16 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Elas nos inspiram - 21/05/2024

Resiliência feminina em tempos de chumbo: uma reflexão sobre a Ditadura Militar no Brasil

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

A obra é um testemunho poderoso da resistência feminina em tempos sombrios, e um lembrete da importância de manter viva a memória desses eventos.

Na quinta-feira, 15, às 14h30, o auditório professor Osvaldo Coelho, na sede da ADUA, foi palco de uma sessão de cinema que marcou os 60 anos da Ditadura empresarial-militar no Brasil. A programação faz parte de uma série de atividades da Seção Sindical.

 

O documentário exibido, “Torre das Donzelas”, trouxe à tona a narrativa de mulheres que lutaram contra o regime militar e foram presas e torturadas no presídio Tiradentes, em São Paulo. A obra é um testemunho poderoso da resistência feminina em tempos sombrios, e um lembrete da importância de manter viva a memória desses eventos.

 

A atividade contou com a participação de Ana Maria Ramos Estevão, docente aposentada da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que viveu o contexto narrado no filme. Sua presença trouxe uma perspectiva pessoal e emocional para a discussão, enriquecendo o debate após a exibição do filme.

 

Veja também 

 

Amiga de ex-BBB, mãezona, baladeira: quem é Michelle Ramalho, que pode ser a 1ª mulher a presidir a CBF

Mulheres com mais de 50 anos enfrentam preconceitos por se divorciarem ou por voltarem a estudar

 

Ivânia Vieira, docente da Ufam, também esteve presente como comentarista do filme. Sua análise e insights contribuíram para uma compreensão mais profunda do impacto do regime militar na vida das mulheres e na sociedade brasileira como um todo.

 

A sessão de cinema “Resiliência feminina em tempos de chumbo” não foi apenas uma oportunidade de refletir sobre o passado, mas também um convite para considerar como essas experiências moldam o presente e o futuro do Brasil. Através de eventos como este, a Seção Sindical continua a destacar a importância da memória e da educação na construção de uma sociedade mais justa e democrática.

 

Como as mulheres resistiram durante a ditadura militar no Brasil?

 

 

 

Durante a ditadura militar no Brasil, as mulheres desempenharam um papel crucial na resistência contra o regime. Elas desenvolveram diversas formas de resistência:

 

Organização em grupos sociais: As mulheres se organizaram em clubes de mães, associações, comunidades eclesiais de base, em movimentos contra o custo de vida e por creches. Esses grupos proporcionaram uma plataforma para a resistência coletiva e a mobilização social.

 

Participação em movimentos estudantis, partidos e sindicatos: Desafiando o papel feminino tradicional da época, muitas mulheres participaram ativamente do movimento estudantil, partidos políticos e sindicatos. Essa participação política permitiu que elas desafiassem o regime de maneiras significativas.

 

 

 

Resistência armada: Embora em menor número que os homens, algumas mulheres pegaram em armas na tentativa de derrubar o regime militar. Essas mulheres enfrentaram repressão severa, incluindo prisão e tortura.

 

Movimento pela anistia: As mulheres foram fundamentais no início do movimento pela anistia1. Elas lutaram pelos direitos dos presos políticos e pela volta dos exilados.

 

Essas ações de resistência das mulheres durante a ditadura militar no Brasil são um testemunho de sua coragem e resiliência em face da opressão. Elas continuam a ser uma fonte de inspiração para as gerações futuras.

 

Houve alguma mulher notável que liderou o movimento contra a ditadura no Brasil?

 

 

  Dinalva Oliveira Teixeira, mulher que enfrentou a Ditadura Militar

 

Dinalva Oliveira Teixeira: também conhecida como ‘Dina’, foi uma estudante e guerrilheira brasileira, integrante da Guerrilha do Araguaia, um movimento guerrilheiro criado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante a ditadura militar brasileira.

