16 de Maio de 2026

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Elas nos inspiram - 12/05/2024

Mães determinadas: Mulheres 50+ desafiam obstáculos e conquistam o diploma universitário

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Foto: Zo Guimarães/Folhapress

Nadilene Maria da Silva, 54, na UFRJ, onde cursa serviço social desde 2021, depois que seus filhos mais velhos já eram independentes e ela tinha apenas os gêmeos, hoje com 7 anos, para cuidar

Enquanto seus filhos já estão crescidos e independentes, mulheres com mais de 50 anos estão quebrando barreiras e embarcando em uma jornada inédita rumo à conquista do diploma universitário. Após décadas dedicadas à maternidade e muitas vezes privadas da oportunidade de educação durante a juventude, elas estão finalmente decidindo investir em si mesmas e perseguir o sonho da graduação.

 

"Com as reservas de vagas para alunos de baixa renda ou de escola pública, essas mulheres agora têm a chance de ingressar na universidade", destaca Graziele Aline Zonta, doutora em psicologia pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), cuja pesquisa se debruçou sobre a experiência universitária de estudantes com mais de 40 anos.

 

Uma dessas inspiradoras mulheres é Nadilene Maria da Silva, 54 anos, agente de inclusão em uma escola infantil e estudante de serviço social pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Sua história é marcada por sacrifícios e determinação. Desde os 13 anos, trabalhando como empregada doméstica, ela viu seus sonhos de estudo serem adiados. "O que vivi foi trabalho análogo à escravidão", desabafa Nadilene, que encontrou na educação a libertação para um passado de restrições.

 

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Josilene Nascimento Silva, 59, que se formou em psicologia em 2022 e só ingressou na faculdade

depois que filha já cursava em Artes Cênicas pela USP (Foto: Lucas Seixas/Folhapress)

 

Enquanto criava seus filhos e enfrentava desafios familiares, Nadilene adiou seus próprios sonhos em prol do bem-estar da família. Mas, com seus filhos agora adultos e estabelecidos em suas vidas, ela decidiu que era hora de focar em si mesma. "Agora é minha vez", declara com determinação.

 

No entanto, o caminho rumo à graduação não foi fácil. Nadilene teve que negociar o cuidado dos filhos mais novos enquanto se dedicava aos estudos, e enfrentou obstáculos no processo de aprovação no curso, prestando o Enem várias vezes até conseguir ingressar na universidade.

 

Graziele destaca que, apesar da determinação, estudar ao lado de colegas mais jovens pode gerar desafios. As diferenças de geração se refletem nas preferências de comunicação e métodos de pesquisa, o que por vezes resulta em preconceitos como o etarismo. "Para que velha fazendo faculdade?", é uma pergunta que Nadilene frequentemente ouve, enfrentando inicialmente a rejeição pela sua idade. No entanto, ela superou tais obstáculos com seu trabalho árduo e dedicação em sala de aula.

 

Assim como Nadilene, Josilene Nascimento Silva, 59 anos, também conquistou seu diploma universitário em psicologia em 2022, após décadas de adiamento de seus próprios sonhos em prol da família. Enquanto enfrentava dificuldades na formação de grupos de estudo devido à diferença de idade, Josilene encontrou apoio e amizade entre os colegas mais jovens, desafiando as expectativas e consolidando sua jornada de superação.

 

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Essas histórias de resiliência e determinação são um testemunho do poder da educação como agente de transformação e inclusão social. No entanto, Graziele ressalta a importância de políticas públicas contínuas que apoiem não apenas o acesso, mas também a permanência dessas mulheres na universidade, garantindo que suas jornadas educacionais sejam plenamente valorizadas e reconhecidas.

 

Fonte: com informações da Folha de S. Paulo

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