Aparência, comportamento, estilo de vida e de trabalho, entre muitos outros fatores, são ditados diariamente pelo comércio através da construção de rótulos para as mulheres.
*Neusa Coelho - Ainda sobre o patriarcado – inimigo invisível de todas as mulheres – ele é alimentado também pelo capitalismo, que não inventou a opressão às mulheres, mas criou ferramentas para fomentar essa opressão. Mulheres não são mercadoria, mas o capitalismo dita os padrões que ela deve seguir para ter o mínimo “valor de mercado” e ainda como é possível “agradar” uma mulher. Aparência, comportamento, estilo de vida e de trabalho, entre muitos outros fatores, são ditados diariamente pelo comércio através da construção de rótulos para as mulheres.
Se você me segue é por que de alguma forma acredita no que eu acredito e dá valor à minha voz. Então vamos pensar profundamente sobre essas questões relacionadas ao patriarcado e como ele afeta diretamente sua carreira, seja você uma profissional assalariada ou empreendedora.
Os efeitos da pandemia da Covid-19 na vida das mulheres brasileiras são reais e desumanos, principalmente se somados a tudo que as mulheres já enfrentavam antes da pandemia. A divisão injusta de tarefas domésticas entre homens e mulheres agrava muito a situação. Pesquisas mostram que as mulheres são responsáveis pela maioria dos serviços de casa, além de planejar essas atividades e ser duramente cobradas por isso. E quais são as tarefas predominantemente masculinas dentro de casa? Tirar o lixo e trocar lâmpadas? As mulheres cuidam dos filhos, dos pets, das plantas, da manutenção da casa e dos utensílios, controlam as contas, preparam as refeições, limpam a casa, acompanham atividades escolares, fazem as compras e se encarregam dos cuidados médicos dos familiares. Cansou só de ouvir né? Imagina quando somos nós que fazemos tudo isso.
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Sempre reforçando que eu não estou culpando os homens, eles também são vítimas de um sistema patriarcal que criou eles não só para saírem para trabalhar e desbravar o mundo lá fora, mas também para esconderem seus sentimentos e agir de forma a reforçar sua masculinidade o tempo todo. O problema é que os homens contribuem efetivamente para a sobrecarga das mulheres e essa é uma realidade que as pessoas simplesmente acham normal.
Pesquisas mostram que as mulheres estão exaustas, com reflexos sérios na saúde física e mental. Quase 70% delas disseram que as mudanças trazidas pela pandemia atrapalharam seu progresso profissional. A maioria delas está desempregada e não tem a menor condição de procurar ou de assumir um trabalho nesse momento.
Você não vê publicações sobre essa temática na mídia todos os dias, mas as mulheres sofrem isso, todos os dias.

Mas o que pode ser feito para reverter isso?
TODOS podem e devem começar hoje:

1. Tendo conversas sérias dentro de casa para redistribuir as tarefas domésticas de acordo com o número de moradores. Ou seja, quando um homem lava louça ou roupa, contribui para que o filho faça uma tarefa escolar, ele não está ajudando a mulher, ele está se responsabilizando pela parte dele de cuidado com a vida familiar e o lar que ambos escolheram construir para viver. Todos são responsáveis pelo trabalho da casa e tanto homens quanto mulheres são responsáveis pela renda da casa. Reforce a ideia de que homem não ajuda, homem se responsabiliza. Para equilibrar essa balança é fundamental acabar com a ideia de que o homem “está ajudando” nas tarefas domésticas.

2. Estudando sobre a evolução das mulheres na sociedade para entender o contexto real que levou elas a situação atual. A figura da mulher, está passando de elemento secundário para protagonista na sociedade atual, muito disso baseado em dor e quebra de padrões, porque ela ainda sofre com as heranças históricas do sistema patriarcal em seu dia a dia. Com o tempo, graças às lutas árduas, a mulher vem conseguindo aumentar o seu espaço nas estruturas sociais, abandonando a figura de dona de casa e assumindo postos de trabalho, cargos importantes em empresas e estruturas hierárquicas e políticas.

3. Dando voz às mulheres, e ouvindo elas de verdade. Permitindo que elas falem o que pensam e sentem sem julgamentos. Dar essa permissão, mas também dar acolhimento, dar apoio, incentivar o não-julgamento. Permitir que que elas sejam livres em relação à vida delas, às decisões delas, às suas roupas, opção de trabalho, estilo de vida e tudo mais que elas desejam ser e fazer. Ouça, respeite e apoie.

Fotos: Reprodução
4. Comprando de mulheres, indicando mulheres e contratando mulheres. Você também pode ajudar projetos sociais de causa feminina. Embora a presença e contribuição da mulher na sociedade esteja cada vez maior e melhor, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados. É preciso combater a cultura machista na sociedade, e isso não significa “combater e odiar homens”. Tornar melhor o acesso das mulheres a oportunidades de trabalho e negócios, promover remuneração mais justa, concretizar o direito da mulher sobre o seu próprio corpo e sobre a sua liberdade individual é responsabilidade de toda a sociedade.
5. Denuncie qualquer tipo de violência envolvendo mulheres, seja ela verbal, psicológica, patrimonial ou física. Um feminicídio é consequência de sucessivas pequenas violências.
E meu conselho para você mulher: SEJA QUEM VOCÊ QUISER SER. VOCÊ TEM ESSE DIREITO.
Fonte: Com informações do Portal Potiguar Noticias
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