Independentemente de quem ? ou o quê ? estava naquele barranco em 1996, Varginha conquistou seu lugar no mapa das grandes lendas modernas.
Em janeiro de 1996, na cidade de Varginha (MG), três jovens relataram ter visto uma criatura estranha em um terreno baldio. O episódio rapidamente ganhou dimensão nacional e, mais tarde, internacional. Conhecido como “ET de Varginha” ele envolveu relatos de civis, bombeiros, militares e até profissionais de saúde. Três décadas depois, continua sendo um dos episódios mais famosos, e controversos, da ufologia brasileira.
Entre depoimentos dramáticos, investigações independentes e negativas oficiais, o caso oscilou entre o mistério e o folclore. Ao longo dos anos, surgiram novas versões, retratações e análises céticas, que colocaram em dúvida partes fundamentais da narrativa original. Ainda assim, o episódio permanece vivo no imaginário popular.
Três décadas depois, o caso ainda divide opiniões: há quem jure que viu, quem diga que inventou e quem aproveitou para vender lembrancinhas em forma de ET. Entre militares, ufólogos, militares e médicos, as versões se multiplicam como estrelas em noite clara. E se a verdade está lá fora, como diria a série Arquivo X, em Varginha ela também está nas caixas d’água em formato de nave, nos murais coloridos e no Memorial do ET, que hoje recebe turistas de vários países.
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O que foi o episódio do ET de Varginha?
Nossa história começa em 20 de janeiro de 1996, na cidade de Varginha, no sul de Minas Gerais. Naquela tarde, três jovens relataram ter visto uma criatura de aparência incomum em um terreno baldio no bairro Jardim Andere. Segundo os relatos, o ser teria pele escura, olhos grandes e avermelhados e estaria agachado próximo a um muro.
Mas os fatos, como bons fatos costumam fazer, antecedem o grande dia. Já na madrugada do dia 13 de janeiro, o casal Eurico e Oralina Freitas, residentes em uma fazenda entre Varginha e Três Corações, relatou comportamentos estranhos no gado e o avistamento de um objeto voador em formato de charuto sobrevoando o pasto, a baixa altitude.
A partir do dia 20, no entanto, o caso deixou de ser rumor rural e se tornou fenômeno internacional: nos dias seguintes, a história ganhou rápida repercussão local e, posteriormente, nacional, com relatos adicionais sobre luzes no céu, movimentações atípicas na cidade e a presença de viaturas militares e de resgate.
O que exatamente disseram os moradores?
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A descrição feita pelas três jovens que foram as primeiras supostas testemunhas, Kátia Andrade Xavier, Liliane Fátima Silva e Valquíria Aparecida Silva, era detalhada e, ao longo de três décadas, nunca mudou. O ser tinha cerca de 1,60 metro de altura, pele marrom-escura ou avermelhada, olhos grandes e vermelhos, cabeça desproporcional e um odor forte, descrito como enxofre ou amônia. Nos dias que se seguiram ao relato das jovens, a cidade fervilhou de novos testemunhos.
Um dos depoimentos marcantes é o do professor de geografia Carlos de Souza, que afirmou ter visto uma nave de formato cilíndrico, semelhante a um “charutinho”, descendo lentamente em um ângulo de 30 graus. Ele descreveu o objeto, de cerca de sete metros, com a lateral rasgada, soltando fumaça branca e exalando um cheiro forte de ovo podre. Outros moradores relataram ter visto um objeto esfumaçado e cilíndrico, comparado a um submarino, voando baixo e se movendo lentamente por cerca de 40 minutos. Essas descrições ajudaram a criar a narrativa de que uma espaçonave havia caído na região e que seus tripulantes estavam sendo recolhidos pelas autoridades. E para aumentar a aura de mistério, outros moradores de Varginha afirmaram terem visto intensa movimentação de veículos militares, incluindo caminhões do Exército e do Corpo de Bombeiros: um desses caminhões teria transportado algo coberto por lona. Na época, um bombeiro disse ter participado da captura do suposto ET, e um cabo do Exército afirmou ter visto a criatura em um hospital.
