17 de Maio de 2026

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Comportamento - 03/06/2023

FEEDS: como nos alimentamos com o scroll enquanto tanta coisa não acontece

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Foto: Reprodução

Desde quando nos tornamos esses seres que, mesmo antes do café precisam de uma dose alta de novas publicações.

Acordei às 7 horas da manhã com o desafio de não entrar no Instagram.

 

Às 07:19 falhei quando na primeira ida ao banheiro automaticamente levei comigo o celular e de pronto me deparei com a foto de um inseto chamado Phasmatodea. Em seguida li a seguinte frase: adoro a internet porque com ela aprendo coisas que jamais imaginei.

 

Pensando bem segundos antes também me fisgara a atenção um vídeo de uma pessoa indo trabalhar onde reluzia um lindo sol maravilhoso nascendo em uma beira-mar repleta de coqueiros e uma brisa suave, meio quente, meio úmida e perfeita, o que imediatamente me deu a ponta de um sentimento de inveja por estar nessa mesma hora me preparando para ir trabalhar durante o feriado em uma sala fria e fechada no centro de São Paulo e com a pele pálida que não vê um raio de sol/sal/brisa/mar perfeito e sem resquícios de areia colada no corpo há pelo menos 4 meses.

 

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Carolina é Atriz, locutora, produtora, premiada no cinema e no

teatro, atualmente ela pode ser vista como uma das protagonistas da

série “Vale dos Esquecidos”, da HBO, lançada em 2022.

 

Depois disso também vi uma sequência de memes que uma pessoa anda recebendo aleatoriamente do seu algoritmo sobre cocaína, sim, a droga ou melhor que droga ver isso, penso eu, tenho pavor… Foi nessa sequência interminável de memes lendo a análise escrita nos stories que acabei caindo no nome científico do bicho-pau e na declaração de que a internet é uma fonte impressionante de conhecimento.

 

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece o aplicativo de meditação manda um alerta sobre a medição do meu nível de stress. Está atrasada há mais de uma semana, preciso urgentemente medir meu stress, penso.

 

Perambulo como um zumbi cansado dentro de casa e vou preparar um café. Sento para ver meus emails e ler o jornal no computador e a primeira página que está aberta no meu desktop é a do maledeto. Navego novamente, quase inconscientemente, e dessa vez vejo a imagem de uma mulher grávida que está prestando uma homenagem ao filho perdido. Fico profundamente triste com isso e logo lembro do pacto comigo mesma. Fecho a guia do Chrome na mesma hora com um sentimento de pavor e culpa pela minha tentativa frustrada.

 

 

Abro a página do jornal e vou ler uma colunista de que gosto muito… logo nas primeiras frases ela diz… recebi mais de 600 mensagens, comentários, relatos via Instagram… sobre a coluna anterior que escrevi. Clico para voltar para a home do jornal e a matéria que segue é sobre o boom das maternidades nas redes sociais e a influencer que, ao postar no Instagram sobre sua gestação, viu que chamava muito mais a atenção das seguidoras e então resolveu postar tudo sobre seu futuro bebê, que a essa altura também já é um influencer, antes mesmo de nascer e/ou escolher ser.

 

Logo que paro de ler essa des-matéria pego o celular para verificar que horas são e sem querer meus dedos clicam no aplicativo magnético. Nesse instante dou um pulo de dedo para trás e rolo o feed pra cima num alívio da minha culpa com as imagens passando num scroll interminável formando um borrão irreconhecível resgatando na minha mente algumas cenas do filme Baraka.

 

Seria a quinta vez que abro o dito cujo e veja bem não são nem 8 horas da manhã, ou melhor, são 7:57 e tanta coisa já deixou de acontecer.

 

Fotos: Reprodução

 
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Agora, conformada depois de falhar todas essas vezes, recebo a notificação do limite diário do aplicativo e me deparo com um post de alguém falando que leu 2 jornais internacionais e mais 2 nacionais, tem palestra e texto para decorar, uma pequena tese sobre as novas variantes do coronavírus e uma possível nova pandemia e que tudo isso é o apocalipse etc, etc…. mas os boletos vai deixar para depois. Vejo que isso foi escrito num post às 6 horas da manhã… O algoritmo não respeita cronologias…e informa que a hiperprodutividade bateu forte na porta do vizinho, tem alguém do clube da 5am já na luta, campeão.

 

Recebo uma nova notificação sobre a medição do meu nível de estresse e o alerta da meditação que também está atrasada. Por fim, meu telefone toca e o ringtone entoa a canção da Gloria Gaynor, I Will Survive! Assim espero. 

 

Fonte: com informações da Revista Istoé Mulher / Colunista Carolina

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