16 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Especial Mulher - 24/02/2024

Maria de Miranda Leão: Conheça a história desta mulher inspiradora

Compartilhar:
Foto: Reprodução /Pesquisa no googleo

Maria de Miranda Leão

Manaus, 1887 – 1976 - No coração da região Norte do Brasil, uma figura notável marcou sua trajetória como pioneira na participação feminina na política amazônica: Maria de Miranda Leão. Professora, enfermeira e assistente social, Maria de Miranda dedicou sua vida ao ensino, à solidariedade e à incansável busca por avanços na condição da mulher na sociedade.

 

Nascida em 1887 em uma família de destacada atuação no Amazonas, Maria de Miranda teve um legado que transcendeu os limites do lar. Seu pai, o coronel José Coelho de Miranda Leão, foi um combatente contra os cabanos em Mundurucânia, em 1839, deixando um legado de engajamento político. A influência paterna e as críticas de seu pai, o professor e jornalista Manoel de Miranda Leão, moldaram desde cedo a perspectiva de Maria sobre a instrução pública e a necessidade de melhorias.

 

A atuação de Maria de Miranda não se restringiu ao ambiente doméstico. Em 1922, ingressou no Serviço Federal de Profilaxia Rural e fundou a Sociedade de Amparo à Maternidade e à Infância, precursora do Hospital Infantil Casa Dr. Fajardo. Seu trabalho como enfermeira e chefe dos serviços internos evidenciou seu compromisso com a saúde das crianças, especialmente em um período de desafios causados pela derrocada da exportação da borracha.

 

Veja também

 

Deputada Juliana Cardoso: Uma Trajetória de Compromisso e Luta pelos Direitos Sociais

"Sinto-me representada", diz advogada indígena após filiação no partido Rede Sustentabilidade

Maria de Miranda Leão | Brasiliana Fotográfica

Maria de Miranda Leão, 1935

 

Destacando-se como Mãezinha, Maria de Miranda estendeu sua atuação para a criação do primeiro preventório do Brasil, dedicado aos filhos de portadores de hanseníase. Seu compromisso com a assistência social ganhou contornos ainda mais amplos quando, com o apoio do Serviço de Profilaxia Rural, criou o primeiro preventório do Brasil, voltado ao cuidado dos filhos dos portadores de hanseníase.

 

Thumbnail

Participantes do III Congresso Nacional Feminista

em audiência com presidente Vargas, 1936

 

Além do trabalho assistencial, Maria de Miranda foi uma líder no movimento feminista. Membro da Federação Feminista Amazonense e uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), Maria de Miranda deixou uma marca indelével na luta pelos direitos das mulheres. Sua participação ativa nos eventos nacionais promovidos pela FBPF reflete seu compromisso com temas como sufrágio feminino, igualdade salarial e a quebra de estereótipos que limitavam a atuação da mulher ao lar.

 

Neste contexto realiza-se no Rio de Janeiro o 3º Congresso Nacional Feminista, que contou com a presença de autoridades como o presidente da República, Getulio Vargas, e o governador do Rio de Janeiro, Protogenes Guimarães. Maria de Miranda foi a oradora da sessão inaugural que apresentou um discurso intitulado “A missão da mulher no momento atual”, no qual fazia “a defesa do regime, a manutenção da ordem, a salvação da honra e da tradição, contra o sacrilégio devastador do comunismo”. Ficam evidentes os princípios católicos da família indissolúvel como alicerce da nação e a luta feminista como uma “cruzada santa”.

 

O pioneirismo de Maria de Miranda Leão na política amazonense (1935-1937)  Luciane Maria Dantas de Campos UFAM Resumo: as bras

Maria de Miranda Leão, 1936

 

Maria de Miranda deixa claro seu alinhamento à igreja católica condenando “a política sem Deus e contra Deus, ambiciosa e libertina”. Antecedido por um preâmbulo de cunho regionalista, mencionando as belezas e riquezas do Amazonas, em que cita os pacíficos e ordeiros Barés e os combativos Maués, Maria de Miranda enfatiza em seu discurso o caráter pacífico da “guerra” a ser empreendida pela mulher, “poder moderador capaz de trazer o homem à razão, quando levado pelos ímpetos próprios de sua natureza combativa, muitas vezes se afastada de caminho traçado.”. E conclui, em sua visão, o objetivo do congresso:

 

“Um dos pontos fundamentais é, por certo, a defesa do regime, a manutenção da ordem, a salvação da honra e da tradição contra o sacrilégio devastador do comunismo. (…) Se procura nos seduzir, garantindo à mulher todos os campos de ação social, a igualdade de valores e trabalhos com o homem, não nos deixaremos enganar. Queremos a vitória das nossas reivindicações, a nossa igualdade política e social, salário igual para trabalho igual. Mas a mulher do Brasil coloca acima de tudo Deus, a Fé, a honra, a dignidade, a força moral e a integridade da Pátria. (…) É essa a promessa, a clarinada guerreira, o juramento inflexível que a Mulher Amazonense vos manda por minha voz: Ouviremos a voz do Brasil e na luta estaremos na linha de frente, na brecha por Deus, pela Pátria, pela Raça.”

 

Maria de Miranda Leão / Beira-mar, 31 de maio de 1936

Fotos: Reprodução Google

 

Neste congresso foi votado o Estatuto da Mulher, a ser apresentado na forma de projeto de lei em outubro de 1937 à Câmara dos Deputados, por iniciativa das deputadas Bertha Lutz e Carlota Pereira de Queirós. Em seus 150 artigos, o projeto tinha como objetivo regulamentar os dispositivos constitucionais de proteção às mães e às crianças, tratava, em essência, de nacionalidade, direitos políticos, trabalho.

 

A incursão de Maria de Miranda na política foi marcante. Eleita deputada estadual na Assembleia Constituinte de 1935-1937 pela Liga Católica, tornou-se uma voz influente na defesa da atuação da mulher em todos os setores sociais e políticos. Sua atuação foi além das fronteiras do Amazonas, sendo reconhecida nacionalmente como uma das lideranças femininas mais expressivas.

 

Contudo, seu mandato foi interrompido em 1937, quando o Estado Novo fechou o legislativo federal e estadual. Após a democratização, tentou a reeleição em 1947, sem sucesso. Seu legado, entretanto, não se apaga. Reconhecida pelas autoridades locais, recebeu títulos de Cidadã Benemérita de Manaus, em 1957, e a Medalha Cidade de Manaus, em 1969.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Maria de Miranda Leão faleceu em 1976, deixando um legado de luta, pioneirismo e dedicação às causas femininas na Amazônia. Sua vida é uma inspiração para as mulheres que buscam ampliar seus espaços na sociedade e continuar a batalha por igualdade e justiça

 

Fonte de Pesquisa: Sita da Assémbleia Legislativa do AM / Site: Brasiliana Fotográfica / Pesquisa Google

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.