O caso ainda ganhou uma dimensão trágica quando um oficial de inteligência, Marco Eli Chereze, morreu de infecção generalizada pouco depois dos acontecimentos, e correu o boato de que a doença teria sido provocada pelo contato com o ET. O laudo da autópsia, conforme registros oficiais, apontou causa mortis natural, sem qualquer confirmação de algum elemento extraordinário.
Quem é o ufólogo Vitório Pacaccini e qual seu envolvimento no episódio?

Vitório Pacaccini é um dos primeiros e mais persistentes pesquisadores do caso “ETs de Varginha” e coautor do livro O Incidente em Varginha. Desde a infância, ele teve contato com amigos e pais de militares formados pela ESA (a Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações), e, em 1996, vários desses amigos eram oficiais graduados que se tornaram supostas “fontes” fundamentais de sua pesquisa de campo. Pacaccini afirma que sua pesquisa consumiu centenas de horas e interferiu drasticamente em sua vida pessoal e profissional, chegando a morar por cerca de dois anos em Varginha exclusivamente por conta das investigações.
Com o tempo, suas afirmações foram se tornando cada vez mais elaboradas. Em 2012, ele afirmou ter sido levado por militares amigos a um lugar secreto, onde teria assistido cinco vezes a um vídeo de 35 segundos mostrando uma das criaturas capturadas: um ser com cabeça em forma de gota, olhos vermelhos sem pupilas e um pequeno rasgo na boca, em estado de grande fragilidade. O ufólogo, no entanto, nunca apresentou o tal vídeo publicamente, mas foi o rosto da denúncia contra o “acobertamento” oficial por muitos anos.
Um neurologista chamado Ítalo Venturelli afirmou mesmo ter visto imagens de uma cirurgia em um “ser não humano”?
Este é um dos relatos mais perturbadores do caso, justamente pela fonte. Ítalo Venturelli, respeitado neurologista com quase 50 anos de carreira e ex-diretor de três hospitais em Varginha, afirmou ter presenciado, em janeiro de 1996, um “ser estranho” com características não humanas em um leito hospitalar da cidade. Ele relatou também ter assistido a um vídeo que mostraria uma cirurgia realizada na suposta criatura.
Segundo Venturelli, ele foi chamado ao hospital para verificar o estado de um paciente operado por ele naquele dia e se deparou com a situação inesperadamente, sem qualquer planejamento de testemunhar o que acabou testemunhando. A descrição que ele forneceu difere das versões populares consolidadas: a criatura apareceu como um ser branco, com crânio em forma de gota e olhos lilás, sem traços agressivos. A cirurgia teria sido gravada em vídeo por outro médico, já falecido. Embora ele mantenha uma postura cautelosa e profissional, suas declarações sobre a existência de um registro visual da operação alimentam até hoje as teorias de que o material biológico extraterrestre passou por mãos médicas brasileiras antes de ser entregue a autoridades estrangeiras. O que disseram os bombeiros de Varginha?
Essa parte do caso foi, durante anos, seu núcleo mais dramático. Uma das peças mais conhecidas era uma fita cassete, na qual um bombeiro afirmava que a criatura capturada “não era deste mundo”. O depoimento circulou amplamente e se tornou uma espécie de prova sonora para os defensores do caso. Em 2019, o autor da gravação foi localizado por pesquisadores e afirmou que tudo não passou de uma encenação. Em áudio posterior, ele negou a história e disse ter sido influenciado a gravar o depoimento.
Entretanto, depoimentos colhidos por ufólogos descrevem uma operação coordenada na manhã de 20 de janeiro. Quatro bombeiros teriam capturado a primeira criatura usando uma rede de caça, notando que o ser era extremamente ágil, mas parecia debilitado.A temperatura da pele do ser parecia ser mais alta do que qualquer humano e a criatura não emitia sons vocais, apenas um ruído que lembrava um enxame de abelhas. Um destes bombeiros manteve sua versão mesmo 30 anos depois, mas sob condição de anonimato, o que limita qualquer verificação mais conclusiva.
Militares brasileiros se envolveram na investigação?
Um Inquérito Policial Militar foi instaurado com fundamento nas notícias veiculadas pela imprensa e por publicações especializadas que imputavam às Forças Armadas suposta participação na captura e no transporte da criatura extraterrestre em Varginha. O documento, com 600 páginas divididas em dois volumes de 300 páginas cada, ficou sob guarda do Superior Tribunal Militar (STM) por anos e foi disponibilizado para consulta pública apenas recentemente.
