04 de Junho de 2026

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manchete - 05/06/2026

QUANDO MULHERES DIZEM 'NÃO', O FEMINICÍDIO REVELA A FACE MAIS CRUEL DO MACHISMO

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Foto: Reprodução/Google

O ?não? da mulher incomoda estruturas inteiras.

O feminicídio não nasce no instante do crime. Ele começa muito antes, nos silêncios impostos, no medo normalizado, no controle disfarçado de cuidado e na cultura que ainda ensina muitas mulheres a obedecer para sobreviver. Quando uma mulher começa a dizer “não”, rompe um ciclo historicamente sustentado pela ideia de posse. E é justamente nesse momento que muitos agressores revelam sua face mais perigosa.

 

O “não” da mulher incomoda estruturas inteiras. É o não à violência psicológica, ao controle financeiro, às humilhações, às ameaças, às traições naturalizadas e ao domínio sobre seu corpo e sua liberdade. Em muitos casos, é também o não que antecede o feminicídio. O término de relacionamentos, a independência financeira e a recusa em aceitar relações abusivas aparecem com frequência nos históricos de crimes contra mulheres em todo o Brasil.

 

Dados recentes divulgados com base em pesquisa Datafolha realizada em parceria com o Movimento Mulher 360, mostram que seis em cada dez brasileiros reconhecem a violência contra a mulher como o crime mais grave do país, superando inclusive problemas como tráfico de drogas e roubos. A pesquisa revela uma percepção social importante: o combate à violência de gênero passou a ocupar lugar central no debate público brasileiro.

 

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Entretanto, o mesmo levantamento expõe uma contradição alarmante. Quase metade da população ainda não reconhece como violência atitudes como controlar o salário da parceira ou monitorar suas saídas de casa. Esse dado revela o quanto práticas abusivas continuam sendo romantizadas ou minimizadas dentro das relações afetivas.

 

 

 

O controle financeiro é uma das formas mais cruéis de violência silenciosa. Quando uma mulher é impedida de administrar o próprio dinheiro, perde gradativamente sua autonomia e sua capacidade de romper ciclos abusivos. Da mesma forma, o controle sobre roupas, amizades, horários e deslocamentos não representa proteção, mas dominação. São sinais claros de violência psicológica e patrimonial previstos na Lei Maria da Penha.

 

O problema é que a sociedade brasileira ainda foi construída sobre bases profundamente machistas. Durante décadas, mulheres foram ensinadas a suportar, perdoar e silenciar. Muitos homens cresceram acreditando possuir autoridade sobre decisões femininas. Quando essa lógica é confrontada pela independência da mulher contemporânea, alguns agressores transformam frustração em violência extrema.

 

 

O feminicídio, portanto, não pode ser analisado apenas como um ato isolado. Ele é resultado de uma cultura de controle, misoginia e desigualdade estrutural. Antes do assassinato, geralmente houve ciúme excessivo, perseguição, manipulação emocional, ameaças e tentativas constantes de limitar a liberdade feminina.

 

Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam que reconhecer os primeiros sinais é fundamental para evitar tragédias. A violência raramente começa com agressão física. Ela surge em comentários que diminuem, em chantagens emocionais, em invasões de privacidade e na tentativa de afastar a mulher da família, do trabalho e dos amigos. Enquanto o Brasil avança em debates sobre igualdade de gênero, ainda há um longo caminho até que todas as formas de violência sejam compreendidas como realmente são. Não existe amor onde existe controle. Não existe cuidado onde existe medo.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google


O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade, da liberdade e da vida das mulheres. Nenhuma forma de controle deve ser romantizada. Controlar salário, roupas, amizades, redes sociais ou impedir uma mulher de exercer sua autonomia também é violência.

 
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É necessário ampliar o debate social, fortalecer políticas públicas, investir em educação emocional e garantir acolhimento às vítimas. O silêncio mata. A omissão fortalece agressores. E toda sociedade precisa compreender que o feminicídio começa muito antes da morte física. Defender mulheres não é uma pauta ideológica. É uma questão de humanidade, justiça social e direitos fundamentais.

 

Fontes:
Datafolha
Movimento Mulher 36
Lei Maria da Penha – Planalto

 

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