Quando tudo é prioridade, nada é prioridade. Por isso, o combate à fome precisa ser mais discutido pelos presidenciáveis.
Trinta e três milhões e cem mil brasileiros vão dormir todas as noites com fome. Muitos, milhares deles, dormem ao relento, nas ruas das cidades, nas estradas vicinais, nas praças.
Não dá para esperar a inflação baixar, a economia florescer e o blablablá do economês dos candidatos. Quem tem fome tem pressa.
Um levantamento do governo de São Paulo apontou que o Auxílio Emergencial, hoje ligado ao Auxílio Brasil, não chegou a essas pessoas no estado. Há, no caminho, um descompasso entre quem tem mais necessidade e o público atingido pelos benefícios.
Veja também

Ministro da Defesa pede nova reunião com Alexandre de Moraes
Receita abre consulta ao 4º lote de restituição do Imposto de Renda

Você pode dizer que a fome é o efeito da crise econômica, do governo Bolsonaro, da pandemia, da guerra na Ucrânia, da borboleta azul que bateu as asas em algum país da África. Mas ela está aqui e cresce diante dos olhos de todos.
O fato e os dados são estes: 33,1 milhões de pessoas com fome e mais da metade do Brasil (125,2 milhões) vive em situação de insegurança alimentar, o que significa algum nível (de mais leve a grave) de necessidade de alimentos.
Você pode dizer: “mas é a economia, estúpida! E por isso falamos tanto dela.” OK. Mas e a fome? O que será feito no primeiro dia de janeiro, seja quem for o/a presidente? Por que, até agora, nas sabatinas da Globo, por exemplo, nem jornalistas nem candidatos trataram com profundidade esse tema?

Mais gordinho, o auxílio do governo chegou para milhões de brasileiros, com seus R$ 600 garantidos até o final do ano. O promessômetro dos candidatos diante dessa “bondade” dos bolsonaristas estourou. É promessa que não acaba mais. É até engraçado -- se não muito triste -- ouvir o discurso social de hoje de gente que dizia, até pouco tempo atrás, que o Bolsa Família era uma esmola, que as mulheres iriam engravidar para receber ali uns R$ 80/mês por ter mais um filho, que não se podia dar o peixe e sim a vara de pescar.

Fotos: Reprodução
É sobre isso que tratamos na semana passada: como o discurso dos candidatos fica longe dos problemas reais. E como a campanha pode caminhar para outros temas que sequer fazem parte do trabalho de um governante.
Quando tudo é prioridade, nada é prioridade. Por isso, o combate à fome precisa ser mais discutido, precisa valer mais do que um PIX de R$ 600 a depender da boa vontade do/a presidente eleito/a. Um PIX que olha mais para a eleição do que para o futuro, convenhamos.
Fonte: Portal Terra
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.