O risco é de repetição de atos antidemocráticos financiados por empresários. Alguns desses são investigados pelas manifestações do ano passado
O grupo de empresários alvo de operação da Polícia Federal não está sendo investigado por serem bolsonaristas, como o bolsonarismo quer vender.
O fato é que esses mesmos empresários estão sendo investigados pela suspeita de financiamento às manifestações do 7 de setembro do ano passado. E agora apareceram nessa conversa no WhatsApp, divulgadas pelo jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles, defendendo a ditadura e o golpe de Estado, caso o atual presidente perca as eleições. Isso é que está por trás da ação contra eles. Há risco de que sejam reincidentes no financiamento de atos antidemocráticos.
Por isso, a Polícia Federal tinha mesmo que fazer o que fez e pedir a ação de ontem de apreensão de celulares e quebra do sigilo bancário. Eles podem estar indo além das palavras. Estamos chegando a outro 7 de setembro, com novamente um ambiente de tensão se formando.
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A entrevista do presidente do Supremo, Luiz Fux, ao jornal “O Globo” de domingo é muito reveladora do grau de risco pelo qual as instituições passaram no ano passado, quando os ataques ao Supremo estimuladas pelo próprio presidente da República. Fux disse que houve um momento em que eles temeram que houvesse uma implosão do prédio do STF de tão perto que os manifestantes chegaram. E eles vieram de várias partes do país, de ônibus.
Quem financiou isso? Essa pergunta ainda não está respondida, mas os indícios apontam para alguns desses empresários que agora estavam lá defendendo a ditadura naquele grupo de relacionamento.
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O procurador- geral da República Augusto Aras tomou as dores dos empresários e reclamou da ação. Alegou que não foi informado a tempo. Mas o ministro Alexandre de Moraes demonstrou que sim foi entregue, na segunda-feira na vice-procuradoria geral da República a informação de que seria realizada a operação na terça-feira.
O que está por trás da manifestação de irritação de Aras é o que acabou revelado pelo site jurídico “Jota”. Aras teria conversado com esses empresários. O teor das conversas pode não ser nada, ele é amigo de Meyer Nigri, da Tecnisa, um dos que defenderam o golpe de estado naquela conversa. Mas o fato de ser parte da conversação que agora será lida pela PF e por Moraes deixou Aras incomodado.

Há um outro detalhe dessa história que um jornalista de economia como eu não pode deixar de pontuar. Como capitalistas, esses empresários estão completamente equivocados ao defender a ideia de que os investidores continuariam fazendo negócios com o Brasil se o país voltar a ser uma ditadura.
Os tempos são outros. Não é como na guerra fria em que as ditaduras eram tratadas como parte da paisagem. Agora, o grande capital, os investidores, os fundos de investimento não aceitam esse tipo de prática antidemocrática.

Fotos: Reprodução
A questão é objetiva: a democracia é o único regime em que há segurança jurídica. Se o investidor for afetado em seus interesses, vai à Justiça, há como defender a natureza dos contratos.
A ditadura quebra todas as regras e impõe a vontade do poderoso da vez. É muito ruim para a economia, para os negócios e para os investimentos nas empresas brasileiras.
Fonte: Portal ImpactoMais
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