16 de Maio de 2026

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Celebridades - 17/05/2026

Mônica Carvalho chega a Cannes como roteirista e produtora: 'Hoje quero ser reconhecida pelo que penso e realizo'

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Foto: Reprodução/Google

Fui símbolo sexual, fiz personagens sensuais, adorei, me ajudou na carreira. Mas sempre quis mostrar que sabia fazer mais?, afirma.

Durante muitos anos, Mônica Carvalho ocupou no imaginário popular o lugar da mulher símbolo de beleza da televisão brasileira. Agora ela des,embarca no Festival de Cannes em uma posição que, segundo a própria atriz, levou mais de uma década para ser legitimada: a de roteirista, produtora e realizadora cinematográfica. Selecionado para o Marché du Film, da 79ª edição do Festival de Cannes, o longa ‘Deixe-me Viver’, estrelado por Mônica, Cat Dantas e Humberto Martins, será exibido no próximo dia 20 de maio, no Palais C, levando ao maior mercado internacional de cinema uma história feminina sobre amor, finitude, maternidade e o valor do tempo.

 

“Sou mãe de duas meninas, uma de 21 (Yaclara) e outra de 10 anos (Valentina), e comecei a refletir muito sobre a passagem dos anos e sobre a qualidade do tempo que dedicamos ao lado das pessoas que amamos. Hoje está tudo muito acelerado, me percebi vivendo nessa velocidade também, sempre ocupada. Quis falar sobre a existência e o tempo no mundo atual, dentro das relações”, conta ela, que também produz e estrela ‘45 Dias‘, baseado na história do multiatleta Roger Chedid, que viveu durante 17 anos com o pescoço quebrado sem saber. O filme, estrelado por Paulo Vilhena e dirigido também por Walther Neto, reforça uma linha narrativa que Mônica parece assumir cada vez mais como marca autoral: histórias de superação, reconstrução e protagonismo humano.

 

Reverenciada como ‘símbolo sexual’ nos anos 1990, ela recorda que na época já foi até chamada de ‘The Body’ (‘O Corpo’) brasileiro; Mônica hoje brinca que gostaria de ser reconhecida por outro título: ‘The Brain’ (‘O Cérebro’). A fala revela um movimento profundo de reposicionamento profissional. “’The Brain’ seria maravilhoso (risos), porque é a cabeça que comanda tudo. Você ter saúde mental te dá muitas certezas e segurança na vida. Faz você acreditar, ter fé. Hoje quero ser reconhecida pelo que realizo. Não me permito mais ser colocada em ‘caixinhas’. Fui símbolo sexual, fiz personagens sensuais, adorei, me ajudou na carreira. Mas sempre quis mostrar que sabia fazer mais”, afirma.

 

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Após mais de 10 anos ouvindo negativas dentro do mercado audiovisual, Mônica diz viver agora um momento especialmente gratificante “Outro dia ouvi o Walther Neto falando em uma entrevista: ‘Estou aqui com a Mônica, que é uma grande roteirista’. E aquilo mexeu comigo. Pensei: ‘Nossa, estão começando a reconhecer o meu trabalho'”. Está valendo a pena trabalhar e acreditar no sonho de ser uma realizadora no cinema – Mônica Carvalho

 

Chegar ao Festival de Cannes com um longa protagonizado e construído majoritariamente por mulheres também carrega um significado simbólico dentro de uma indústria que ela define como historicamente masculina. “É a plena construção de um sonho”, resume. Em ‘Deixe-me Viver’, que deve estrear no Brasil ainda em 2026, após cumprir o circuito de festivais internacionais; além do protagonismo feminino em cena (com oito atrizes no elenco principal contra três atores homens), a força das mulheres também atravessa os bastidores, começando pela própria escrita do roteiro, assinada em parceria com Michele Muniz (e Marcelo Corrêa). “Chegar no Marché du Film antes parecia inalcançável. Sempre sonhei, mas nunca imaginei que eu poderia estar ali contando essa história, levando um elenco de mulheres lindas, maravilhosas”.

