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Elas nos inspiram - 05/05/2022

Mulheres dos escombros: a participação feminina esquecida na reconstrução pós-guerra

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Foto: Reprodução

"Mulheres dos escombros" trabalham na Alemanha

“As mulheres estão associadas ao trabalho que ninguém vê”, explica Maria Johanna Schouten, professora do Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior, em Portugal. Durante as guerras, aquelas que permanecem em suas cidades têm a difícil responsabilidade de cuidar de toda uma comunidade e depois reconstruí-la após o cessar-fogo.

 

Na Segunda Guerra Mundial, as Trümmerfrauen, termo em alemão que significa "mulheres dos escombros", representaram uma prova da realidade esquecida de que as mulheres são fundamentais para a reconstrução de um países após um período de ofensivas militares.

 

Um dado do Fórum inglês History & Policy revela que 6 em cada 10 casas foram destruídas na cidade alemã de Colônia e quase todas as reisdências da cidade de Düsseldorf, no oeste da Alemanha, ficaram inabitáveis.

 

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“O que as mulheres têm feito ao longo da história é primeiro arrumar os restos, retirar pedras e destroços, para que pelo menos possam andar pelas ruas, só depois conseguem começar a construção de abrigos provisórios”, explica Schouten.

 

Essa etapa inicial da reconstrução era primordial para na sequência se restabelecer as cidades com o trabalho de engenheiros e arquitetos. A especialista explica que as mulheres tiveram uma grande participação na construção civil do pós-guerra. A atividade foi inusitada, já que nos anos 1940 a área não era relacionada ao trabalho

 

Maria Johanna explica que a presença feminina na reconstrução pós-guerra da Alemanha não foi um fenômeno em massa e que a maior parte das alemãs não participou desse momento do país. No entanto, esse fato tira a importância das mulheres para o período em que o país estava se reerguendo depois de anos de bombardeios das tropas inimigas.

 

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O trabalho das “mulheres dos escombros" acontecia de forma voluntária ou assalariada. A professora aponta que nem todas ajudaram no processo apenas pelo amor à sua pátria, já que havia uma pressão social para que participassem.

 

Além disso, havia um aspecto relacionado à honra manchada. “Muitas foram estupradas na Alemanha no fim da guerra, perderam sua dignidade e existia a ideia de querer contribuir para a sociedade após o trauma. Elas foram duplamente castigadas, faziam tudo para compensar a honra perdida.”

 

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Devido à invasão russa no território ucraniano, várias cidades do país estão em ruínas. Mariupol, ponto de intensa disputa entre Moscou e Kiev, está 90% destruída. Kharkiv, segunda maior cidade do país, sofreu com vários bombardeios e chegou a ser chamada de “terra de ninguém”.

 

Para além dos que ficaram, a cada cinco ucranianos que deixaram o país, pelo menos um retornou, segundo a ONU. O professor de relações internacionais da Facamp (Faculdades de Campinas) James Onnig explica que um dos motivos do retorno é o medo de invasão e saque das propriedades no país.

 

A professora Maria Johanna acredita que as ucranianas terão um papel ativo na reconstrução do território após o fim do conflito. “Na Primeira Guerra Mundial, Mariupol, Sebastopol e Odessa foram destruídas e foi nessa altura em que as mulheres viveram a mesma atuação.

 

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“Atualmente, tiveram mais acesso à educação, portanto, pode ser que também trabalhem como engenheiras e arquitetas no pós-guerra”, completa.

 

Devido à invasão russa no território ucraniano, várias cidades do país estão em ruínas. Mariupol, ponto de intensa disputa entre Moscou e Kiev, está 90% destruída. Kharkiv, segunda maior cidade do país, sofreu com vários bombardeios e chegou a ser chamada de “terra de ninguém”.

 

Para além dos que ficaram, a cada cinco ucranianos que deixaram o país, pelo menos um retornou, segundo a ONU. O professor de relações internacionais da Facamp (Faculdades de Campinas) James Onnig explica que um dos motivos do retorno é o medo de invasão e saque das propriedades no país.

 

A professora Maria Johanna acredita que as ucranianas terão um papel ativo na reconstrução do território após o fim do conflito. “Na Primeira Guerra Mundial, Mariupol, Sebastopol e Odessa foram destruídas e foi nessa altura em que as mulheres viveram a mesma atuação.

 

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“Atualmente, tiveram mais acesso à educação, portanto, pode ser que também trabalhem como engenheiras e arquitetas no pós-guerra”, completa.

 

As capacidades femininas muitas vezes só são levadas em conta em momentos de emergência. O reconhecimento é tardio e os retrocessos vêm em seguida. Com o término da guerra, nos anos 1950, os homens começaram novamente a empurrar suas companheiras para o ambiente doméstico, com o objetivo de reconquistar seu papel na sociedade.

 

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Fotos: Reprodução

 

Foi apenas no nos anos 1960, com a “segunda onda feminista”, que houve uma revolução de pensamentos e reinvindicações sobre a desigualdade de gênero e na década seguinte surgiu uma participação política mais evidente.

 

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Para Maria Johanna, “em geral as pessoas falam menos sobre as mulheres do que sobre os homens, elas são vistas em primeiro lugar como mães. Há muitas sociedades em que se diz que os homens vão à guerra, enquanto a guerra das mulheres é o parto.”

 

Fonte: Portal R7

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