Quando podemos ser imensamente quem somos e permitir que o outro seja imensamente quem é, é possível intitular a relação como livre
Em 2020, as buscas por “relacionamento aberto”, em sites de pesquisa, cresceram 70%. Will Smith, Bela Gil, Samara Felippo, Fernanda Nobre revelaram aderir a esse modelo de relação. A não monogamia é o assunto do momento entre as celebridades, mas será que serve para todo mundo?
Fato é que nem sempre tivemos a exclusividade como quesito indispensável nas relações. A monogamia surge a partir de uma motivação bastante problemática: garantir que a herança paterna pudesse ser transmitida aos filhos consanguíneos. Em outras palavras, a monogamia foi criada para controlar os nossos corpos. O patriarcado e esse modelo baseado na exclusividade vivem em plena relação simbiótica.
Isso não quer dizer que você, mulher empoderada e independente, precise abrir o relacionamento para ser legitimada como tal. Não monogamia está longe de ser sinônimo de liberdade e feminismo. Inclusive porque, entre as muitas formas de viver esse modelo amoroso, existem aquelas que insistem na manutenção desse mesmo sistema de opressões.
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Mas escolher como amar não passa só por esse olhar para a sociedade. Como amamos e como nos sentimos amadas nem sempre é uma escolha, para começo de conversa. É uma decisão que nos atravessa por inteiro, que percorre cada afluente da nossa identidade, das nossas verdades e memórias.
Transições de modelos relacionais podem ser, portanto, processos dolorosos, lentos, libertadores e, muitas vezes, dispensáveis.

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Viver um amor, ou amores, livre(s) está intimamente ligado a como nos sentimos dentro da relação. Se nos sentimos insatisfeitas, tolhidas, reprimidas em nossos desejos, anseios e vontades, por exemplo, então talvez não seja uma relação livre de verdade. Mesmo que ter outros vínculos e outros afetos faça parte do acordo do casal.
Por outro lado, ainda que não esteja nos planos abrir-se para múltiplos vínculos românticos e sexuais, um relacionamento pode sim ser considerado livre. Quando podemos ser imensamente quem somos e permitir que o outro seja imensamente quem é, é possível intitular a relação como livre.

Fotos: Reprodução
Tomar consciência da nossa trajetória humana dentro das construções sobre o amor é importante. Mas respeitar nossos próprios limites também é. Então, a não monogamia é para quem deseja vivê-la e se sente pronta para isso. Do contrário, é apenas mais uma forma de nos colocar em moldes.
Fonte: Portal Claudia
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