23 de Junho de 2026

NOTÍCIAS
Violência contra Mulher - 23/06/2026

MPAM apura falhas no atendimento a mulheres vítimas de violência em delegacia de Manaus e acende alerta sobre rede de proteção

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

O Portal Mulher Amazônica entende que toda mulher que procura ajuda do Estado deve ser recebida com respeito, dignidade e acolhimento.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher Sul/Oeste (DECCM Sul/Oeste), em Manaus. A investigação busca acompanhar as condições estruturais e operacionais da unidade, após a identificação de problemas que podem comprometer o acolhimento oferecido às mulheres em situação de violência.

 

A apuração chama atenção para um ponto fundamental da rede de proteção: o atendimento inicial às vítimas precisa garantir não apenas o registro da ocorrência, mas também acolhimento, orientação e encaminhamento adequado. Quando uma mulher procura uma delegacia especializada, geralmente está em um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Por isso, falhas estruturais, ausência de equipes ou dificuldades no atendimento podem representar obstáculos adicionais para quem busca romper um ciclo de violência.

 

Veja também 

 

Quem é a cantora iraniana condenada a 74 chibatadas por cantar sem hijab?

Campanha alerta para relação entre álcool e violência contra a mulher durante Copa do Mundo

A porta de entrada da proteção não pode falhar

 

 

 


As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher representam uma das principais portas de entrada da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar. É nesses espaços que muitas vítimas registram denúncias, solicitam medidas protetivas e buscam orientação para romper ciclos de violência. Quando essa estrutura apresenta fragilidades, todo o sistema de proteção é impactado. Uma mulher que decide denunciar um agressor já enfrenta barreiras emocionais, sociais e econômicas. Muitas vezes, ela teme represálias, depende financeiramente do agressor ou sofre pressões familiares para permanecer em silêncio. Ao procurar ajuda, espera encontrar profissionais preparados, ambiente acolhedor e respostas rápidas. Qualquer deficiência nesse atendimento pode significar o retorno da vítima ao ambiente de violência, aumentando os riscos de novas agressões e até de feminicídio.

 

A violência contra a mulher continua sendo uma emergência social

 


Embora o Brasil tenha avançado com legislações como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, os números continuam alarmantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, milhares de mulheres sofrem violência doméstica todos os anos, e grande parte dos casos sequer chega ao conhecimento das autoridades. O medo, a vergonha e a descrença nas instituições ainda são fatores que silenciam inúmeras vítimas. Na Região Norte, os desafios tornam-se ainda maiores devido às dimensões territoriais, dificuldades de acesso aos serviços públicos e insuficiência de estruturas especializadas em alguns municípios. Nesse contexto, cada equipamento da rede de proteção assume importância estratégica. Delegacias, centros de referência, casas de acolhimento, Defensoria Pública, Ministério Público, Judiciário e serviços de assistência social precisam atuar de forma integrada. Quando um desses elos enfraquece, toda a corrente de proteção fica comprometida.

 

A importância do Sapem

 

 

Entre os problemas apontados está a ausência do Sistema de Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), serviço fundamental para garantir suporte multidisciplinar às vítimas. O Sapem oferece acolhimento psicológico, orientação social e encaminhamentos necessários para que mulheres em situação de violência possam reconstruir suas vidas com segurança e dignidade. A inexistência ou insuficiência desse atendimento dentro da rede especializada representa uma perda significativa para as vítimas, que muitas vezes necessitam não apenas da proteção policial, mas também de acompanhamento emocional e social. A violência doméstica não deixa apenas marcas físicas. Ela provoca danos psicológicos profundos, afetando autoestima, saúde mental, vínculos familiares e perspectivas de futuro.

 

O papel do Ministério Público

 

 

A atuação do Ministério Público demostra a relevância dos mecanismos de controle externo das atividades policiais. Ao instaurar procedimento administrativo para apurar as denúncias, a instituição cumpre sua função constitucional de fiscalizar a efetividade dos serviços públicos e garantir que os direitos fundamentais sejam respeitados. Mais importante do que identificar falhas é assegurar que as correções sejam implementadas de forma célere e eficiente. As mulheres amazonenses não podem esperar. Cada dia sem estrutura adequada representa risco para quem busca proteção.

 

Mais do que investigar, é preciso agir

 

A investigação do MPAM deve servir como oportunidade para fortalecer a política pública de enfrentamento à violência contra a mulher em Manaus. A sociedade espera que as irregularidades sejam corrigidas, que as equipes sejam recompostas, que os serviços especializados sejam restabelecidos e que a estrutura física da unidade seja adequada para garantir um atendimento humanizado. O combate à violência contra a mulher exige investimentos contínuos, capacitação permanente dos profissionais e compromisso político com a proteção das vítimas. Não basta possuir leis avançadas. É necessário garantir que elas funcionem na prática.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O Portal Mulher Amazônica entende que toda mulher que procura ajuda do Estado deve ser recebida com respeito, dignidade e acolhimento. A denúncia de falhas em uma delegacia especializada preocupa porque evidencia fragilidades em um serviço essencial para a proteção da vida.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

Defendemos o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra a mulher, a ampliação dos investimentos em políticas públicas voltadas à proteção feminina e a garantia de atendimento humanizado em todas as unidades especializadas. Nenhuma mulher deve enfrentar sozinha a violência. E nenhuma instituição criada para protegê-la pode falhar em sua missão. A proteção das mulheres não pode ser tratada como prioridade secundária. Trata-se de um dever do Estado e de um compromisso de toda a sociedade.

 

Fontes:
Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM)?
Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) – Planalto?
Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) – Planalto?
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.