Após diagnóstico de autismo dos dois filhos, Soneide Santos mudou de carreira e passou a atuar no acolhimento e orientação de outras famílias
A vida da psicóloga Soneide Santos tomou um rumo completamente diferente daquele que havia planejado após o diagnóstico de autismo dos dois filhos. O que antes era uma trajetória profissional voltada à área técnica deu lugar a uma missão construída a partir da maternidade, marcada por desafios, aprendizado e uma profunda transformação pessoal.
A decisão de mudar de carreira nasceu da necessidade de compreender melhor as condições dos filhos e oferecer a eles as melhores oportunidades de desenvolvimento.Antes da maternidade, Soneide atuava como técnica em química. A chegada do primeiro filho, Daniel, hoje com 15 anos, trouxe sinais ainda na infância que mudariam sua rotina. "Desde bebê, ele já trouxe desafios, chorava muito, dormia pouco, e desde então a minha vida começou a mudar", relembrou. O diagnóstico veio em um período em que ainda havia pouca informação sobre o transtorno, especialmente no interior, o que tornou o processo ainda mais desafiador.
Com o nascimento do segundo filho, Lucas, hoje com 12 anos, a maternidade ganhou novos contornos. Diferente do irmão, ele era um bebê calmo, mas apresentava atrasos significativos no desenvolvimento. "Com oito meses, ele ainda não sentava. Começou a andar apenas com um ano e oito meses e não falava até os quatro anos de idade. E o mais curioso é que, quando iniciou a fala, já demonstrava leitura", contou. Lucas foi diagnosticado dentro do espectro nível 2, enquanto Daniel está no nível 1, o que exigiu ainda mais dedicação e atenção individualizada. Diante dessa realidade, Soneide decidiu mudar completamente o próprio percurso profissional. A escolha pela psicologia surgiu em um momento que mudou sua vida e abriu novos caminhos.
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"Eu escolhi a psicologia com um propósito muito claro: ajudar meus filhos. Mas, com o tempo, esse propósito cresceu. Eu entendi que não era só sobre a minha família, era sobre outras mães e outras crianças que também precisavam de acolhimento", afirmou.A nova trajetória foi construída com esforço, estudo e apoio familiar. Principalmente com o apoio da mãe, Maria Santos, que lhe dá suporte direto no cuidado com os filhos para que ela possa se dedicar à sua formação. Soneide se formou em psicologia, tornou-se analista do comportamento e seguiu se especializando na área. Atualmente, é mestranda em Educação Especial pela UFSCar, além de possuir pós-graduação em Análise do Comportamento Aplicada ao autismo e atrasos no desenvolvimento intelectual e de linguagem, neuropsicologia e terapia cognitivo-comportamental.
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Fotos: Reprodução/Google
"Enquanto mãe, eu entendo que meu papel é preparar meus filhos para a autonomia. Por isso eu estudo, me aprimoro e busco aprender cada vez mais", destacou.Hoje, ao atender outras famílias, ela leva para a prática clínica não apenas o conhecimento técnico, mas a vivência de quem enfrenta diariamente os desafios do autismo.
"Quando uma mãe me diz que se sentiu acolhida ou inspirada, isso não tem preço. Existe uma conexão entre mães atípicas que vai além das palavras. A gente sabe que não existe uma receita pronta, mas sabemos que não estamos sozinhas", disse. Neste Dia das Mães, a história de Soneide Santos representa a força de mulheres que transformam a dor em propósito e o amor em caminho. Entre renúncias e conquistas, ela segue aprendendo com os filhos e construindo um legado que ultrapassa os limites da própria família. "Eu sigo por eles, por mim e por todas as famílias que precisam de orientação. Hoje eu entendo que amar também é preparar", concluiu. Mais sobre o trabalho e reflexões da psicóloga podem ser acompanhados no perfil @soneidesantos.psi nas redes sociais.
Fonte: com informações Acrítica
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