Em evento no MEC, Bolsonaro e Milton Ribeiro são fotografados ao lado dos pastores-lobistas Gilmar Santos e Arilton Moura
Quem lê neste momento, provavelmente nunca ouviu falar do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Igualmente, não sabe o que é fome nem tem filhos matriculados em escolas públicas paupérrimas Brasil afora. Quem me lê, muito provavelmente também, tem casa, comida, vestuário e saneamento básico adequados. Quem me lê, por fim, não tem a menor ideia do Brasil invisível, ou melhor, visível, sim, mas que costumamos fitar apenas por meio segundo e com o cantinho dos olhos.
A arrecadação federal de impostos bate sucessivos recordes. A economia está bombando, a renda está em alta, o consumo explodiu? Não. Ao contrário! Poucas vezes na história estivemos tão mal. Ocorre que os impostos, no Brasil, são cobrados, em grande parte, sobre o faturamento, sobre a venda de bens e serviços. Quanto maior o valor de uma nota fiscal, seja de 1 kg de chuchu ou de uma Ferrari do ano, mais grana corre para o cofrinho do do governo – leia-se: caneta do Sr. Arthur Lira, presidente da Câmara e líder do centrão.
Os setores e trabalhadores que têm a sorte, benção, capacidade, enfim, de manter seu faturamento e renda em dia, primeiro produzindo, trabalhando e vendendo, mas, sobretudo, reajustando os valores de acordo com a inflação, sabem que, mês a mês, principalmente de um ano para cá, o dinheiro que entra é cada vez maior. Mas não pensem que são tão felizardos assim, pois o ganho a mais é completamente anulado pelos custos maiores – sejam relativos ao negócio, sejam relativos às despesas pessoais.
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Com o governo ocorre o mesmo. Como expliquei acima, quanto maior a inflação e os preços praticados nas indústrias, comércios e supermercados, maior a arrecadação de impostos. Em uma administração minimamente responsável, eficiente e verdadeiramente empenhada em atender à população, a prioridade seria gastar tudo – e mais um pouco! – com quem banca a festa, e não consigo próprio e seu custeio exagerado, fisiológico, corporativista, incapaz e corrupto, como faz este desgoverno dos infernos.

O que vem ocorrendo com a alimentação das crianças nas escolas públicas é um exemplo crasso, cruel e indigno dessa picaretagem toda em curso no País. O FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação), palco dessa corrupção odiosa de pastores ligados diretamente ao presidente da república, Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, é o responsável pelo gerenciamento dos recursos destinados à merenda escolar à partir do Ministério da Educação. Pasta, aliás, que já está em seu quinto ministro.
Segundo o Observatório da Alimentação Escolar, em parceria com a Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação, desde 2010 – há doze anos, portanto!! – o governo federal não compensa as perdas da inflação quando repassa os valores devidos ao PNAE. Amigos, apenas neste último ano, a inflação de alimentos superou, em média, 40%. Estamos falando aqui de 12 anos seguidos. Sabem o resultado: crianças e adolescentes ou passando fome ou se alimentando de forma precária nas escolas.

Como falta dinheiro no caixa e sobra preço alto no mercado, muitas escolas apelam para a criatividade. Sardinha em lata, por exemplo, tornou-se a proteína – isso quando é possível – do cardápio. Senhores, estamos falando de crianças e adolescentes! O desenvolvimento físico e cognitivo está diretamente ligado, dentre outros fatores como saúde e família, à alimentação. Desnutridos e subnutridos, além de fracos e doentes, não terão condições mínimas de assimilação e aprendizado. Eu preciso desenhar ou já deu para entender?

Fotos: Reprodução
Fonte: Portal IstoÉ
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