17 de Maio de 2026

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Direitos da Mulher - 19/11/2023

Primeira escola de samba feminina do Brasil luta contra o preconceito no meio do carnaval

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Foto: Reprodução/PortalG1

Turma da Paz de Madureira (TPM) desfilará pela primeira vez na Série Bronze com uma reedição do samba "Lugar de mulher é onde ela quiser", do Império Serrano

Quando se fala em TPM, o que vem à sua mente? O período pré-menstrual pelo qual as mulheres passam todo mês? Para o G.R.E.S. Turma da Paz de Madureira (TPM), a sigla tem outro significado e muito sentimento: a alegria de ser a primeira escola de samba exclusivamente feminina do Brasil.

 

Formado por cerca de 500 mulheres ou por qualquer pessoa que se identifique com o gênero, o G.R.E.S TPM chamou a atenção com o gingado diferente, composto por malemolência, força de vontade e resistência, no desfile de 2023 da Superliga, na Nova Intendente. A escola ganhou o terceiro lugar do Grupo de Avaliação com o samba-enredo de tema afro "Oyá Senhora dos Ventos e o Mistério das Águas", criado por Bárbara Rigaud, fundadora e presidente da agremiação, e conseguiu uma vaga na Série Bronze, passando de bloco carnavalesco para escola de samba oficial.

 

"Depois de 10 anos de resiliência, desfilando como bloco de bairro, em Madureira, teremos agora a alegria de sair como primeira escola de samba feminina do Brasil", conta Bárbara, emocionada. A exceção são os mestre-sala, por exigência dos regulamentos das ligas.

 

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O samba escolhido para a tão desejada estreia na Série Bronze é uma reedição do "Lugar de mulher é onde ela quiser", do G.R.E.S. Império Serrano: "A letra dele cabe na nossa proposta. Ele ressalta Dandara dos Palmares (guerreira negra do período colonial do Brasil) e Tereza de Benguela (líder quilombola), fala de mulheres que viveram em uma época com dificuldade e barreira, e venceram uma guerra. E é por isso que precisamos levar este samba para a avenida e mostrar que podemos vencer esta guerra”, conta Bárbara, referindo-se ao machismo no universo do Carnaval. "Tudo vem de uma inspiração. Por que não falar destas mulheres e agradecer às que estão à frente de delegacias, nos tribunais, nos hospitais?", completa.

 

Quando a tradicional agremiação da Série A levou "Lugar de mulher é onde ela quiser" para a Marquês de Sapucaí, em 2020, o desfile foi marcado por diversos problemas, de carros alegóricos atrasados à ala de baianas sem as saias. Agora, a mais nova escola de samba pretende desfilar o enredo como um alento para as mulheres de Madureira, bairro também do Império Serrano:"Reeditar esse enredo será maravilhoso, pois quando o Império Serrano o desfilou, a escola não veio muito legal por falta de tempo e recursos. Dar às mulheres de Madureira o prazer de desfilarem esse samba novamente e participar de um desfile completo, sem falhas, vai ser incrível", afirma Paloma Gomes Bento, mestre de bateria da TPM.

 

Fotos: Reprodução/O Globo

 

Ledjane Santos da Mota, intérprete oficial da TPM, pontua que a escolha do enredo trará polêmica para o meio carnavalesco: "Em 2020, não tinha mulher cantando este samba na avenida, e também não tinha nenhuma mulher na ala de compositores. Simplesmente não houve o olhar cuidadoso de inserir mulheres neste samba que fala de mulheres. Como integrantes do grupo Bronze, entendemos que é um excelente caminho estrear com este enredo, mas agora de forma diferente. Ele será cantado por uma mulher e para mulheres", afirma.

 
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Segundo Ledjane, a TPM não compactuar com esta herança controversa do Carnaval é o motivo de ela topar ser intérprete da agremiação: "Como uma mulher engajada em três movimentos femininos, essa escola traz para mim o alento de colocar mulheres na confiança de fazer algo pela primeira vez. Não se me sentiria tão confortável como me sinto se não fosse em uma escola feminina. Como mulheres, temos olhares de empatia e solidariedade. E se alguma mulher não estiver com este olhar, vamos sinalizar".

 

A presidente da TPM também destaca a diferença que uma escola de samba feminina faz na vida das mulheres: "Sofremos preconceitos e perseguições, e temos dificuldade de ocupar nossos espaços, pois o 'não' chega primeiro em tudo o que tentamos. Eu já saí de determinadas situações chorando. Quando iniciativas vêm de pessoas pretas, então, piora. Eu sinto os olhares de discriminação. Ser mulher no meio do carnaval é matar um leão por dia". 

 

Fonte: com informações do Portal O Globo

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