Ex-deputado atirou contra agentes da Polícia Federal que foram prendê-lo após decisão de Moraes.
O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) está preso no Presídio José Frederico Marques, também conhecido como cadeia de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro. O político, que estava em prisão domiciliar, teve que retornar ao sistema penitenciário por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
O ministro do STF Alexandre de Moraes decidiu que Jefferson deveria voltar à prisão preventiva pelo descumprimento de medidas cautelares impostas, como não postar nas redes sociais. Na última 6ª feira (21.out.2022), em vídeo publicado na internet, Jefferson atacou a ministra Cármen Lúcia, referindo-se a ela com palavras de baixo calão.
Durante o cumprimento da decisão do STF no domingo (23.out.2022), na casa de Jefferson, em Levy Gasparian, no interior do Ri de Janeiro, o ex-deputado reagiu à prisão, lançando granadas de efeito moral e atirando contra a equipe da PF (Polícia Federal).
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Roberto Jefferson mora em Comendador Levy Gasparian, no RJ. A cidade
de 8.576 habitantes (dados de 2020) fica a cerca de 140 km da capital fluminense.
Durante o ataque, 2 agentes foram atingidos por estilhaços da granada lançada por Jefferson e tiveram ferimentos leves, de acordo com a PF.
O mandado de prisão só foi concluído à noite, depois de uma intensa negociação entre a PF e o ex-deputado. Além do cumprimento do mandado do STF, a PF prendeu Roberto Jefferson em flagrante por tentativa de homicídio, segundo nota divulgada pela polícia.
Antes de ser encaminhado à cadeia de Benfica, Jefferson foi levado inicialmente à Superintendência da PF no Rio de Janeiro para a lavratura do auto de prisão em flagrante e outras formalidades referentes ao cumprimento do mandado de prisão.
“A Polícia Federal reafirma que agiu com toda a técnica e protocolos exigidos para a resolução de crises, culminando com a rendição do preso”, informa nota da PF.
Segundo a Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro), Roberto Jefferson participará, ainda nesta 2ª feira (24.out.2022), de uma audiência de custódia.
Pedido de Prisão

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O novo pedido de prisão foi realizado depois de, em 21 de outubro, o petebista gravar um vídeo chamando a ministra do STF Cármen Lúcia de “Bruxa de Blair”, referência ao filme de terror de mesmo nome lançado em 1999, e de “Cármen Lúcifer”. Ele criticou a ministra por causa de uma suposta “censura à Jovem Pan”. Jefferson, no entanto, fez uma referência incorreta.
O episódio que o ex-deputado relata, em que a ministra diz ser “contra a censura”, se deu no julgamento em que o TSE, com o voto favorável da magistrada, barrou a exibição de um documentário da produtora Brasil Paralelo. Leia mais nesta reportagem.
Ataque a agentes da PF
“Quero mostrar a vocês, chegou a Polícia Federal para me prender agora. As violências do ‘Xandão’. A minha raiz está plantada. O que eu quero vocês sabem. O jogo que eu estou jogando vocês sabem. Eu não vou me entregar. Chega, já cansei de ser vítima de arbítrio e de abuso, infelizmente. Eu vou enfrentá-los”, afirmou em vídeo gravado logo após a PF chegar em sua casa.
Depois, em novo vídeo, enquanto uma mulher o repreende, ele diz: “Chega de opressão. Eles já me humilharam muito e a minha família. Não estou atirando em cima deles, eu dei perto. Eu não atirei neles”. Ela diz: “Você arrebentou o vidro”. “Eu não atirei em ninguém para pegar. Atirei no carro e perto deles. Eram 4 e eles correram. Eu disse ‘sai ou eu pego vocês’”, responde o ex-deputado.
Assista à sequência de vídeos de Jefferson relatando ter atirado contra a PF (2min44s):
Em outro vídeo, Jefferson volta a falar que atirou contra os policiais e mostra, por imagens de câmeras de sua casa, o carro da PF com o vidro estilhaçado.
“Vou mostrar a vocês que o pau cantou. Eles atiraram em mim e eu atirei neles. Tô dentro de casa, mas eles tão me cercando. Vai piorar. Vai piorar muito. Mas eu não me entrego. Chega de abrir mão da minha liberdade em favor da tirania. Não faço mais isso. Chega. Vou cair de pé como o homem que sou. Sou líder. O líder não é só de palavras, dá o exemplo”, diz ao mostrar as imagens do carro da PF.
“O Brasil chegou no limite da tirania. Esses caras tiranizaram a gente. ‘Xandão’, Cármen Lucia, Fachin. Tá aqui minha mulher em desespero, em prantos. Já é a 4ª vez que esses caras voltam aqui. Chega. O pau cantou, chega. Eu vou, se Deus quiser, embora, mas deixo plantado o meu exemplo. Não se entregue ao ‘Xandão’. Não se entreguem. Lutem contra a tirania. O perdão ao tirano é um acinte, uma ofensa, ao justo, ao inocente. Não se entreguem. Lutem. Lutem combatam pela democracia, pela liberdade”, completa.
Assista ao vídeo em que Jefferson mostra carro da PF (1min23s):
Em nota, a Polícia Federal disse que o “alvo do mandado”, o ex-deputado Roberto Jefferson, “reagiu à ordem de prisão”. Dois agentes foram feridos por estilhaços, segundo a corporação, de uma “granada arremessada” pelo político. Ambos foram levados ao pronto-socorro, foram atendidos e já liberados.
De acordo com o advogado de Jefferson, Luiz Gustavo Pereira da Cunha, o ex-deputado usou granadas de efeito moral. Ele disse ter pedido ao político que “não houvesse violência”.
Detalhes do ataque
Um vídeo que está circulando na internet mostra Jefferson e um policial não identificado conversando dentro da casa do ex-deputado –o candidato derrotado do PTB à Presidência, Padre Kelmon, participa da conversa.
O policial diz que os “meninos”, que é como ele se refere aos agentes da PF, “estão bem”. Afirma também que eles eram da inteligência da Polícia Federal: “São burocráticos, trabalham em inteligência, em escritório, eles não são operacionais”.
Jefferson diz que tinha os agentes na mira do seu fuzil, mas que um deles teria atirado primeiro.
“Quando eles correram atrás da viatura, aí eu joguei a granada na frente”, disse. O policial pergunta que tipo de granada era. “Granada de feito moral, granada preta de efeito moral”, explica o ex-deputado. “Quando eles correram, desceram a ladeira, eu joguei outra”, completa.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o estado em que ficou o carro da PF usado pelos agentes para cumprir o mandado de prisão em Comendador Levy Gasparian. Há marcas de tiros no para-brisa e na lateral do automóvel –veja abaixo:


Eis a íntegra da nota da PF:
“Nota à Imprensa “A Polícia Federal informa que na data de hoje, 22/10, cumpre mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal, na cidade de Levy Gasparian, no estado do Rio de Janeiro.
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“Durante a diligência, o alvo do mandado reagiu à ordem de prisão anunciada pelos policiais federais. Na ação, dois policiais foram feridos por estilhaços de granada arremessada pelo alvo e levados imediatamente ao pronto-socorro. Após o atendimento médico, ambos foram liberados e passam bem.
“A equipe da PF foi reforçada e os policiais permanecem no local com o objetivo de cumprir a determinação judicial.”
Fonte: Com informações da Portal Poder 360
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