23 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 23/05/2026

'Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto': desembargadora denuncia racismo estrutural em supermercado

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Foto: Reprodução/Google

Relato da magistrada Adenir Alves da Silva Carruesco provoca forte repercussão nacional e reacende debate sobre racismo cotidiano no Brasil

A denúncia feita pela desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco reacendeu uma discussão urgente sobre o racismo estrutural no Brasil. Em um relato publicado nas redes sociais, a magistrada afirmou ter sido alvo de uma abordagem discriminatória dentro de um supermercado em Cuiabá, capital de Mato Grosso.

 

Segundo a desembargadora, o episódio aconteceu após uma caminhada matinal, quando entrou no estabelecimento usando roupas esportivas. Enquanto caminhava entre as gôndolas, foi abordada de forma insistente por uma cliente que presumiu que ela fosse funcionária do supermercado e pudesse ajudá-la a encontrar produtos.

 

O caso rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e em veículos de imprensa após a magistrada publicar uma frase que se transformou em símbolo da discussão sobre preconceito racial no país: “Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a sociedade insiste em enxergar como serviçal.” A declaração provocou forte mobilização online e levantou reflexões sobre os estigmas raciais ainda presentes na sociedade brasileira, inclusive em espaços considerados de prestígio e poder.

 

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Racismo estrutural atravessa instituições e relações sociais

 

 
A fala da desembargadora expõe uma realidade enfrentada diariamente por milhares de pessoas negras no Brasil: a associação automática de corpos negros a posições subalternizadas. Mesmo ocupando um dos cargos mais elevados do Judiciário trabalhista brasileiro, Adenir relata que sua posição profissional não impediu que fosse reduzida, naquele momento, a um estereótipo racial historicamente construído. Especialistas em direitos humanos e relações raciais classificam esse comportamento como expressão do racismo estrutural, conceito utilizado para definir práticas discriminatórias incorporadas à cultura, às instituições e às relações sociais de forma naturalizada.

 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que pessoas negras representam a maioria da população brasileira, mas continuam sub-representadas em espaços de liderança e poder. No Poder Judiciário, a desigualdade também permanece evidente. Levantamentos do Conselho Nacional de Justiça apontam que magistrados negros ainda são minoria nos tribunais brasileiros, reflexo de desigualdades históricas relacionadas ao acesso à educação, oportunidades e ascensão profissional.

 

O peso simbólico do relato

 

 
O impacto do relato da desembargadora ultrapassou a experiência individual. Nas redes sociais, milhares de pessoas negras compartilharam episódios semelhantes, relatando situações em que foram confundidas com funcionários, seguranças, prestadores de serviço ou até suspeitos em ambientes comerciais e institucionais. Para movimentos antirracistas, a denúncia evidencia como o preconceito racial opera de forma automática e silenciosa, muitas vezes sem agressões verbais explícitas, mas sustentado por padrões históricos profundamente enraizados. O episódio também reacendeu debates sobre o chamado racismo recreativo e sobre mecanismos sutis de exclusão social que continuam presentes no cotidiano brasileiro.

 

Racismo no Brasil continua refletido nos números

 

 


Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que pessoas negras seguem entre as principais vítimas de violência, discriminação e desigualdade social no país. Estudos recentes apontam que:


• pessoas negras recebem salários menores mesmo exercendo as mesmas funções;


• mulheres negras estão entre as mais afetadas pela informalidade;


• a população negra enfrenta maiores dificuldades de acesso à saúde, educação e justiça;


• denúncias de discriminação racial continuam crescendo no Brasil.


Especialistas alertam que episódios como o vivido pela desembargadora refletem uma construção histórica marcada pela escravidão e pela ausência de políticas efetivas de reparação social.

 

Representatividade negra ainda enfrenta barreiras históricas

 

Fotos: Reprodução/Google


A trajetória de Adenir Alves da Silva Carruesco também simboliza resistência e conquista. Mulheres negras continuam enfrentando barreiras significativas para ocupar espaços de liderança no Brasil, especialmente em instituições historicamente elitizadas como o Poder Judiciário.
Ao tornar público o episódio, a magistrada amplia a visibilidade sobre o racismo cotidiano vivido por milhões de brasileiros e reforça a importância da representatividade negra em posições de destaque e tomada de decisão.

 
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Posicionamento Portal Mulher Amazônica

 

O Portal Mulher Amazônica entende que combater o racismo estrutural é uma responsabilidade coletiva e urgente. O episódio envolvendo a desembargadora Adenir Carruesco evidencia que o preconceito racial permanece entranhado nas relações sociais brasileiras, atravessando gênero, classe e posição profissional. Silenciar diante dessas situações contribui para a continuidade das desigualdades. Falar sobre racismo, denunciar práticas discriminatórias e fortalecer a representatividade negra são passos fundamentais para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária.

 

Fontes
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Fórum Brasileiro de Segurança Pública
 

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