Processo é relacionado a irregularidades em doações para a construção do prometido muro na fronteira dos EUA com o México
Um dos principais estrategistas políticos do ex-presidente Donald Trump, Steve Bannon se rendeu à Justiça de Nova York nesta quinta-feira, e deve ser formalmente acusado nas próximas horas. Os detalhes ainda não são conhecidos, mas o processo é relacionado a supostas fraudes em doações destinadas à construção do muro na fronteira dos EUA com o México.
O estrategista político havia sido preso em agosto de 2020 sob acusação de fraude pelo desvio de até US$ 1 milhão doados por milhares de apoiadores de Trump para construir o prometido muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Ele pagou fiança no mesmo dia, se declarou inocente e esperava seu julgamento em liberdade.
Nas últimas horas de seu mandato, contudo, Trump havia concedido um perdão presidencial ao aliado — um dos 142 beneficiados com os indultos de última hora. A medida, no entanto, vale apenas para processos federais, não sendo aplicados para valendo para casos que correm na Justiça estadual.
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— Isso é uma ironia. No mesmo dia que o prefeito desta cidade tem uma delegação na fronteira, eles estão perseguindo pessoas aqui que tentam pará-las — disse Bannon a repórteres ao chegar no tribunal, lembrando que o incidente ocorre a dois meses das eleições legislativas de novembro.
Os detalhes das acusações ainda estão sob sigilo, e a porta-voz da Promotoria de Manhattan, Danielle Filson, se recusou a comentar as investigações. Advogados da Procuradoria-geral nova-iorquina também participaram das investigações. Uma entrevista coletiva, contudo, está marcada para às 13h (14h, no Brasil).
No antigo processo federal, Bannon foi acusado junto com outros três homens de usar as doações do projeto-símbolo da draconiana política anti-imigração de Trump. A campanha "Nós Construímos o Muro" arrecadou cerca de US$ 25 milhões, e o estrategista teria usado US$ 1 milhão para suas despesas pessoais, de acordo com os promotores.

O ideólogo e os outros três acusados no caso — Brian Kolfage, Andrew Badolato e Timothy Shea — teriam "fraudado centenas de milhares de dólares dos doadores, capitalizando em cima de seu interesse em construir o muro na fronteira", escreveu na ocasião a procuradora federal Audrey Strauss.
Bannon foi estrategista-chefe do presidente até sua destituição, em 2017, e é considerado um dos responsáveis pela vitória do republicano em 2016. Em uma declaração nesta semana, Bannon chamou as alegações contra si de "falsas".
"Isso não é nada mais que transformar o sistema de Justiça criminal em uma arma político-partidária", afirmou ele.

O caso é paralelo às investigações sobre o ataque ao Capitólio americano, em 6 de janeiro de 2021, em que foi considerado culpado de desacato por sua recusa em cooperar com a comissão da Câmara que investiga a invasão. A comissão da Câmara considera que Bannon, mesmo sem um cargo oficial na Casa Branca, exercia grande influência sobre Trump, e tinha acesso direto ao ex-presidente. Por isso, os deputados consideraram que seu depoimento e documentos que ele poderia fornecer à investigação eram cruciais para entender o que ocorreu antes e durante a invasão
Outros aliados inocentados por Trump também se tornaram alvos da Justiça nova-iorquina. Paul Manafort foi condenado por fraude em um julgamento federal em 2018. Em 2019, o então promotor-geral de Manhattan, Cyrus Vance Jr. apresentou acusações similares, mas um juiz determinou posteriormente que o processo violava a lei estadual, já que uma pessoa não pode responder duas vezes pelo mesmo crime. Manafort recebeu perdão presidencial um ano depois.

Segundo o processo federal relacionado ao muro, Bannon teria usado o dinheiro da campanha por meio de uma organização sem fins lucrativos. Parte desta quantia teria sido usada para pagar despesas pessoais e para pagar Kolfage. Para encobrir as operações, uma segunda companhia de fachada também teria sido utilizada, assim como notas fiscais falsas.
Bannon é também uma figura influente no governo do presidente Jair Bolsonaro, atuando como uma espécie de conselheiro informal desde a campanha presidencial de 2018. Em março de 2019, durante uma visita de Bolsonaro a Washington, ele participou de um jantar na residência do embaixador brasileiro para "formadores de opinião". Outro integrante da reunião foi o ideólogo bolsonarista Olavo de Carvalho, morto em janeiro deste ano, que se sentou ao lado direito do presidente.
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Fotos: Reprodução
O republicano diz ter uma relação próxima com o deputado Eduardo Bolsonaro, que chegou a participar de seu aniversário em 2018. O ex-estrategista mostrava-se favorável à já abandonada ideia de nomear o deputado para ser embaixador do Brasil nos EUA e o designou representante de sua organização, O Movimento, na América Latina.
Fonte: Portal OGlobo
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