17 de Maio de 2026

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Ciência e Tecnologia - 06/03/2024

Pesquisadores da Universidade de Brasília destacam a ciência no combate à dengue

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Foto: Reprodução/Google

Professores da UnB, Bergamnn Ribeiro e Wildo Navegantes participam do Podcast do Correio, destacam a importância da ciência nas ações contra o Aedes aegypti e cobram comprometimento da indústria farmacêutica

Professores da Universidade de Brasília (UnB), o virologista Bergmann Ribeiro e o epidemiologista Wildo Navegantes foram os convidados do episódio da terça-feira, 5/3, do Podcast do Correio.

 

Em uma conversa comandada pelas jornalistas Mariana Niederauer e Adriana Bernardes, os dois especialistas tiraram dúvidas sobre a dengue e falaram de pesquisas que podem ajudar no combate à doença, que matou, até agora, 78 pessoas na capital este ano, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde.

 

O professor Bergmann faz um trabalho de pesquisa sobre os arbovírus, sobretudo aqueles que conseguem infectar os seres humanos, como os vírus da zika, da chikungunya e o da própria dengue. Por meio do estudo, o pesquisador tenta entender como esses vírus estão mudando ao longo do tempo e os possíveis tratamentos de pessoas infectadas por eles. "A gente trabalha com extratos de plantas do cerrado para tentar isolar uma molécula capaz de tratar uma pessoa que tenha dengue, por exemplo", detalha.

 

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Bergmann destaca que vários estudos identificaram as moléculas presentes em vegetais, como alho e gengibre, que têm propriedades antivirais. "Não houve, até o momento, nenhum interesse da indústria farmacêutica de ir além para produzir sinteticamente um remédio. Existe uma fonte muito grande de moléculas capazes de tratar várias doenças que estão aí, inclusive a dengue. Falta realmente um investimento maior para descobrir essas moléculas e desenvolver remédios a partir delas", observa.

 

No entanto, o pesquisador alerta que ingerir essas plantas ou produtos derivados delas não são medidas comprovadamente eficazes contra os vírus, como as garrafadas, comumente vendidas em feiras. "Você não sabe o que tem ali. Pode ter ali uma substância capaz de induzir mutação genética e causar um câncer. Então não é para se tomar qualquer coisa. Tem que tomar um remédio que foi testado em laboratório, testados em animais ou pessoas, porque beber alguma coisa sem saber o que tem ali é um tiro no escuro", adverte.

 

Epidemia

 

 

 

O professor Wildo Navegantes discorreu sobre as causas da grave epidemia de dengue que tem feito vários estados, além do DF, decretarem estado de emergência, por conta dos altos níveis de contágio. Na capital, a taxa de infecção é considerada alta em 28 das 35 regiões administrativas. Ele ressalta que a maioria das regiões que passam pelo problema da alta de casos de dengue tem fragilidades em relação ao saneamento básico, com ausência de esgotamento sanitário, oferta de água de qualidade e descarte adequado do lixo.

 

"Eu sempre falo: 10 minutos por semana inspecionando a casa ajudam bastante a reduzir a infestação local. Então, tem uma parte de negligência das pessoas e não só do setor público, ou seja, do Sistema Único de Saúde e de outros órgãos de outras áreas. A instituição responsável pela parte de saneamento não é da área da saúde. Tem que haver uma governança melhor na estratégia de controle da doença", avalia.

 

Wildo também chama atenção para a necessidade de o Poder Público agir de maneira mais preventiva, não esperando que os casos de dengue de fato explodam. "Não adianta agir depois que a dengue estourou. Isso, na verdade, vai reduzir danos. O ideal é que a ação seja feita muito antes para evitar que a infestação aconteça antes do período chuvoso", aponta. O epidemiologista informa que os ovos postos pelos mosquitos fêmeas já são infectados pelo vírus. O mosquito não adquire o vírus apenas quando pica alguém infectado pelo vírus.

 

Vacinação

 

 

 

Sobre a vacina, Wildo destaca que o imunizante não vai resolver toda a crise sanitária. Um dos motivos é que ainda não há doses suficientes para toda a população. O outro motivo que é o Aedes aegypti não transmite apenas a dengue, mas também febre amarela, zica e chikungunya.

 

Em pesquisa da qual Navegantes participa, feita entre 2018 e 2019 com mães de crianças de até 5 anos, em parceria com outras universidade do país, mostra que, diferentemente de outras capitais brasileiras, a queda na cobertura vacinal, após seis meses de vida do bebê, ocorre principalmente nas classes A e B, ou seja, em famílias que têm acesso à educação e ao sistema de saúde, inclusive o privado. São pessoas instruídas que deixam os filhos desprotegidos de doenças que há vários anos foram erradicadas da sociedade como poliomielite, rubéola e sarampo.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

"Quando tivermos uma oferta maior de vacinas, se não tivermos adesão da população, será traumático, porque é um esforço grande e um custo alto", teme o professor, que aposta no imunizante como forma de controlar os casos de dengue e lembra que o Brasil tem o melhor programa nacional de imunização do planeta.

 
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Perguntado sobre ações que possam reconduzir o Brasil para a consciência da importância da vacinação, após difusão de fake news e negacionismo científico observados nos últimos anos, Wildo Navegantes aposta no trabalho dos meios de comunicação e em mecanismos que coíbam a disseminação desse tipo de informação por meio de órgãos de controle, como o Ministério Público. 

 

Fonte: com informações do Portal Correio Braziliense

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