 

A atriz acredita que, embora profundamente brasileira, a produção dialoga com emoções universais. “Falo sobre dor, perda, amor, relacionamento, família. Lá no Japão, no Oriente, vão entender a linguagem desse filme”. E destaca, que o eixo central da narrativa está justamente na dimensão do amor materno. “É um amor incondicional que só quem é mãe realmente sabe”, diz, sobre o roteiro que acompanha Julia (Cat Dantas), uma jovem diagnosticada com câncer terminal, que decide interromper o tratamento para viver os últimos meses de vida ao lado da mãe, Andrea, interpretada por Mônica. Entre conflitos familiares, dilemas éticos e embates com o sistema hospitalar, mãe e filha embarcam em uma jornada de despedidas e reconexão afetiva ambientada em Trancoso, na Bahia.

 

 

 

Mônica acredita que parte da resistência que enfrentou ao migrar para os bastidores do audiovisual também está ligada à forma como o mercado brasileiro costuma limitar os artistas a funções. “Se você é atriz, só pode ser atriz. Não pode cantar, dirigir, produzir. Botam você naquela prateleira”, analisa. Para ela, o cenário internacional ainda oferece mais liberdade criativa aos intérpretes, que frequentemente desenvolvem suas próprias produtoras e escolhem os projetos que desejam contar.

 

Além disso, Mônica afirma que precisou enfrentar anos de resistência para ser reconhecida além da aparência física. “Foram muitas negativas. Teve momentos em que eu chegava em casa e pensava: ‘Será que estou no caminho certo?’. Mas no dia seguinte acordava e falava: ‘Não, eu vou continuar. Eles vão ver que vou conseguir’”, relembra Mônica, que já desenvolve novos projetos cinematográficos. Por isso, minha dica é: não acredite nos ‘nãos’. Continue persistindo na construção do seu sonho – Mônica Carvalho

 

Beleza e amadurecimento

 


Apesar de ter enfrentado diversos obstáculos para se estabelecer no audiovisual, ela frisa que tem orgulho da sua história e reconhece que a beleza teve um papel importante no início de sua trajetória artística. “Não tenho nenhum problema com isso. Pelo contrário. Quando fiz a abertura de ‘Mulheres de Areia’, foi a beleza que chamou atenção”. Para a atriz, no entanto, a aparência pode até abrir portas, mas não sustenta uma carreira sozinha.

 

 

Fotos: Reprodução/Internet

 

A beleza é um poder muito grande. A beleza é um poder, a inteligência é um poder. A beleza pode te abrir as portas, mas não vai te manter em nenhum trabalho. Você pode ter uma oportunidade muito grande na vida, mas, se você não se aprimorar dentro do seu trabalho, você vai ficar para trás – Mônica Carvalho

 

Mônica diz que aprendeu a olhar para a passagem do tempo de maneira menos angustiada e mais consciente. E observa que a maturidade também significa parar de lutar contra os processos inevitáveis da vida, inclusive o envelhecimento, e transformar experiências em ferramentas de fortalecimento pessoal. “Hoje não sou mais aquela menina de 20 anos. Tenho sonhos, mas não tenho mais ilusão, inocência. Sei que a gente encontra barreiras. Os ‘nãos’ fazem parte da vida. A frustração faz parte do crescimento”. A atriz conta que, durante muito tempo, precisou aprender a diferenciar críticas construtivas de ataques gratuitos. “Recebo críticas e tento entender o que posso tirar dali. Hoje tenho mais certezas do que inseguranças. Tento entender onde está a verdade e onde está a crítica maldosa. maturidade, tudo que passei e tudo que já sofri me ajudam a diferenciar um lugar do outro”.

 

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Essa cobrança de que a mulher não pode envelhecer, não me bate mais. Já tenho idade suficiente para entender, aceitar e me amar do jeito que sou e estou – Mônica CarvalhoMônica relembra ainda um episódio recente nas redes sociais, quando recebeu comentários sobre o próprio corpo após publicar uma foto de biquíni. “Outro dia eu postei uma foto e comentaram: ‘Você está com a perna mole’. As pessoas não têm o menor pudor de fazer esse tipo de comentário. Mas não me incomoda. Eu rio. Eu fico pensando: ‘Nossa, coitada dessa pessoa’”, porque isso fala muito mais sobre ela, do que sobre mim. Não me afeta, sei quem sou e o que quero para a minha vida, então me blindo desse tipo de coisa”. 

 

Fonte: com informações iG

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