17 de Maio de 2026

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Comportamento - 24/11/2022

OPINIÃO: Redes Sociais e o fim do Humanismo

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Foto: Reprodução

Tenho 5.000 amigos e amigas no feicebuque e outros tantos seguidores em outras redes.

*Por Lúcio Carril - Tenho 5.000 amigos e amigas no feicebuque e outros tantos seguidores em outras redes. As relações são de respeito, já que fiz filtro político, ideológico e de conduta. Não aceitei e não aceito racista, misógino, preconceituoso, fundamentalista religioso, idiota em geral.

 

Tem gente que admiro muito por suas postagens e posições, encontrando forte identidade com que sou e com que penso. Mas há um problema: não passa disso e quase todos são contundentes em dizer que não querem avançar para uma amizade real, de carne e osso, olhos nos olhos e sorrisos no rosto.

 

Já reconheci amigos e amigas virtuais em bares, por exemplo, e eles me reconheceram, mas mantiveram, ou mantivemos, o bloqueio anunciado nas redes. É uma coisa muito estranha pela frieza e indiferença.

 

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Vejo que há uma tendência para nos transformar em algoritmos. O capitalismo avança no sentido de nos tirar a humanidade. A globalização veio implacável para nos destruir como seres humanos. E tudo isso vem se refletindo nas estruturas políticas, colocando a democracia liberal num campo de incompatibilidade com os interesses do capital.

 

Estamos perdendo nossa subjetividade e nos fazendo um instrumento dos desejos, afetos e vontades impostos pelo consumo. Nossas relações estão cada vez mais coisificadas.

 

Interacción hombre-máquina entre mano humana y digital | Foto Premium

Fotos: Reprodução

 

O filósofo camaronês Achille Mbembe tem tratado com maestria esse novo desfecho do capitalismo e alerta para o fim do humanismo. É um caminho destruidor, inclusive, do nosso inconsciente, que está passando a ser dominado pelas redes sociais através do eficaz uso dos algoritmos.

 

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Por estas e muitas outras boas razões é que continuo correndo para abraçar meus amigos e amigas.

 

Resistência também se faz com amor, com abraço e beijos bem reais.

 

*Lúcio Carril é sociólogo, ex-secretário executivo da Secretaria de Política Fundiária do Estado do Amazonas, ex-delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e especialista em gestão e políticas públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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