 

Ela nasceu em 16 de maio de 1945 em Castro Alves, Bahia1. Formada em Geologia pela Universidade Federal da Bahia em 1968, Dina foi uma das guerrilheiras mais conhecidas e temidas da região do Araguaia1. Ela era militante do movimento estudantil baiano em 1967 e 1968, tendo sido presa, e depois se mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no Ministério das Minas e Energia1.

 

Dinalva é considerada uma desaparecida política, pois seus restos mortais não foram encontrados e nem entregues para os familiares1. Ela foi presa, torturada e assassinada em julho de 1974, em estado avançado de gravidez, perto de Xambioá, Tocantins23.Sua história é um exemplo de resistência e luta contra a ditadura militar no Brasil. Ela é lembrada por sua coragem e determinação na luta por um Brasil mais justo e democrático.

 

  Lúcia Maria de Souza

 

Lúcia Maria de Souza: Nascida em 1944, em São Gonçalo, Lúcia Maria de Souza começou na militância ainda na adolescência, ao ingressar no Movimento Estudantil como integrante do PCdoB. Em 1969 e 1970, quando era estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, começou a imprimir e distribuir o jornal comunista A Classe Operária, tendo participado da Secretaria de Agitação e Propaganda do partido, cuja função principal era a tiragem da imprensa partidária.

 

Lúcia abandonou o curso de Medicina no quarto ano e foi para a região do Bico do Papagaio, na fronteira entre Pará, Maranhão e Tocantins, onde atuou no “Destacamento” A, realizando trabalhos relacionados à sua profissão como procedimentos médicos e partos na localidade, ingressando posteriormente na luta armada.

 

Na Guerrilha do Araguaia, adotou o codinome de Sônia. Ela morreu em 24 de outubro de 1973, em uma emboscada do Exército durante a Operação Marajoara, em uma região chamada de Grota da Borracheira. Ao ser abordada pela patrulha, teria recusado se identificar, respondendo “guerrilheira não tem nome, eu luto pela liberdade!”, antes de abrir fogo contra os militares. A patrulha reagiu e ela foi metralhada no local.

 

 Dilma Rousseff durante auditoria militar do Rio de Janeiro, em 1970

 

Dilma Rousseff: Antes de se tornar a primeira mulher presidente do Brasil, Rousseff foi uma militante ativa contra a ditadura militar. Ela foi presa e torturada durante o regime.Em 1964, iniciou sua militância na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), aos 16 anos. Depois, ingressou no Comando de Libertação Nacional (Colina), movimento adepto da luta armada.

 

Em 1969, começou a viver na clandestinidade e foi obrigada a abandonar o curso de economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que havia iniciado dois anos antes. Em julho daquele ano, o Colina e a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) se uniram, criando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). No entanto, ela afirma que nunca participou efetivamente da luta armada.

 

Em 1970, Dilma foi presa e submetida a torturas em São Paulo (Oban e DOPS), no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. As torturas aplicadas foram o pau de arara, à palmatória, choques e socos, que causaram problemas em sua arcada dentária. No total, foi condenada a seis anos e um mês de prisão, além de ter os direitos políticos cassados por dez anos. No entanto, conseguiu redução da pena junto ao Superior Tribunal Militar (STM) e saiu da prisão no final de 1972.

 

 

Iara Iavelberg 

 

Iara Iavelberg: Iavelberg foi uma psicóloga e guerrilheira brasileira. Ela foi membro da Ação Libertadora Nacional e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, duas organizações de resistência contra a ditadura.Iavelberg era uma mulher culta e bela, que deixou para trás uma confortável vida familiar para engajar-se na luta armada contra a ditadura militar.

 

Vivendo na clandestinidade, na esteira de uma rotina de sequestros e ações armadas, tornou-se a companheira do ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, compartilhando com ele o posto de um dos alvos mais cobiçados da repressão. O filme desmonta a versão oficial do regime, que atribui sua morte, em 1971, a um suicídio.Aurora Maria Nascimento Furtado: Aurora foi uma militante do socialismo no Brasil e lutou contra a ditadura militar. Ela foi presa em 1972 e assassinada no mesmo ano.

