para reportar violência doméstica no contexto de seu conturbado divórcio de Paolo Zampolli, amigo de longa data do presidente Donald Trump e atual enviado especial para Parcerias Globais. A informação foi confirmada ao UOL por fontes com conhecimento do teor do relato de Ungaro, feito em 2023, dois anos antes de ela ser presa na Flórida e removida dos EUA. No último sábado, o jornal americano New York Times revelou que a deportação de Ungaro aconteceu a pedido de Zampolli.
De acordo com a publicação, Zampolli solicitou diretamente a David Venturella, um executivo-sênior do ICE que atua próximo ao Czar da Fronteira, Tom Homan, para que ele garantisse a retirada de Ungaro do país. O UOL apurou que durante o período de sua detenção prévia à deportação, Ungaro não buscou auxílio consular de autoridades brasileiras a que teria direito. Após a publicação da reportagem, Ungaro confirmou que procurou autoridades em 2023. "Foram 19 anos de relacionamento com idas e vindas, assédios, violência doméstica,cárcere privado e sexo sem consentimento", afirmou. Ungaro e Zampolli se conheceram quando ela era ainda uma adolescente e começava sua carreira de modelo, período em que ela também frequentou o círculo do bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual de menores de idade.
O UOL questionou o ICE sobre as circunstâncias da deportação de Ungaro, se houve qualquer interferência política no processo e se ela teve direito à devida defesa na Corte de Migração. Em resposta, um porta-voz da agência afirmou que "o ICE prendeu, deteve e removeu Amanda Soares Ungaro-Felizardo porque ela é uma estrangeira ilegal criminosa que estava fraudando cidadãos americanos e colocando vidas em risco ao manter uma prática médica ilegal. Qualquer insinuação de que ela tenha sido presa e removida por razões políticas ou favores é FALSA".
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O ICE também disse que o "Sr. Lewandowski", uma provável referência incorreta ao nome de Zampolli, "não teve qualquer envolvimento na prisão, detenção ou remoção desta estrangeira ilegal. O DHS (Departamento de Segurança Nacional, sob o qual está o ICE) aplica a lei sem medo ou favorecimento". De acordo com o ICE, a prisão foi feita pela Polícia de Aventura, no condado de Miami-Dade, Flórida, e Ungaro foi acusada de "fraude organizada, duas acusações de furto qualificado e exercício ilegal da medicina" por sua atuação em uma clínica de estética. Ainda de acordo com o ICE, Ungaro possuía visto para permanência legal nos EUA até 3 de novembro de 2019.
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Fotos: ReproduçãoGoogle
"Ela permaneceu ilegalmente no país após o vencimento de seu visto por quase seis anos, em violação às nossas leis de imigração. Um juiz de imigração emitiu uma ordem final de remoção contra ela em 15 de setembro de 2025. Ela foi removida em 1º de outubro de 2025. Ela e a criança estão juntas no Brasil", diz o porta-voz do ICE. A "criança" é uma referência a Giovanni, o filho adolescente do casal cuja guarda está em disputa. Embora tenha ido para o Brasil com Ungaro, ele agora estaria de volta nos EUA, segundo fotos publicadas recentemente por Zampolli em seu Instagram e em uma entrevista da ex-modelo ao jornal O Globo. O UOL também procurou Zampolli, que não respondeu diretamente, mas afirmou em suas redes sociais que não qualificaria a reportagem do New York Times como "fake news", mas como "imprecisa".
"Soa como um ataque direcionado às políticas de imigração da administração (Trump) — especialmente em um momento tão crítico, no qual votamos para financiar a Segurança Interna e proteger nossa nação e seus aliados durante um período de intenso trânsito global e alertas de segurança. Tenho orgulho de servir e de estar na linha de frente por meu país. Tudo o que faço é pelos Estados Unidos da América", afirmou Zampolli, fazendo referência ao fato de que o Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês), em cujo guarda-chuva está o ICE, não tem recebido financiamento do Congresso. Na última segunda, o Senado confirmou Markwayne Mullin como novo chefe do DHS.
Fonte: com informações notícias uol
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