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Internacional - 07/04/2022

ONU suspende a Rússia do Conselho de Direitos Humanos: 93 votos a 24

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Foto: Reprodução

O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, fala durante uma votação na Assembleia Geral da ONU que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos

A Assembleia Geral das Nações Unidas votou pela suspensão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, uma iniciativa liderada pelos EUA. Foram 93 votos a favor, 24 contrários e 58 abstenções. O Brasil se absteve, ao lado de Índia e África do Sul, países que integram o Brics junto com a China, que votou contra, e a própria Rússia. Apenas 175 países participaram da votação.

 

Na segunda-feira, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, fez o apelo para que a Rússia fosse destituída de seu assento no conselho de 47 membros após vídeos e fotos de cadáveres nas ruas na cidade de Bucha, após a retirada russa. As mortes provocaram repulsa global e fizeram com que vários países pedissem sanções mais duras à Rússia, que negou veementemente que suas tropas fossem responsáveis por execuções de civis.

 

— Acreditamos que os membros das forças russas cometeram crimes de guerra na Ucrânia e acreditamos que a Rússia precisa ser responsabilizada — disse Thomas-Greenfield na segunda-feira. — A participação da Rússia no Conselho de Direitos Humanos é uma farsa.

 

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Resultado da votação na ONU que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos

Resultado da votação na ONU que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos

 

O resultado representa mais uma derrota diplomática da Rússia na ONU, que já aprovou duas resoluções contrárias ao regime de Vladimir Putin: em 2 de março, uma resolução aprovada por 141 votos a favor — incluindo o do Brasil — e apenas cinco contra, além de 35 abstenções, exigia a retirada imediata das tropas russas. Em 24 de março, outra resolução aprovada na ONU pedia o fim das hostilidades por parte de Moscou.

 

A breve resolução aprovada nesta quinta expressava “grave preocupação com a atual crise humanitária e de direitos humanos na Ucrânia, particularmente com os relatos de violações e abusos dos direitos humanos e violações do direito internacional humanitário pela Federação Russa, incluindo violações graves e sistemáticas e abusos dos direitos humanos”.

 

O Conselho de Direitos Humanos está sediado em Genebra, e seus 47 membros não-permanentes são eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de três anos. O mandato da Rússia no órgão terminaria em 2023, junto com o da Ucrânia.

 

Com abstenção do Brasil, ONU suspende a Rússia do Conselho de Direitos  Humanos - CartaCapital

Fotos: Reprodução

 

A resolução de março de 2006, que estabeleceu o conselho, diz que a Assembleia Geral pode suspender um país “que cometa violações graves e sistemáticas dos direitos humanos”.

 

O embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho, justificou a abstenção do país com o argumento de que o Conselho de Direitos Humanos precisa concluir o inquérito aberto para apurar os crimes cometidos na Ucrânia, processo que pode levar meses. Na América Latina, além do Brasil, apenas o México se absteve. Boa parte das nações africanas também preferiram não escolher entre sim ou não.

 

Itamaraty Brasil ???????? on Twitter: "Embaixador Ronaldo Costa Filho: XXIX  Reunião do Comitê de Negociações Birregionais - Mercosul-União Europeia  https://t.co/6QqqgxUg7C" / Twitter

Ronaldo Costa Filho

 

Já na lista de países que votaram contra a suspensão estão Bielorrússia, China, Bolívia, Cuba, Coreia do Norte, Irã, Nicarágua e Síria. Em sua justificativa, o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, afirmou que os direitos humanos não podem ser "politizados".

 

— Essa resolução não foi redigida de modo aberto e transparente e agrava as divisões entre os Estados-membros, jogando gasolina no fogo — disse.

 

Após a votação, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia saudou a decisão da Assembleia Geral.

 

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"Os criminosos de guerra não têm lugar nos órgãos da ONU destinados a proteger os direitos humanos. Grato a todos os Estados-membros que apoiaram a resolução e escolheram o lado certo da história", escreveu o chanceler Dmytro Kuleba, no Twitter.

 

 

Fonte: Portal O Globo

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