 

 

Aurora Maria nascimento Furtado

 

Nascida em São Paulo, em 1946, a bancária Aurora militava no movimento estudantil e era editora do jornal Ação, da ALN (Aliança Libertadora Nacional).

 

Com o AI-5, em 1968, entrou para a clandestinidade. Presa, foi submetida a pau de arara, sessões de choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras, na Delegacia de Invernada de Olaria. Aplicaram-lhe também “a coroa de Cristo”, fita de aço que vai sendo apertada gradativamente e aos poucos esmaga o crânio. Morreu no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1972, depois de sofrer violentas torturas por agentes da repressão.Essas mulheres, entre muitas outras, desempenharam papéis significativos na resistência contra a ditadura militar no Brasil. Suas histórias são um testemunho da coragem e da resiliência feminina em face da opressão.

 

Como essas mulheres foram tratadas pelo regime militar?

 

 

  

As mulheres que resistiram à ditadura militar no Brasil enfrentaram uma série de desafios e adversidades. Aqui estão algumas maneiras pelas quais elas foram tratadas pelo regime:

 

Repressão: As mulheres que participaram ativamente na luta contra a ditadura militar enfrentaram não apenas o regime de exceção, mas também a perseguição, a prisão e a tortura. Elas foram duramente reprimidas, especialmente aquelas que pegaram em armas na tentativa de derrubar o regime militar.

 

Prisão e Tortura: Muitas dessas mulheres foram presas e torturadas pelo regime militar. O documentário “Torre das Donzelas”, por exemplo, conta a história de mulheres que foram presas e torturadas no presídio Tiradentes, em São Paulo.

   

Preconceito: Além da repressão do regime, essas mulheres também enfrentaram muitos preconceitos. Desafiando o papel feminino tradicional da época, elas participaram do movimento estudantil, partidos e sindicatos.

 

Movimento pela Anistia: Em especial, foram as mulheres que iniciaram o movimento pela anistia. Elas lutaram pelos direitos dos presos políticos e pela volta dos exilados.Essas experiências demonstram a extrema adversidade enfrentada pelas mulheres durante a ditadura militar no Brasil, mas também destacam sua incrível resiliência e coragem.

 

A Força da Mulher na Resistência à Ditadura Militar no Brasil

 

 

Fotos: Reprodução/Google 

 

Em resumo, a sessão de cinema “Resiliência feminina em tempos de chumbo” foi um evento poderoso que destacou a coragem e a resistência das mulheres durante a ditadura militar no Brasil. As histórias contadas no documentário “Torre das Donzelas” e as discussões que se seguiram, proporcionaram uma reflexão profunda sobre o impacto do regime militar na vida das mulheres e na sociedade brasileira como um todo.

 

As mulheres, como, Dinalva Oliveira Teixeira, Lúcia Maria de Souza, Dilma Rousseff, Iara Iavelberg e Aurora Maria Nascimento Furtado, desempenharam papéis significativos na resistência contra a ditadura, enfrentando prisão, tortura e preconceito. Apesar desses desafios, elas continuaram a lutar por seus direitos e pela democracia.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

Através de eventos como este, a Seção Sindical continua a destacar a importância da memória e da educação na construção de uma sociedade mais justa e democrática. A história dessas mulheres corajosas serve como um lembrete do poder da resistência e da importância de nunca esquecer o passado.A luta dessas mulheres é um testemunho da força e resiliência feminina. Elas são um exemplo de coragem e determinação, e sua história continua a inspirar as gerações futuras na luta por justiça e igualdade. A memória de sua resistência é um legado duradouro que continua a ressoar no Brasil de hoje.


 

Fonte: com informações do Portal Mulher Amazônica

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.