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Mulher em pauta - 11/04/2022

Helena Nader, a primeira presidente da Academia Brasileira de Ciências. VEJA VÍDEO

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Foto: ABC/Divulgação

Depois de 105 de história, a biomédica foi eleita a primeira mulher à frente da instituição e pretende fomentar a igualdade de gênero na ciência

Foram precisos 105 anos para que uma mulher chegasse à presidência da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Helena Nader, de 74 anos, biomédica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi eleita na Assembleia Geral da última terça-feira, 29 de março, e tomará posse entre 3 e 5 de maio deste ano, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Ela ficará no cargo até 2025.

 

“Esta é uma realização para meninas e mulheres e uma mensagem de que temos que continuar lutando e não podemos aceitar nãos. Nada de ‘você não tem competência’ ou ‘você não está preparada'”, diz Helena, com firmeza, em conversa com a revista Cláudia.

 

Vice-presidente da ABC desde 2019, Helena se destacou, desde o início da carreira, pelo posicionamento ativo em defesa da ciência, tecnologia e inovação na educação brasileira, além da igualdade de gênero na sua e em outras áreas. “Espero que meu lugar na presidência incentive não apenas mulheres, mas também homens a reconhecer e respeitar nossa trajetória e nosso espaço”, acrescenta.

 

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Helena Nader é eleita presidente da Academia Brasileira de Ciências - O  Progresso

A bióloga Helena Nader, primeira mulher eleita para presidir a

Academia Brasileira de Ciências (Foto: ABC/Divulgação)

 

Apesar de representar 57% do total de matriculados em instituições de ensino superior no Brasil e 53% do total de bolsistas de pós-graduação, de acordo com o Ministério da Educação, as mulheres sofrem um afunilamento de suas carreiras na ciência. O relatório Education at Glance 2019, feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicou que as brasileiras têm 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior, mas menos chances de conseguir emprego na área. Essa brecha de gênero, no entanto, não é exclusividade da realidade nacional. Helena lembra que, nos Estados Unidos, Marcia McNutt, eleita em 2016, foi, até agora, a única mulher a presidir a Academia Nacional de Ciências (NAS, nas siglas em inglês). A Royal Society Britânica, fundada em 1660, nunca teve uma presidente em toda a sua história.

 

 

 

“Meus pais tiveram duas filhas e ensinaram ambas a lutar para chegar onde quiséssemos. É uma pena que essa luta continue tão árdua ainda hoje”, comenta Helena, que se orgulha de ser uma pesquisadora, educadora, mãe e avó. A biomédica explica que a pandemia de covid-19 teve um impacto direto nas carreiras dessas profissionais. “Dados mostram que a produção científica de mulheres caiu nesse período, enquanto a dos homens cresceu. Isso significa que, ao ficar mais tempo em casa, as mulheres passaram a lidar com uma carga maior de tarefas domésticas e cuidado familiar”, diz. De acordo com um levantamento realizado pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a média de manuscritos científicos com as primeiras autoras mulheres foi de 37% entre 2016 e 2020, mas caiu para 13%.

 

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Outros desafios

 

Fotos: Reprodução


Helena diz que “nunca foi fácil fazer ciência e educação no Brasil”, mas critica abertamente os cortes de investimento realizados pelo Governo de Jair Bolsonaro —só em 2021, a União cortou cerca de 92% no orçamento da ciência. “O que o Governo vê como gasto é, na verdade, investimento no desenvolvimento do país. Análises internacionais mostram que o retorno do investimento em ciência e educação é de 5% a 15%, a médio e longo prazo”, argumenta.

 

 

Ao falar sobre a “fuga de cérberos” para o exterior —de acordo com o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), há atualmente de dois a três mil pesquisadores brasileiros em outros países, Helena é taxativa: “Estamos perdendo pessoas dentro do próprio país, basta olhar as taxas de evasão escolar e acadêmica.” A biomédica cita como exemplo o número de inscritos para realizar o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2021: com 3,1 milhões de participantes, esse foi o menor contingente de aplicantes desde 2005. “É um retrocesso muito grande, principalmente porque é difícil, senão impossível, recuperar o que se perde em ciência e educação. Por isso, meu objetivo principal é contribuir para reverter esse cenário”, diz.

 

Fonte: Revista Veja

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