O IPM detalhou itinerários, horários de saída e retorno de viaturas militares mencionadas nas versões divulgadas. Motoristas e seus superiores hierárquicos ouvidos negaram a história. Todos os militares citados em reportagens da época foram formalmente ouvidos no IPM e negaram qualquer participação no suposto episódio. A conclusão foi inequívoca: não há indícios de envolvimento das Forças Armadas e o inquérito foi arquivado em 1997.
O ET chegou ao Poder Judiciário por meio de três ações distintas, ajuizadas entre 2021 e 2022 na Justiça Federal, todas com o objetivo de obter acesso a documentos sigilosos. Posteriormente, os próprios autores requereram a desistência, que foi homologada pelo juízo, resultando na extinção sem resolução do mérito. Ou seja: quem mais fez barulho sobre o suposto acobertamento foi também quem mais recuou na hora de provar judicialmente o que afirmava. A história alcançou repercussão internacional?
Investigadores estrangeiros, como o americano Stanton Friedman, visitaram a cidade. A repercussão foi tamanha que até hoje o Brasil é visto como um “hotspot” ufológico. Varginha chegou a ser apelidada de “Roswell brasileira”, em referência à famosa cidade norte-americana ligada a OVNIs. Veículos de prestígio como o The Wall Street Journal , a CNN e até a revista Nature cobriram o fenômeno. Em julho de 1996, a imprensa norte-americana já noticiava que a cidade mineira começava a lucrar com a história. Trinta anos depois, a repercussão não arrefeceu. Em janeiro de 2026, uma coletiva de imprensa realizada em Washington reuniu testemunhas e relatos escritos alegando provar a queda de um OVNI e o contato com entidades biológicas não humanas em Varginha. A conferência foi organizada pelo jornalista investigativo James Fox, diretor do documentário Moment of Contact, que conta detalhes do caso. O Pentágono chegou a divulgar uma nota afirmando que não há evidências de que o fenômeno de Varginha tenha origem extraterrestre.
No fim das contas qual é a versão oficial do caso?
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Fotos: Reprodução/Google
O Superior Tribunal Militar liberou o acesso digital ao Inquérito Policial Militar, instaurado em março de 1996, que concluiu que o episódio não passou de uma história fantasiosa, iniciada em um dia de forte tempestade, e não encontrou nenhuma evidência de captura ou transporte de criaturas extraterrestres. A versão oficial é que as jovens viram um morador local conhecido como “Mudinho” (Luis Antônio de Paula), um homem com problemas mentais que costumava ficar agachado e tinha o hábito de coletar materiais no terreno baldio. Devido à chuva e à luz precária, as meninas teriam se confundido.
Sobre a movimentação militar nos hospitais, a versão oficial afirmou que o Hospital Regional recebeu o corpo de um recém-nascido deformado e que a presença do Exército se devia a burocracias de transporte. Para os céticos, esse desfecho encerrou a questão. Para os teóricos da conspiração de plantão, esta é justamente a explicação mais convincente de que há algo a ser encoberto. Afinal, dizem eles, por que o Exército abriria um inquérito de 600 páginas para investigar o avistamento de um homem com deficiência e que já era conhecido pelas três garotas?
Como a cidade de Varginha se aproveitou do caso?
Hoje, Varginha é um museu a céu aberto do imaginário ufológico. Logo na entrada da cidade, placas dão as boas-vindas à “Cidade do ET”. No centro, na Praça Marechal Floriano, há uma estátua estilizada de um extraterrestre e uma caixa d’água em formato de nave espacial, que se tornaram a principal parada de turista. Há souvenires, chaveiros, bonecos e camisetas vendidos em bancas espalhadas por toda a cidade. Um dos pontos mais importantes do turismo ufológico de Varginha é o Memorial do ET, inaugurado em 2022. Em formato de nave, o espaço cultural e turístico reúne registros produzidos ao longo das últimas três décadas como documentos, reportagens nacionais e internacionais, livros, revistas estrangeiras, vídeos, depoimentos e materiais relacionados às investigações.
Fonte: com informações Agenda do Poder
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