18 de Maio de 2026

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Meio Ambiente - 18/05/2026

Manaus choveu 28,6% mais em 2026 do que no mesmo período de 2025, aponta UEA

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Foto: Reprodução/Google

Janeiro entrou para a série histórica como o mês mais chuvoso já registrado na capital; meteorologista explica o que causou o contraste e o que esperar para junho

Manaus viveu em janeiro de 2026 o mês mais chuvoso de sua história — e o que se viu naquele mês era, de fato, somente o começo. De janeiro a abril, a capital amazonense acumulou 28,6% mais chuva do que no mesmo período de 2025, com volume 209 milímetros acima da média, segundo o LabClim-UEA.

 

Os dados são do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), que aponta um acumulado de chuva de 1.464 milímetros entre janeiro e abril deste ano, volume 209 milímetros acima da média climatológica para o período.Segundo o meteorologista do LabClim-UEA, Leonardo Vergasta, em 2025, o cenário foi diferente. Manaus acabou chovendo bem menos do que o esperado para os quatro primeiros meses do ano. Já em 2026, tem chovido mais do que se esperava para o período. Ele explica que o comparativo entre os dois anos mostra um aumento de 326 milímetros no acumulado de chuvas.

 

"De janeiro a abril de 2025, Manaus acumulou 1.138 milímetros de chuva, o que representou um déficit de 117 milímetros abaixo do normal para o período. Já em 2026, no mesmo intervalo, nós tivemos 1.464 milímetros acumulados, enquanto a climatologia aponta que o esperado seria 1.255 milímetros. Ou seja, já choveu 209 milímetros acima do normal na capital amazonense", explicou Leonardo.

 

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O meteorologista explica que, neste ano, houve mudança se comparado com o ano anterior. Janeiro de 2026 entrou para a série histórica como o mês mais chuvoso já registrado em Manaus, com 482 milímetros, quase 60% acima da média e praticamente o dobro do registrado no mesmo mês de 2025. Fevereiro também manteve o ritmo intenso, impulsionado pela combinação entre o La Niña e a forte umidade trazida do Atlântico. "Em março, as chuvas reduziram e ficaram próximas da média, abril ficou abaixo do esperado e, agora, em maio de 2026, mesmo sem o mês ter terminado, os acumulados já superaram mais de 77% do esperado para o período", afirmou.

 

Por que choveu tanto em Manaus em 2026? Meteorologista explica

 

De acordo com Vergasta, o comportamento das chuvas na região amazônica depende da atuação conjunta de grandes sistemas atmosféricos responsáveis por transportar calor e umidade para a Amazônia. Segundo ele, pequenas alterações nesse equilíbrio podem provocar mudanças rápidas no volume de chuvas e até impactos nos rios da região.

 

"A dinâmica do clima funciona como dois grandes 'elevadores invisíveis' da atmosfera. A Célula de Hadley puxa o ar quente e úmido próximo à Linha do Equador para cima, redistribuindo esse ar para outras regiões do globo, enquanto a Célula de Walker empurra o ar de leste a oeste sobre o Oceano Pacífico, influenciando diretamente as chuvas na América do Sul. Quando esses sistemas trabalham em harmonia, a Amazônia recebe chuvas regulares. Se um deles perde força ou sai de sincronia, o impacto aparece rapidamente nos rios e na floresta", detalhou.

 

O meteorologista relembra que 2025 exemplificou bem a instabilidade climática na Amazônia. Enquanto Pará e Amapá registraram chuvas acima da média em janeiro, Amazonas, Acre e Rondônia tiveram volumes muito abaixo do esperado devido à atuação da Célula de Walker, que favoreceu movimentos de ar descendente e dificultou a formação de nuvens. Como consequência, o Rio Solimões-Amazonas iniciou o ano em níveis preocupantes.

 

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"Entre fevereiro e março, houve retomada das chuvas impulsionada pela subida do ar quente e úmido e pela entrada de umidade vinda do Oceano Atlântico. Março foi o pico das chuvas em Manaus, com 395 milímetros acumulados, influenciado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical e da Alta da Bolívia, sistemas que ajudam na formação de tempestades sobre a região", explicou. Apesar da recuperação nos dois meses, o especialista relembra que as chuvas voltaram a diminuir nos meses seguintes e, em maio de 2025, Manaus registrou apenas 63 milímetros de chuva, menos de um terço da média esperada. Já em 2026, o cenário mudou, segundo ele, devido à atuação do fenômeno La Niña e do aumento do transporte de umidade do Oceano Atlântico, fatores esses que impulsionaram o aumento das chuvas sobre a capital Manaus.

 

Previsão para maio e junho de 2026 no Amazonas

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Segundo o 9° Boletim Hidroclimático Sazonal do Amazonas divulgado pelo LabClim-UEA, o mês de maio deve terminar com as chuvas acima da média no Alto Solimões (bacias do Napo e Marañon), faixa centro-norte do Amazonas e Pará, extremo leste paraense, Amapá e sul de Roraima. Nas demais áreas, deverá prevalecer o padrão climatológico. Já em junho, o esperado é que as chuvas entrem na normalidade climatológica em quase toda a bacia Amazônica, com exceção do setor noroeste, que poderá ter chuvas acima da média. 

 

Fonte: com informações Acrítica

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