Até o fim de 2022, um total de 860 milhões de pessoas no mundo terão de sobreviver com menos de US$ 1,90 por dia
Os impactos da Covid-19, o aumento da desigualdade global e os preços crescentes dos alimentos causados pela guerra na Ucrânia devem levar mais de 250 milhões de pessoas à pobreza extrema este ano, segundo o grupo de caridade Oxfam International.
O impacto combinado pode resultar em um total de 860 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de US$ 1,90 por dia até o fim de 2022, disse o grupo em um relatório divulgado nesta na terça-feira. Isso é equivalente a toda a população do Reino Unido, França, Alemanha e Espanha reunida.
A Oxfam divulgou o relatório antes das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que ocorrerão na próxima semana em Washington, nas quais os desafios econômicos globais e o choque da invasão da Rússia devem aparecer como dois dos principais focos.
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As pessoas mais pobres serão as mais atingidas, com os custos dos alimentos representando 40% dos gastos do consumidor na África Subsaariana, em comparação com 17% nas economias avançadas, disse a Oxfam, citando um relatório do FMI.
Turbulência financeira

A Oxfam alertou que o retorno da inflação é uma receita para a turbulência financeira em países de baixa renda que precisam de dólares para suas importações de energia, medicamentos e alimentos, e cuja dívida está em grande parte na moeda americana.
Para resolver a situação, a Oxfam propôs várias ideias. Uma delas é um imposto anual sobre a riqueza de milionários a partir de 2% e de 5% sobre bilionários, que a organização estima que gerariam US$ 2,52 trilhões por ano.
Isso, segundo a Oxfam, seria suficiente para tirar 2,3 bilhões de pessoas da pobreza, produzir vacinas suficientes para o mundo e fornecer assistência médica universal e proteção social para todos que vivem em países de baixa e média renda.
— Rejeitamos qualquer noção de que os governos não tenham dinheiro ou meios para tirar todas as pessoas da pobreza e da fome e garantir sua saúde e bem-estar — disse a diretora executiva da Oxfam Internacional, Gabriela Bucher. — Vemos apenas a ausência de imaginação econômica e vontade política para realmente fazê-lo acrescenta.
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Nos EUA, o presidente Joe Biden propôs no mês passado um imposto mínimo de 20% para famílias com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Embora possa gerar centenas de bilhões de dólares em novas receitas e tenha forte apoio entre muitos democratas, é improvável que seja aprovado tão cedo no Congresso, onde o partido tem margens muito pequenas, porque muitos legisladores moderados estão nervosos com um imposto tão grande.
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Fotos: Reprodução
A Oxfam também está pedindo ao G20, que reúne as maiores nações do mundo, que cancele todos os pagamentos da dívida este ano e no próximo para todos os países de baixa e média renda que o solicitarem.
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O grupo estimou que o serviço da dívida de todos os países mais pobres do mundo chegará a US$ 43 bilhões este ano — o equivalente a quase metade de suas contas de importação de alimentos e gastos públicos em saúde juntas.
Fonte: Portal O Globo
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