Pesquisa brasileira deve contar com a participação de 300 pessoas voluntárias e a entrega dos resultados está prevista para 2025
Há muito tempo a comunidade transgênero tem travado uma batalha constante por visibilidade e direitos em diversos espaços sociais, especialmente no campo da saúde. Nesse contexto, a MSD (Merck Sharp and Dohme) Brasil está conduzindo um estudo no país, com o objetivo de analisar a prevalência e a distribuição dos diferentes tipos do papilomavírus humano (HPV) entre os indivíduos da comunidade trans, que abrange travestis, mulheres transgênero, homens transgênero, indivíduos de gênero diverso e indivíduos não binários.
“O HPV é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum do mundo, estima-se que cerca de 80% da população sexualmente ativa será infectada pelo HPV em algum momento da vida”, afirma Estevam Baldon, gerente médico da MSD Brasil.
Ele explica que em maior parte da população, o próprio sistema imunológico vai tratar a infecção e ela não evoluirá. Contudo, em alguns casos, cerca de 15% ou 20%, pode evoluir para uma doença, com a presença de verrugas nas genitais ou outras áreas do corpo.
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“Apesar de o tratamento ser possível, há o impacto psicológico. E, além disso, temos pessoas que desenvolvem câncer nos casos mais sérios, como o de vagina, de pênis, de cabeça, de pescoço, e o mais estudado, o de colo do útero”, diz o especialista.
A pesquisa vai avaliar indivíduos que se autoidentificam como transgênero, maiores de 18 anos, e que já tenham tido qualquer tipo de contato sexual. O período de recrutamento total será de 12 meses, com início neste mês e finalização em setembro de 2024, e a participação de 300 voluntários. Já os resultados devem ser publicados no segundo semestre de 2025.
“Analisaremos a população mais exposta por uma influência da sociedade, de não buscar saúde pública ou de não ter o acesso à saúde. Quando a gente vê essa população, é preciso de um olhar especial para pensar em como essas pessoas vão ter acesso à saúde, à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento.”

Estevam afirma que o estudo tenta suprir uma demanda dentro da própria comunidade trans, e espera que com os resultados, os dados possam trazer melhorias e maior entendimento para o tratamento do HPV na comunidade.O médico conta que a decisão de criar o estudo clínico partiu de uma pesquisa feita por Beatriz Grinsztejn, chefe do laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que demostrou que mulheres trans com HIV têm infecção por HPV de maior risco.
“Sabendo que o HPV de alto risco está mais relacionado ao câncer de colo do útero, eu notei que os homens trans não estavam inseridos neste estudo , sendo que o câncer de colo do útero está relacionado a pessoas com útero. Agora, a gente visa inserir todas as identidades trans para analisar melhor esse cenário.”
Estevam analisa ainda a dificuldade de dados sobre a saúde da população queer: “Quando a gente olha os poucos estudos sobre a população LGBTQIAP+ , eles focam mais em pessoas que vivem com o HIV/Aids , e mesmo que os estudos mostrem que essas pessoas têm HPV concomitante com o HIV, são poucos que demonstram qual é o tipo de HPV que está nessa infecção”, diz o especialista que afirma que existe “mais de 200 tipos de HPV.”
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Fotos: Reprodução/Google
“A maioria deles são de baixo risco oncológico, mas há 13 que são mais arriscados, relacionados a se transformarem em um câncer”, diz. Para o gerente médico, o estudo inova por estudar não só a infecção em si, mas também as diferenças entre os variados tipos e como estes estão inseridos em cada indivíduo.
Com isso, a pesquisa analisará os partes do corpo que o HPV pode estar, como boca, vagina, ânus, vulva, colo do útero, entre outros, para entender se de fato há uma maior incidência do HPV nesta população e, a partir dos resultados, criar dados que colaborem para um melhor entendimento e tratamento dentro da literatura médica para essa população que não é bem analisada, segundo o médico.
Fonte: com informações do Portal iG
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